Bem-vindos!

Bons amigos, valorosos guerreiros da espada e da magia, nobres bardos e todos aqueles com quem tiver o prazer de cruzar meu caminho nesta valorosa, emocionante e por vezes trágica jornada em que me encontro! É com grande alegria e prazer que lhes dou as boas-vindas, e os convido a lerem e compartilharem comigo as crônicas e canções que tenho registradas em meu cancioneiro e em meu diário...Aqui, contarei histórias sobre valorosos heróis, batalhas épicas e grandes feitos. Este é o espaço para que tais fatos sejam louvados e lembrados como merecem, sendo passados a todas as gerações de homens e mulheres de coração bravo. Juntos cantemos, levando as vozes daqueles que mudaram os seus destinos e trouxeram luz a seus mundos a todos os que quiserem ouvi-las!Eu vos saúdo, nobres aventureiros e irmãos! Que teus nomes sejam lembrados...
(Arte da imagem inicial por André Vazzios)

Astreya Anathar Bhael

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domingo, 22 de agosto de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 14: Thurxanthraxinzethos


Estimados companheiros! É com grande honra e alegria que trago-vos hoje o décimo quarto capítulo das Crônicas de Elgalor, mas uma vez sob a benção e a pena de Odin!
Boa leitura, e que os ventos da boa sorte sempre soprem em vosso favor.

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 14: Thurxanthraxinzethos


Levados pela magia de teletransporte de Aramil, o grupo de heróis foi conduzido para a Grande Floresta de Elvanna, lar dos elfos silvestres. Para o espanto de todos, o local estava em chamas, e era mais fácil ver fogo e fumaça do que árvores naquele local.

- Chegamos muito tarde? – Exclamou Astreya temendo pelo pior.
- Não... – respondeu Erol examinando atentamente o ambiente a seu redor – o fogo começou a se alastrar a pouco tempo. Ainda podemos fazer alguma coisa.
Aramil ergueu seu cajado dourado e começou a recitar uma magia:
- Nobres filhos da água e do vento, atendam agora meu chamado. Que vós e vossas crianças dancem intensamente nesta grande floresta, e que o fogo recue perante vossa força.
Instantes depois, o cajado do mago brilhou, e dois grandes elementais, um de água e outro de vento, seguidos por dezenas de espíritos elementais menores, se espalharam e começaram gradualmente a apagar o fogo daquela região.
- Os espíritos não serão capazes de apagar todo o fogo, mas impedirão que ele se alastre – disse Aramil – ao menos nessa região.
- A situação é bem pior do que eu imaginava – comentou Hargor com um semblante ainda mais sério no rosto – Segundo as lendas, Elvanna possui um encantamento semelhante àquele que protege Sindhar, uma barreira poderosa que impede qualquer um que não tenha sangue élfico de colocar os pés na floresta. Se o teletransporte conseguiu trazer Oyama, Bulma e a mim para dentro, significa que a barreira já foi destruída.
- É provável – respondeu Aramil em um tom sombrio.


Erol se abaixou, deslizou seus dedos sobre o solo e estudou-o por alguns instantes. Quando se deu por satisfeito, levantou-se e olhou para seus companheiros.

- Um grupo grande de criaturas bípedes e pesadas passou por aqui há menos de meia hora – disse o ranger - Cerca de vinte, e provavelmente estavam armaduradas. Uma delas, a maior de todas, estava visivelmente na frente, como se conduzisse a pequena tropa. Se formos rápido, podemos interceptá-los.
- Isso será difícil se corrermos no meu ritmo - resmungou Hargor – Oyama, Bulma e Erol são os mais rápidos e devem ir na frente para ganharmos tempo. Astreya, Aramil e eu seguimos logo atrás.
- Não é sábio nos separarmos, mas dada a situação – ponderou Aramil – não temos escolha.
- É verdade – respondeu Astreya – Vão, amigos, o mais rápido que puderem!

Erol concordou acenando a cabeça e o ranger, Oyama e Bulma se adiantaram rapidamente na frente. Apesar da grande dificuldade que era seguir rastros enquanto se está correndo, Erol era um ranger bastante experiente e conhecia bem aquela floresta. Por onde passavam, ele deixava uma marca com sua espada, para que Astreya, Aramil e Hargor pudessem saber para onde ele e seu grupo estavam indo.

Após alguns minutos de marcha rápida através de um caminho muito tortuoso, Erol e seus companheiros já podiam ouvir sons de gritos e espadas se chocando. Agora, sem a necessidade de seguir rastros, os três combatentes correram com todas as forças de suas pernas, e puderam ver uma grande clareira, e uma feroz batalha em curso.

Os vigorosos elfos silvestres, usando bem trabalhadas e resistentes armaduras verdes escuro, brandiam habilmente suas belas espadas élficas contra um exército de guerreiros meio dragões de couro vermelho, que trajavam pesadas armaduras peitorais e portavam grandes espadas curvadas e escudos. Ao lado dos elfos, vários animais como lobos, ursos e até leões batalhavam ferozmente. No chão, jaziam os corpos de pelo menos cinqüenta guerreiros e guerreiras élficas, e um número semelhante de meio dragões e animais selvagens. Apesar do combate parecer equilibrado naquele local, mais e mais meio dragões vermelhos pesadamente armadurados adentravam o campo de batalha.
- Eles estão vindo por todos os lados – disse Erol sacando suas espadas enquanto corria na direção de um meio dragão.
- Ótimo! – gritou Bulma enquanto rosnava e entrava em um estado de fúria sanguinária.
Oyama, que era capaz de correr ainda mais rápido que seus companheiros, avançou, deu um salto para frente e desferiu um poderoso chute circular que atingiu a cabeça de uma meio dragão com a força de dez martelos. A criatura baqueou, rosnou e furiosamente desferiu um golpe de sua pesada espada contra o monge.
- Isso não vai ser fácil – resmungou Oyama para si mesmo enquanto se esquivava do golpe de seu inimigo e desferia um soco certeiro bem na garganta do meio dragão, que por muito pouco não permaneceu de pé – isso não vai ser fácil...

Sabendo que o couro dos meio dragões era extremamente resistente, e que além disso eles estavam bastante armadurados, Erol conteve sua velocidade e permitiu que o meio dragão que enfrentava atacasse primeiro. O meio dragão desferiu uma mordida que teria arrancado o braço do ranger se ele não tivesse desviado, e em seguida, golpeou furiosamente com sua espada. Erol bloqueou com dificuldade o golpe de seu inimigo com a espada de sua mão esquerda, firmou sua base, e com o braço direito enterrou sua outra espada no olho do meio dragão, que uivou de dor e em seguida caiu morto no chão.

Bulma correu na direção de um meio dragão completamente sedenta por sangue. Ela já estava há dias sem lutar e desejava compensar todo este período de morosidade neste combate. O meio dragão, ao reconhecer que aquela era uma oponente que poderia fazer frente a sua força física, respirou fundo e lançou um sopro de fogo em direção à bárbara meio orc. Bulma apenas protegeu os olhos com os braços e continuou em frente, sentindo seu corpo queimar, mas sem diminuir o ritmo de seu ataque em momento algum. Surpreso, o meio dragão posicionou seu escudo e se preparou para desferir uma poderosa estocada no peito da bárbara. Bulma, no entanto, por puro instinto se esquivou do golpe de espada e baixou ferozmente seu machado sobre o braço do meio dragão, arrancando-o impiedosamente. Tomado pela dor e pela surpresa, o meio dragão cambaleou, e quando se posicionou novamente, foi apenas para ver o feroz machado de Bulma atravessando seu pescoço com uma força indescritível.

O combate prosseguiu intenso por mais alguns minutos; nobres guerreiros elfos, animais selvagens e poderosos meio dragões caiam um a um em meio a uma imensa carnificina, até no fim só restarem Oyama, Erol e Bulma de pé no campo de batalha. De pé, mas extremamente feridos.

- Irmão... – disse um guerreiro elfo à Erol, com grande dificuldade. Ele estava caído no chão com um grave ferimento em seu abdômen - Vocês precisam salvar o rei Karanthir. Se Thurxanthraxinzethos chegar até ele, estaremos todos condenados...
- Quem? – perguntou Oyama.
- Provavelmente o líder dos meio dragões – respondeu Erol ao ver que o guerreiro elfo perecera devido à gravidade de seu ferimento – precisamos partir agora. O Grande Carvalho do rei Karanthir fica a norte daqui. Porém...
- Porém o que, elfo? – interrompeu Bulma enquanto cuspia sangue.
- Se formos neste estado, não ajudaremos em nada – respondeu o ranger irritado, observando que os três mal conseguiam se manter de pé – precisamos esperar Hargor e Astreya.
- Não... – disse Oyama colocando a mão em uma pequena bolsa presa a seu pesado cinturão - Quando saímos de Darakar, Hargor meu deu isto para eventuais emergências.
O monge tirou três pequenas poções, abriu e tomou uma e deu as restantes para Erol e Bulma.
- Bebam – disse ele enquanto seus ferimentos lentamente se fechavam- Eu ainda tenho mais uma sobrando.
- Ótimo – respondeu Erol bebendo sua poção enquanto fazia uma pequena marca no chão com sua espada, para indicar a seus amigos o caminho que os três haviam seguido.
- Vamos logo – disse Bulma após tomar a poção e sentir suas forças retornarem – quero ver como é esse tal de Thurxanthraxinzethos...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 13: Fúria


Boa-noite, caros amigos! É com grande honra que trago-vos hoje, sob a pena e a benção de Odin, o décimo terceiro capítulo das Crônicas de Elgalor.


Boa leitura, e que os ventos da boa sorte e da amizade sempre vos acompanhem!


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 13: Fúria

O teletransporte de Aramil levou o grupo até uma pequena colina, isolada em uma grande e cinzenta planície. O céu estava escuro, coberto por nuvens negras e mal cheirosas, enquanto o chão da colina parecia cinzento e completamente sem vida. Ao longe, os aguçados olhos dos elfos podiam ver uma imensa torre, cujo topo parecia rasgar impiedosamente o próprio céu.
- Aramil... – disse Oyama olhando para a vastidão ao redor deles – não dava para nos levar um pouco mais perto?
- Por que parar perto da torre quando podemos fazer uma caminhada agradável de vinte quilômetros nesta bela paisagem repleta de orcs, wargs e demônios que vivem no subterrâneo? – respondeu Aramil com um insuportável tom de sarcasmo.
- Era só falar que você não consegue nos levar para perto, mago – respondeu Oyama rindo em tom de provocação – nós compreendemos as suas limitações.
- Meus parabéns – retrucou Aramil – talvez algum dia eu seja capaz de compreender a extensão das suas também.
- Calem a boca – gritou Bulma – onde nós estamos?
- Nas Terras Sombrias – respondeu Astreya, demonstrando repentinamente estar sentindo-se um pouco tonta – uma grande guerra entre diabos e demônios ocorreu aqui eras atrás, e devastou invariavelmente toda a região a sul do Deserto de Kamaro. Se não lacrarmos o Tomo dos Cânticos Profanos na Torre do Desespero, esta paisagem vai se espalhar por toda Elgalor dentro de alguns anos.
- Você está bem, jovem? – perguntou Hargor.

Antes que Astreya pudesse responder, ela perdeu os sentidos e caiu, sendo segurada às pressas pelo clérigo anão. Hargor deitou cuidadosamente a barda no chão, e percebeu que ela estava com muita febre.
- O que significa isso, Hargor? – perguntou Erol se aproximando – o ar deste lugar fez isso com ela?
- Não – respondeu Aramil – se ficarmos muito tempo aqui, realmente adoeceremos, mas isso levaria dias. Ela deve estar tendo alguma de suas visões.
- Sim – disse Oyama observando a barda – desde que nos reencontramos, ela não havia tido nenhuma visão, e eu até achei que elas tinham passado, mas...

Neste instante, Astreya emitiu um grito de pavor indescritível, e levantou seu tronco do chão, ficando sentada. Seus olhos estavam arregalados e sua boca parecia totalmente seca.
- Erol, Bulma, vigiem o perímetro – disse Hargor se abaixando e dando o cantil de água para Astreya – este grito pode ter chamado a atenção das criaturas deste lugar.
- “Pode” – disse Aramil olhando ao redor.
Erol e Bulma se posicionaram cada um de um lado diferente da colina com as armas em punho.
- Astreya, você está bem? – perguntou Oyama.
Vendo que a barda ainda parecia em choque, Hargor fez uma rápida oração e envolveu Astreya em uma tênue aura de energia, que lentamente fez com que a meio-elfa se acalmasse e recobrasse plenamente os sentidos.
- Obrigada, Hargor, e a você também, Oyama – disse a barda bebendo um pouco de água – Nós temos que sair daqui agora.
- O que você viu? – perguntou Aramil relutante, pois sabia que as visões de Astreya, apesar de confusas e enigmáticas, sempre traziam consigo uma verdade terrível – O demônio guardião da Torre?
- Não, não é nada relacionado à Torre – respondeu a barda se levantando – É algo muito mais sério, e muito pior.
- Muito bem, agora você conseguiu oficialmente me deixar preocupado – disse Oyama – O que está acontecendo, Astreya?
- Minha visão foi confusa, mas bastante real – respondeu a barda tentando organizar seus pensamentos para transmitir sua visão da maneira mais clara e coerente possível.

- Vi uma grande floresta, um imenso reino élfico – disse Astreya – não parecia Sindhar ou Sírhion. Um imenso dragão vermelho sobrevoou árvores de aparência milenar, e uma horda de orcs e meio dragões adentrou a floresta destruindo brutalmente os elementais e Ents que tentavam proteger o local. Os elfos lutaram, e destruíram praticamente todo o exército invasor, mas foram massacrados na batalha. O dragão queimou quase metade da imensa floresta, mas teve que fugir, pois percebeu que não era páreo para a fúria dos guardiões Ents que restaram. De pé, só havia duas pessoas. Um rei élfico, que usava uma coroa de madeira branca com uma safira incrustada, e um meio-dragão que trajava uma armadura negra e portava uma imensa espada flamejante. Por alguma razão, ele me assustava muito mais do que o dragão vermelho.

- Você está se referindo ao reino de Elvanna, o lar dos Elfos Silvestres – disse Erol, prestando atenção às palavras de Astreya enquanto vigiava – boa parte de meu treinamento como ranger se deu lá.
- Como suas visões sempre avisam sobre o que está para acontecer – observou Bulma – ainda temos tempo de chafurdar os desgraçados no próprio sangue. A torre pode esperar.
- Continue, Astreya – disse Hargor.
- O rei e o meio dragão lutaram – disse a barda – após uma luta intensa em meio às chamas, o meio dragão enterrou sua espada flamejante no peito do rei élfico e jogou seu corpo nas chamas. Logo depois disso...
- Astreya? – perguntou Oyama ao ver que sua amiga havia novamente ficado completamente pálida.
- ... depois disso – continuou Astreya se recompondo – o meio dragão arrancou a cabeça do rei élfico e gargalhou enquanto a levantava no ar. Tudo ficou escuro depois disto, e então...
- A profecia de Gruumsh – interrompeu Aramil completamente perplexo, ao entender onde a história de Astreya levaria – Se os malditos conseguirem a cabeça do rei Karanthir...
- Sim – gritou Astreya enquanto lágrimas escorriam de seu rosto – saindo da escuridão, eu vi a sombra de um orc caolho enorme, carregando um imenso machado e rumando com um exército gigantesco sobre Sírhion e Sindhar, matando e destruindo tudo o que podiam encontrar. Mulheres, crianças, TUDO!
- Não podemos deixar isso acontecer – disse Hargor furioso, imaginando que o mesmo poderia acontecer com seu povo se um rei anão também tombasse diante de tais inimigos – Aramil, você pode nos levar para Elvanna?
- Agora mesmo – disse o mago cheio de ódio em sua voz. Apesar de não dedicar sua vida em prol de seu povo, como os reis Coran e Thingol faziam, ele jamais permitiria que os membros de sua raça sofressem tamanha dor.
- Enxugue os olhos, Astreya – disse Bulma gentilmente (para seus padrões) enquanto abria um sorriso assustador – Vamos matar e desmembrar muitos orcs e meio-dragões. Deixe que eles derramem lágrimas enquanto imploram inutilmente por misericórdia. Hahahahahaha!
- Vamos – disse Erol com o frio olhar de um assassino – minhas espadas estão sedentas.
- É assim que se fala – disse Oyama vibrando com a expectativa da batalha que logo ocorreria – estes desgraçados não sabem com quem mexeram!
- Moradin, grande Senhor e Pai dos anões – gritou Hargor erguendo seu martelo – conceda-nos sua benção e sua fúria divina nesta batalha! Que a força de teu martelo e o vigor de tua bigorna preencham nossos corpos e espíritos.
- Sim, meus amigos – disse Astreya enxugando as últimas lágrimas de seu rosto – vamos dar um basta nisso.

Aramil conjurou mais um teletransporte e todos os bravos heróis desapareceram em um piscar de olhos. Coincidência ou não, um relâmpago rompeu no céu neste exato instante...

sábado, 7 de agosto de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 12: O gnomo, a bruxa e o demônio (Parte 3).


Nobres e caros amigos! Com grande alegria, trago-vos esta noite o décimo segundo capítulo das Crônicas de Elgalor, sob a benção e a pena de Odin! Mais uma vez temos ilustres convidados e fatos deveras emocionantes. Não deixem de conferir!


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 12: O gnomo, a bruxa e o demônio (Parte 3).


Por Odin.


Em meio à escuridão repentina e ao vento cortante que tomou a sala, todos ouviram uma forte gargalhada, seguida por uma voz alta e perturbadora, que parecia ecoar diretamente na mente de cada um deles:
- Há quanto tempo, velho Nubling... E você, bastardinha estraga prazeres, achou que seus avisos histéricos poderiam salvar vocês de mim?
- Quem ou o que é este idiota? – perguntou Oyama.
- O novo guardião, eu suponho – disse Aramil enquanto conjurava sutilmente uma magia para tentar descobrir se tudo aquilo se tratava de uma ilusão ou se a criatura realmente estava entre eles.
- Estes são realmente os ventos de pandemônio – disse Hargor em tom severo – mas não consigo sentir o foco de toda a energia profana que está ao redor de nós.
- Isto é porque – disse Selwyna em tom de desafio à criatura – ele não pode sair da torre, a menos que um ritual seja realizado.
- E este ritual logo será realizado - respondeu a criatura com uma malícia absurda – Não vai me cumprimentar, Nubling?
- Você... – disse Nubling remoendo memórias e colocando seus pensamentos em ordem – eu não conheço. E se achas que sou tolo a ponto de dizer teu nome e intensificar assim sua presença em minha casa, você também não sabe com quem está falando!
- Esta criatura seguiu você até aqui, feiticeira? – perguntou Erol olhando na direção de Selwyna.
- Não, ranger, ele seguiu vocês – respondeu Selwyna – eu fui alertada pelos espíritos que habitam o Lago de Cristal, e vim para cá o mais rápido que pude.
- Demônio, a menos que você vá descer aqui para ser espancado – disse Oyama estralando os nodosos dedos de suas mãos - suma logo porque estamos no meio de uma refeição.
- Hahahahahahaha – você vai ser o primeiro, monge imundo – gargalhou a criatura.

No instante seguinte, o vento parou de soprar, e as luzes novamente se acenderam.
- Por Corellon, Nubling, o que foi isso? – perguntou Astreya.
- Um antigo conhecido - respondeu o gnomo pensativo – que se perdeu completamente em seu caminho.
- Meio humana, você disse que ele veio atrás de nós – disse Aramil olhando com desconfiança para Selwyna – e há um ritual que supostamente irá liberá-lo da torre. O que você sabe sobre...
- “Meio humana” – interrompeu Selwyna – está insinuando alguma coisa, mago?
- Perdão, talvez eu deva chamá-la de bruxa mirim – respondeu Aramil irritado.
Enfurecida, Selwyna se aproximou de Aramil com o punho fechado e desferiu um soco, quando sentiu a mão forte de Hargor segurando gentil, mas firmemente seu pulso.
- Ele não vale o esforço, minha jovem – disse o anão olhando severamente para Aramil.
- Aramil – gritou Astreya – nós somos convidados aqui!
- Humph – resmungou o mago – eles sabem muito mais do que estão nos dizendo, sua tola. Mas como queiram...
- Peço desculpas a ti, nobre feiticeira meio- ELFA – disse Aramil fazendo uma reverência a Selwyna – Agora, se puderes, por gentileza explicar qual a relação que este monstro tem conosco...
- Guarde suas desculpas hipócritas para si mesmo, mago – disse Selwyna aborrecida.
- Querida, por favor... – disse Nubling ainda tenso, tentando acalmar sua sobrinha.
- A relação entre vocês e este demônio, arqui-mago de Sindhar – disse Selwyna olhando fixamente nos olhos de Aramil - é que vocês precisam passar por ele para chegar ao topo da Torre do Desespero, e ele precisa devorar o coração de cinco de vocês para ficar livre em nosso mundo. Este é o ritual, e esta é a relação.
- Ele realmente veio atrás de nós... – disse Astreya – nos desculpe pelo incômodo, senhor Nubling, e obrigada por nos orientar, Selwyna.
- Se me permite perguntar, Selwyna, mais por necessidade do que por desconfiança – disse Hargor – como você soube de tudo isso? Que ele precisa do coração de cinco de nós para se libertar?
- Tenho o dom de fazer premonições, e sempre que algo importante está para acontecer, os espíritos do lago de cristal me chamam, e o contato com eles “direciona” e amplifica minhas premonições – respondeu Selwyna.
- Nossa... – disse Astreya sorrindo – tenho um dom semelhante também – parece que temos muito em comum além de agüentar as provocações de Aramil.
Selwyna sorriu, pela primeira vez naquele dia, mas logo em seguida se voltou para Nubling, que estava sentado sério e compenetrado.
- Qual é o problema, Gnomo? – perguntou Bulma, aborrecida por não poder ainda cravar seu machado no crânio do demônio.
- Amigo, se ele aparecer aqui, nós protegemos vocês – disse Oyama dando um tapa amigável no ombro de Nubling.

Nubling ficou em silêncio por um instante. Cruzou as mãos à frente do queixo e disse:
- Se eu consertar o orbe, vocês irão à torre e serão mortos por ele. Depois, aquele monstro ficará solto em nosso mundo. Se eu não consertar, vocês não entrarão na torre, e ele ficará preso eternamente, mas enquanto o Tomo lá dentro estiver aberto, nosso mundo será gradualmente tragado pela escuridão.
- Há uma terceira opção – disse Erol – e você sabe disso.
- Vocês vencerem? – disse Nubling desanimado – pouco provável, amigo ranger.
- Conserte o orbe – disse Hargor – nós cuidaremos do resto.
- Mas se não cuidarem... – interrompeu Nubling, extremamente preocupado.
- Selwyna, eu sei o que isto significa para vocês, - disse Astreya se voltando para a jovem bruxa - e que há coisas aqui que são dolorosas de serem sequer lembradas, mas por favor, confiem em nós.
- Tio... – disse Selwyna após considerar as palavras de Astreya – faça o que pedem. Deixemos o destino correr seu curso natural.

Após um longo silêncio, Nubling se levantou com um sorriso e disse:
- Muito bem, farei isso. Precisarei de algumas horas, mas o orbe será consertado. Não temos muitos quartos aqui, mas podemos acomodar todos razoavelmente bem.

Nem tanto. Quando a noite caiu, os aventureiros descobriram que havia apenas um quarto disponível, além do quarto de Selwyna. No quarto da jovem, ficaram ela, Astreya e Bulma. Entediada, a meio orc rapidamente adormeceu, mas, as duas meio elfas passaram várias horas conversando sobre visões e principalmente, sobre pessoas queridas e importantes. Pessoas com que se queria estar, mas por algum motivo ou outro, este desejo era momentaneamente negada pelo destino.

Já no quarto de Nubling, ficaram Oyama, Hargor, Erol e Aramil enquanto o gnomo trabalhava. Aramil se enfureceu com o fato e disse que Oyama só poderia entrar lá após tomar um banho; o monge, por mera diversão, fez questão de demonstrar os piores hábitos de higiene imagináveis e os quatro heróis passaram uma noite bastante conturbada em meio a gargalhadas, vinho, arrotos e ameaças de morte.

Ao amanhecer, o mago gnomo entregou à Aramil o olho e Charoxx completamente restaurado, e fora da caverna, frente ao mesmo rochedo onde os heróis encontraram Nubling pela primeira vez, todos se despediram.
- Muito obrigado por sua ajuda, nobre amigo – disse Hargor apertando a mão de Nubling – e não se preocupe, pois não falharemos.
- Confio em vocês – respondeu Nubling sorrindo – se vocês foram capazes de arrancar o olho de um dragão abissal, conseguirão superar isso também!
- É assim que se fala – disse Oyama dando um tapa nas costas do gnomo – este demônio vai virar esterco quando acabarmos com ele.
- Obrigada por tudo, Selwyna – disse Astreya à jovem feiticeira enquanto trocavam um forte abraço – Fique tranqüila, pois tudo dará certo.
- Espero que sim, minha amiga – respondeu Selwyna com um sorriso – e que logo possamos comemorar alguns casamentos também.

Ao terminar de preparar sua magia de teletransporte e reunir todo o grupo, Aramil se voltou para Nubling e disse:
- Você tem uma grande habilidade, Erkenwald; uma habilidade pouco vista mesmo entre os elfos. Obrigado, e adeus.

Quando o grupo desapareceu, Nubling se virou para Selwyna e disse:
- Você está preocupada.
- Não é nada... – respondeu a feiticeira, tentando esconder a tristeza.
- Eu conheço você, querida – disse Nubling segurando a mão de Selwyna - Diga-me o que há. Está preocupada com o desfecho do que há de ocorrer na Torre do Desespero?
- Não... – respondeu ela em tom sombrio.
- Então com o que? – perguntou Nubling com uma expressão bastante preocupada no rosto – o que você viu?

- Eles irão para um lugar antes de partirem para a Torre dos Desesperos – disse ela enquanto uma lágrima escorria pelo seu rosto – e neste lugar, um deles, não sei ainda quem, irá perecer de uma forma terrivelmente brutal.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 11: O gnomo, a bruxa e o demônio (Parte 2)



Caros amigos e visitantes! É com grande honra que trago hoje novamente, sob a benção de Odin, o décimo primeiro capítulo das Crônicas de Elgalor, novamente trazendo participações especiais...

Espero que gostem, porque eu gostei muito!
Que os ventos da boa fortuna estejam sempre convosco, bravos aventureiros!

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 11: O gnomo, a bruxa e o demônio (Parte 2).

Por Odin

Após percorrer uma trilha sinuosa na Floresta de Kharnat por mais de meia hora, os aventureiros se depararam com um grande rochedo, e com um gnomo que os saudou, se apresentando como Nubling Erkenwald.

O gnomo fez mais uma mesura aos aventureiros e disse:
- Espero que os guardiões da floresta de Kharnat não tenham lhes trazido problema. Com toda esta maldade que parece ter tomado conta de nosso mundo, eles estão mais alertas, e até um pouco paranóicos.
- Foi por isso que viemos – disse Astreya baixando a cabeça em sinal de respeito – Meu nome é Astreya, estes são meus amigos Erol, Aramil, Hargor, Bulma e Oyama. Viemos à sua procura, senhor Erkenwald.
- Entendo... – respondeu o gnomo coçando seu cavanhaque enquanto pensava por alguns instantes – bem, vamos entrar e tomar um chá enquanto vocês me contam toda a história.

Neste momento, Nubling se virou para o grande rochedo e fez gestos rápidos e precisos com sua pequena mão. Um portal esverdeado surgiu instantaneamente.
- Vamos, entrem – disse o gnomo sorrindo enquanto pulava no portal – não tenham medo!

Os aventureiros se entreolharam por alguns instantes e Astreya disse:
- Ele parece uma boa pessoa.
- Para você, qualquer um que não tenha um par de chifres e língua bifurcada parece uma boa pessoa, Astreya – resmungou Aramil.
- Já viemos até aqui – disse Hargor – vamos entrar.
- Espero que ele tenha mais do que chá para servir – disse Bulma – estou com fome.
- Haha - gargalhou Oyama – um pernil e um caneco de cerveja realmente cairiam bem agora...

Nisso os heróis passaram pelo portal. Ao chegar do outro lado, se surpreenderam, ao ver um imenso salão dentro da montanha, com diversas pedras exóticas que emitiam luzes de várias cores, estantes com centenas de livros e pergaminhos, um bem equipado laboratório de alquimia e muitos vidros contendo os mais variados tipos de poções. Satisfeito ao ver a expressão de espanto no rosto de todos os heróis, exceto Aramil, que se mostrava totalmente indiferente, Nubling conduziu todos até uma sala separada, que era iluminada por velas e pedras brilhantes, onde uma grande e bela mesa estava preparada, com oito pratos e xícaras, vários pães, uma cesta de biscoitos, muito queijo, duas grandes jarras brancas e três bules de chá.
- Você sabia que viríamos ou vive com mais alguém? – perguntou Erol desconfiado, ao pensar que seria impossível ter arrumado aquela mesa para tantas pessoas em tão pouco tempo.
- Na verdade, ranger – disse Nubling se sentando na ponta da mesa – tomei conhecimento da presença de vocês quando Astreya começou a cantar. Alguns animais amigos meus ouviram a bela canção e me avisaram que “amigos dos elfos” estavam na floresta. Mas, você está certo. Comigo, temos sete pessoas aqui e oito cadeiras.
- Então você vive com mais alguém? – perguntou Astreya.
- Minha sobrinha – respondeu Nubling se servindo de chá –ela logo se juntará à nós. Agora sentem-se, comam e me contem como eu posso ajudá-los.

Durante cerca de uma hora, Astreya, Oyama e Hargor cotaram toda a história à Nubling. Aramil permaneceu calado e taciturno o tempo todo, enquanto Oyama e Bulma devoravam os pães felizes ao saber que as jarras brancas continham vinho. Vinho anão.
Todos, exceto Aramil comeram e beberam.
- O vinho é ótimo – disse Hargor ao beber uma caneca inteira de uma vez.
- Sim, vem das Montanhas de Ferro – respondeu Nubling orgulhoso, pois vira que todos estavam apreciando muito sua refeição. Todos, exceto...
- Lorde Aramil – disse em tom de brincadeira Nubling - coma, garanto que não há nada envenenado hoje.
- Obrigado, mais não estou com fome – respondeu o elfo.
- Os.. os biscoitos estão uma delícia, senhor Nubling – disse Astreya sinceramente, mas envergonhada pelo comportamento de Aramil.
- Fui eu mesmo quem fiz! – exclamou Nubling – Então, vocês querem que eu conserte o olho do dragão, não é? Deixem-me vê-lo.
Aramil tirou de sua bolsa mágica o olho de Charoxx, que era maior do que uma bola de cristal. Nubling pegou o orbe nas mãos e observou-o atentamente. Por fim disse:
- Vocês fizeram bem em trazer isto a mim... ele está instável, e no máximo amanhã vai explodir se não for consertado. O que talvez vocês não saibam, é que este olho, além de uma chave mágica, é também a filactéria que contém a alma de um dragão lich.

Todos ficaram boquiabertos com a revelação. Nem mesmo Aramil conseguiu esconder seu espanto.
- O guardião da Torre do Desespero é um dragão lich que era ligado à Charoxx – disse Astreya – se a filactéria pertencer a ele...
- Podemos usar o orbe para abrir a Torre e depois destruí-lo – completou Hargor.
- Sim! – exclamou Nubling – parece que finalmente vocês tiveram um pouco de sorte.

- Não – ecoou uma voz doce, porém firme vinda das sombras de uma parede lateral – não tiveram.
Os aventureiros e Nubling se viraram para a sombra e viram uma bela jovem meio elfa, trajando um vestido vermelho e um longo manto negro. Sua pele era clara, seus cabelos ruivos e os olhos castanhos. Ela parecia séria, como se estivesse controlando um grande pavor.
- Esta é Selwyna, minha sobrinha adotiva – disse Nubling tentando amenizar um pouco o tenso clima que se instalara.
- Selwyna – disse Astreya como se estivesse se lembrando de algo – A profetisa, a Bruxa da Rosa Negra?
- A própria – respondeu Nubling olhando fixamente para a sobrinha, começando a ficar preocupado – o que houve, querida?
- Sabendo que o guardião original não teria condições de oferecer resistência – disse Selwyna enquanto se aproximava - o mestre da Torre do Desespero trouxe diretamente de Pandemônio, da Cidadela do Massacre de Erythnul, uma criatura terrível.
- Quem? – perguntou Hargor em tom severo.

Quando Selwyna abriu a boca para dizer o nome, as pedras brilhantes que iluminavam a sala repentinamente se apagaram. Um vento frio e cortante surgiu do nada, apagando as velas da mesa, deixando o recinto na mais completa escuridão.

Subitamente, o vento se tornou mais forte, e trazia consigo ruídos terríveis de mulheres e crianças agonizando enquanto eram brutalmente assassinadas, sons de ossos se partindo e gargalhadas. Muitas gargalhadas.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 10: O gnomo, a bruxa e o demônio (Parte 1).


Bom dia, amigos, parceiros e visitantes. É com grande honra que vos trago, nesta bela manhã, as Crônicas de Elgalor, sob a benção de Odin. Vós percebereis a presença de um ilustre participante dos salões de Valhalla e do Cancioneiro desta humilde barda na primeira parte deste capítulo. E há mais por vir...

Boa leitura, e que os ventos da boa fortuna sempre vos acompanhem, bravos aventureiros que por aqui passam!


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 10: O gnomo, a bruxa e o demônio (Parte 1).

(Por Odin).

Logo após todos serem devidamente curados, foi decidido que o grupo permaneceria em uma clareira próxima à caverna de Charoxx durante aquela noite para repousar, e que partiriam ao amanhecer à procura do mago gnomo indicado por Astreya, na esperança que ele pudesse consertar a chave que seria usada para abrir a Torre do Desespero. Era arriscado armar um acampamento fora da caverna, mas era preciso, pois o calor e a fumaça venenosa do covil de Charoxx os mataria se permanecessem lá por muito tempo. Por precaução, o grupo decidiu se revezar em rondas de duas horas para garantir que não seriam surpreendidos por eventuais inimigos enquanto dormiam.

A noite passou e não houve problema algum. Quando todos despertaram, ao raiar do sol, se prepararam para fazer um rápido desjejum, enquanto Hargor fazia suas orações e Aramil preparava suas magias. Subitamente, Astreya gritou:
- Pessoal, onde está Oyama?
- Ou o idiota foi atrás do tesouro do dragão ou foi devorado por um gigante ou algo parecido – respondeu Aramil com desinteresse, sem tirar os olhos de seu grimório – Não que importe.
- Nós temos que procurá-lo – disse Astreya irritada com o tom de voz do mago.
- Por que? – perguntou Aramil enquanto memorizava suas magias.
- Calma... – respondeu Erol – Ele realmente foi atrás do tesouro. Eu disse que não havia nada lá, pois eu mesmo procurei, mas ele não acreditou e quis checar com os próprios olhos.

- Droga! – ecoou a voz de Oyama de dentro do covil de Charoxx – realmente não há tesouro nenhum!
- Eu avisei – respondeu Erol pegando um pouco de frutas secas e pão que o grupo trouxe de Sírhion e Sindhar.
- Charoxx se estabeleceu aqui há pouco tempo – disse Hargor bebericando seu vinho enquanto Oyama voltava – Talvez ele não tenha tido tempo de trazer seu tesouro para cá.
- Faz sentido – respondeu Astreya – afinal, estas montanhas fazem divisa com o reino de Darakar, e seria tolice trazer o tesouro para cá e correr o risco dos anões o tomarem.
- Então onde está o tesouro dele? – perguntou Oyama tomado por uma grande frustração.
- Na Torre dos Desesperos, provavelmente – respondeu Erol – de qualquer forma, precisamos ir.
Aramil balançou a cabeça em desaprovação, se virou para Astreya e disse:
- Procurar este gnomo é uma perda de tempo, mas, como não temos outra escolha, me diga quem é e onde podemos encontrá-lo.
- O nome dele – respondeu Astreya – é Nubling Erkenwald – e se as histórias estiverem corretas, ele tem um laboratório na floresta de Kharnat, próxima às Montanhas de Ferro, a leste de...
- Eu sei onde fica – interrompeu Aramil.

Os heróis terminaram a refeição, recolheram o acampamento e se aproximaram do mago. Aramil começou a entoar um pequeno ritual, e a fazer alguns gestos fluidos e precisos com as mãos. Um clarão iluminou todo o lugar, e no instante seguinte, todos haviam sumido.

Quando se deram conta do que havia ocorrido, o grupo se viu em uma grande e densa floresta, repleta de árvores imponentes de aspecto muito antigo. Subitamente, algumas árvores começaram a mover sutilmente seus poderosos galhos e Bulma teve a impressão que uma delas andara em sua direção.

- Entes – disse Erol surpreso – esta floresta é guardada pelos pastores das árvores.
- Eles são hostis? – perguntou Hargor.
- Apenas se nos virem como ameaça para a floresta – respondeu o ranger.
- Mande elas se afastarem de mim, elfo – grunhiu Bulma, empunhando seu machado – ou vou transformá-los em lenha.
- Guarde o machado, meio-orc tola! – disse Aramil em tom severo – é por sua causa que eles estão tensos. Eles não conseguem diferenciar você de um orc, não que esta seja uma tarefa fácil. De qualquer forma, guarde seu machado agora!
Bulma lançou um olhar feroz para o mago, e lançou um cuspe que atingiu a barra do manto de Aramil. Mas mesmo assim fez o que ele disse e guardou sua arma. Em seguida, Astreya começou a entoar uma suave melodia com sua harpa.

“Espíritos da terra, do vento e da água,
Nós saudamos estes nobres guardiões, que há eras
Defendem com amor e firmeza estas terras.
Oh, poderosos pastores, permitam nossa travessia,
Pois mal algum virá destes que seguem o caminho da luz e da harmonia.”

- Uma canção élfica... – observou Erol.
- Que funcionou muito bem – concluiu Oyama – olhem!
Lentamente, as majestosas árvores começaram a se mover e uma tênue trilha surgiu em meio à floresta. Ela era fina e sinuosa, e parecia ter mais de um quilometro de comprimento. Sem opções, os heróis seguiram em frente, com Erol tomando a dianteira.

O grupo caminhou seguindo a trilha em silêncio por cerca de meia hora, tendo a forte sensação de estarem sendo observados. O vento soprava por entre as grossas copas das árvores, como se também estivesse vivo e monitorando cada passo que os heróis davam.
- Até quando vamos precisar andar? – perguntou Bulma impaciente.
- Até que o gnomo de Astreya salte das árvores para consertar o olho de Charoxx ou para no contar piadas idiotas – resmungou Aramil.
- Cale a boca, Aramil – respondeu Astreya zangada, realmente temendo que tudo aquilo se mostrasse uma grande perda de tempo.

Quando chegaram próximos a um grande rochedo, viram um pequeno gnomo moreno, de roupas negras e azuis e olhos bem claros. Ele surgira do nada, possuía um cavanhaque bem aparado e carregava uma grande bolsa, repleta de poções e pergaminhos. Ao notar a surpresa nos rostos dos heróis, ele se curvou educadamente e disse:

- Saudações, nobres aventureiros. Bem vindos à Floresta de Kharnat. Eu sou Nubling Erkenwald. Em que posso servi-los?

domingo, 11 de julho de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 9: A chave


Boa noite, amigos e visitantes. Hoje trago-vos, sob a benção de Odin, o nono capítulo das Crônicas de Elgalor.


Boa leitura, e que os deuses do bem estejam convosco.


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 9: A chave

O combate contra Charoxx foi vencido. Mas a um alto custo; no fim do confronto, apenas Astreya, Aramil e Erol permaneciam de pé. Com a mão sobre o enorme ferimento em seu abdômen, Erol desviou-se do corpo tombado de Charoxx e se aproximou do corpo de Hargor, que estava praticamente esmagado pelo impacto da cauda do dragão abissal.

- Ele... – ele está vivo? – perguntou Astreya aflita, sentindo seu coração quase parar.
Erol se abaixou e colocou a mão sobre a garganta do clérigo, para verificar seus sinais vitais. Após um momento...
- Está – respondeu o ranger, que perdia sangue rapidamente – é preciso mais do que isso para matar um anão, mas ele precisa ser curado rápido.
- Sim – disse Astreya correndo em direção ao corpo de Hargor – mas e os ...?
- Cure Hargor, Astreya – interrompeu Aramil andando na direção dos corpos de Oyama e Bulma, que estavam relativamente próximos – depois o clérigo se encarregará dos demais.
O mago elfo chegou perto do corpo de Oyama, que estava totalmente quebrado e banhado em sangue.
- Ele está vivo? – perguntou Astreya impaciente enquanto conjurava um feitiço de cura em Hargor.
- Barda – respondeu o mago com uma expressão de desprezo no rosto - Você não espera que eu toque neste...
- ARAMIL! – gritou Astreya furiosa.
- Humph! – resmungou Aramil, abaixando-se e verificando os sinais vitais de Oyama – parece que teremos que agüentá-lo por mais algum tempo. E antes que você berre novamente, Bulma também está respirando.

A magia de cura que fluiu pela mão de Astreya envolveu o corpo de Hargor com uma luz dourada, e o clérigo anão abriu lentamente os olhos.
- Você... não é Moradin – disse Hargor tentando reorganizar os pensamentos – o que significa que vencemos. Como estão os outros?
- Vivos – respondeu Erol se sentando e sentindo que seus sentidos já começavam a deixá-lo – eu... apreciaria sua ajuda, anão.
- Certamente – disse Hargor ainda muito ferido, levantando-se vagarosamente.
- Moradin, pai e senhor de todos os anões – disse o anão erguendo seu martelo – que por tua benção e poder sagrado os ferimentos de meus bravos irmãos de armas sejam curados!

O martelo de Hargor brilhou intensamente, e um círculo de energia positiva envolveu o corpo de todos os heróis, curando parcialmente seus grandes ferimentos. O clérigo repetiu o encantamento mais três vezes, e, após alguns minutos, todos estavam de pé. Ainda feridos, mas de pé.

- Dragão maldito! – gritou Bulma enterrando o machado violentamente na boca de Charoxx, arrancando um dos dentes do dragão – Isto, pelo menos vai virar um belo colar – disse a bárbara contemplando a grande presa.
- Essa foi dura... – disse Oyama pressionando as costelas que há pouco estavam quebradas – Agora é só encontrar o tesouro.
- Seus tolos... – resmungou Aramil colocando a mão no rosto – caso tenham se esquecido, precisamos da chave para abrir a Torre do Desespero.
- O tesouro do dragão é bom lugar para começar a procurar, elfo! – retrucou Oyama.
- Nós não sabemos o que é a chave... – disse Astreya.
- Eu já a encontrei – respondeu Aramil sem paciência.

Todos ficaram calados por um instante.
- Se você já encontrou a chave, mago – disse Hargor – qual é o problema?
Aramil estendeu sua mão e conjurou uma magia de telecinésia. O olho direito de Charoxx começou a tremer e a emitir um brilho avermelhado. Em seguida, saiu do corpo do dragão e foi em direção à mão do mago elfo.

Aramil pegou o olho com as duas mãos, pois ele era totalmente sólido, tinha cerca de trinta centímetros de diâmetro e pesava aproximadamente dez quilos.
- Esta é a chave? – perguntou Bulma incrédula - O olho do dragão?
- Isso não é um olho verdadeiro, bárbara. É um artefato poderoso – respondeu Aramil.
- Hargor tem razão, Aramil – disse Erol – você parece perturbado. Qual é o problema?
Aramil girou o olho e todos puderam ver duas rachaduras; uma lateral e outra no centro.
- Nossas flechas... – disse Astreya se recordando dos pontos onde as flechas que ela e Erol dispararam atingiram o olho mágico do dragão.
- Não podemos mais usá-lo? – perguntou Hargor.
- Apesar das rachaduras serem pequenas, elas foram causadas pelas flechas de Erol e Astreya, que eram mágicas – explicou Aramil – a energia arcana armazenada nele é imensa, e está completamente instável. Entre dois, ou no máximo três dias, ele explodirá.
- E a explosão – continuou Aramil – seria mais poderosa do que dez sopros de Charoxx.
- Então, precisamos consertá-lo – disse Oyama.
- Os magos de Sindhar poderiam fazer isto – disse Erol.
- Mas precisariam de vários dias de estudo – respondeu Aramil – dias que não temos
- Há uma alternativa... – disse Astreya – ouvi histórias sobre um gnomo que é especialista em itens mágicos. Na construção e reparo deles.
- Um gnomo? – zombou Aramil sarcasticamente – Um GNOMO? Vamos deixar que Oyama conserte a chave de uma vez.
- Vou consertar outra coisa se você não calar a boca... – retrucou o monge guerreiro.
- Você acha que ele realmente pode fazer isso, Astreya? – perguntou Hargor.
- Não sei – respondeu a barda – mas é a melhor chance que temos, e com as magias de teletransporte de Aramil, não perderemos muito tempo.
- Gnomos são notoriamente conhecidos como grandes pregadores de peças, mas têm certa habilidade para lidar com itens mágicos. – disse Erol - É arriscado, mas parece a melhor chance que temos.
- Muito bem – concordou Aramil com hesitação – preciso preparar minhas magias, mas amanhã iremos até este gnomo. Tempos desesperados pedem medidas desesperadas.

- Enquanto o grande mago descansa – disse Oyama com um sorriso – vamos procurar o tesouro!

sábado, 3 de julho de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 8: Matar ou Morrer (parte 2)


Olá amigos! Trago-vos excepcionalmente nesta noite dois capítulos das Crônicas de Elgalor. Venho reiteirar neste momento, contudo, um fato que talvez não tenha deixado claro: as crônicas de Elgalor não são de minha autoria! Quem as escreve é o alter-ego mortal de Odin, que é o criador principal destas histórias. De minha autoria no cancioneiro, há apenas os diários e relatos que escrevi.

Obrigada, bons amigos e companheiros, e desejo-lhes uma boa leitura de nosso emocionante combate com o dragão Charoxx!
As Crônicas de Elgalor - Capítulo 8: Matar ou Morrer (parte 2) - para ler a primeira parte, basta apenas olhar o post abaixo!

...Com algumas costelas quebradas, Oyama e Hargor se levantaram, e novamente atacaram Charoxx, com ainda mais ferocidade. A lança do clérigo anão atingiu com força o local onde Bulma havia golpeado, e quando o dragão se virou para retaliar o ataque, sentiu a lança do ferido Erol sendo cravada em suas costas. Mais três flechas prateadas zuniram, atingindo o peito, a garganta e uma pata do dragão, sem causar qualquer dano. Oyama saltou e desferiu um poderoso chute onde Erol havia acertado a lança pela primeira vez, e pode notar que agora seu golpe fora sentido pelo dragão.

Mesmo com os músculos sendo dilacerados pela mandíbula de Charoxx, Bulma ainda tentava lutar. Usando seu machado com o braço que ainda estava livre, ela golpeou ferozmente um dos dentes do dragão, causando uma pequena rachadura na afiada presa do dragão.

Sangrando e furioso, Charoxx usou sua cauda para esmagar Erol contra a parede da caverna, tão rápido que o exausto ranger não pode posicionar sua lança para interromper o ataque do dragão. Enquanto rasgava a carne e esmagava os ossos de Bulma com suas presas, o dragão rasgou as costas de Oyama com sua garra direita e golpeou Hargor violentamente com a esquerda, quase decapitando o clérigo. Mais três flechas prateadas zuniram na caverna. A primeira atingindo a cauda de Charoxx, a segunda raspando nas escamas de seu pescoço, e a terceira, raspando levemente no olho direito do dragão.

- Finalmente... – disse Aramil apontando o cajado dourado, pulsando com uma enorme quantidade de energia arcana, na direção de Charoxx.
- “espíritos do ar e da água, unam-se perante meu pedido, e convertam-se na avassaladora força do frio que tudo congela” – recitou o mago élfico, e um imenso cone de energia congelante partiu de seu cajado, explodindo brutalmente no peito de Charoxx. O enorme e orgulhoso dragão recuou com a força do impacto e se contorceu de dor e ódio, mas não soltou a bárbara. Astreya novamente empunhou seu cajado de cura e todos os heróis sentiram um pulso de energia positiva curar um pouco seus terríveis ferimentos.

- Por que... – disse Oyama se levantando com dificuldade... – ele não solta a Bulma?
- Ele vai soltá-la só quando puder lançar outro sopro de fogo – respondeu Hargor se aproximando de Oyama – Vai cuspi-la em você ou em Erol, para evitar que se esquivem, e vai carbonizar todos nós em seguida. Precisamos acabar com isso agora.
- Me cubra – disse Oyama – e torça para que o Erol esteja consciente.
- Muito bem – disse Hargor.
O clérigo se concentrou e fechou os olhos por um instante
- “Moradin, conceda a benção da forja e do trovão à minha lança, e que Tua fúria divina nela se manifeste” – orou o clérigo, e sua lança foi envolvida por uma poderosa energia como se dentro dela estivessem presos mil relâmpagos.
- Por Moradin! – Gritou Hargor se lançando em um ataque furioso contra Charoxx.

O dragão abissal reconhecia o perigo da lança do anão, por isso lançou sua cauda lateralmente na direção do clérigo enquanto sugava o ar da caverna pelas narinas para em seguida lançar mais um feroz sopro de fogo. Charoxx, contudo, não cairia no mesmo ardil duas vezes.
Quando Hargor posicionasse a lança para interceptar o golpe, Charoxx mudaria o sentido do ataque, fazendo com que a cauda esmagasse o anão. Para a surpresa de Charoxx, Aramil e Astreya, Hargor simplesmente jogou a lança no chão, e foi atingido violentamente pela cauda do dragão. Todos ouviram o som dos ossos do clérigo se quebrando, e quando ele caiu inconsciente no chão, não era possível determinar se ele estava vivo ou morto.

Charoxx notou que algo estava errado, mas ante que pudesse conjecturar sobre o ocorrido, viu Oyama com os punhos fechados, dando um grande salto em direção à sua boca.
- Cócegas, não é? – disse o monge em pleno ar, enquanto desferia um soco com toda sua força no dente do dragão que Bulma atingira com o machado.

O impacto do soco foi terrível. Oyama sentiu os ossos de sua mão se quebrando, mas sorriu satisfeito ao ver que o dente se quebrou completamente com o impacto do golpe. Charoxx perdeu o ar e urrou de dor, deixando a bárbara cair.
- Pegue a Bulma, Aramil! – disse Astreya correndo em direção à lança de Hargor.
- Não me dê ordens, meio-humana – disse Aramil conjurando uma magia de telecinésia para descer o corpo de Bulma suavemente até o ponto onde Astreya estaria.

Antes que Oyama chegasse ao chão, o dragão o agarrou com uma das garras e esmagou o corpo do monge com toda sua fúria. Oyama sentiu todas as suas costelas se quebrarem, e quando sentiu sua coluna começar a se partir, a lança de Erol, em um arremesso perfeito, se enterrou na pata de Charoxx, obrigando o dragão a soltar o corpo do monge, que perdera a consciência naquele instante.
- Não me ignore, lagarto imbecil! – provocou Erol, que apesar de muito ferido, sacou suas espadas. O ranger sabia que seria morto agora, mas precisava ganhar um pouco de tempo para que Aramil e Astreya agissem. Charoxx avançou sobre Erol para triturar o elfo com sua mordida, quando um pequeno portal apareceu atrás do ranger, transportando-o magicamente para onde estava Aramil.

- “Espíritos da luz e da vida, curem os ferimentos de minha amiga” - disse Astreya tocando o corpo de Bulma e conjurando a magia de cura mais poderosa que conseguia.
- Precisamos de você, Bulma – disse Astreya quando a bárbara abriu os olhos.
Por instinto, Bulma levou a mão à lança de Hargor, e mesmo muito ferida, levantou, rosnou e correu na direção de Charoxx. O dragão, por sua vez, sugou o ar da caverna mais uma vez e se preparou para lançar seu último sopro, que transformaria em cinzas todos que ainda estavam de pé.

Erol, que observara atentamente tudo o que havia ocorrido até ali, guardou suas espadas e sacou seu arco longo. Aramil se concentrou novamente. O arco élfico de Erol se retesou, e uma flecha rasgou o ar, atingindo em cheio o olho direito de Charoxx. Aramil lançou mais uma poderosa rajada de energia congelante, desta vez, mirando na cabeça do dragão, para tentar anular o sopro.

Astreya cantou e o espírito de Bulma explodiu em fúria e determinação. No instante em que a rajada de Aramil atingira a cabeça de Charoxx, a bárbara cravou a lança de Hargor no abdômen ferido do dragão, no mesmo instante em que ele usara as garras de suas duas patas dianteiras para perfurar o corpo de Bulma. A lança, carregada com o poder de Moradin, explodiu dentro do dragão, derrubando e um grande clarão cegou todos na caverna.

Quando puderam enxergar de novo, Astreya, Aramil e Erol viram a carcaça sem vida de Charoxx, em meio aos corpos destruídos de seus valorosos amigos.

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 7: Matar ou Morrer (parte 1)


Ólá amigos! Trago-vos excepcionalmente nesta noite dois capítulos das Crônicas de Elgalor. Venho reiteirar neste momento, contudo, um fato que talvez não tenha deixado claro: as crônicas de Elgalor não são de minha autoria! Quem as escreve é o alter-ego mortal de Odin, que é o criador principal destas histórias. De minha autoria no cancioneiro, há apenas os diários e relatos que escrevi.


Obrigada, bons amigos e companheiros, e desejo-lhes uma boa leitura de nosso emocionante combate com o dragão Charoxx!


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 7: Matar ou Morrer (parte 1)

Charoxx puxou novamente o ar e liberou seu terrível sopro de fogo sobre todos os aventureiros. Mesmo Aramil e Astreya, que estavam um pouco mais afastados, foram atingidos. A proteção mágica conjurada por Aramil resistira bem a este primeiro ataque, mas o mago sabia que o que restara de sua magia era suficiente para proteger a todos apenas do calor insuportável da imensa caverna. Mais um sopro, e estariam todos mortos.

Oyama, Hargor, Erol e Bulma avançaram ainda mais, prontos para atacar. Contudo, no momento em que o sopro de fogo cessou, Aramil gritou:
- O olho do dragão!
Hargor sentira uma forte emanação de magia ao redor do dragão, mas não pudera identificar sua origem. Agora, estava claro. Dolorosamente claro.
O olho direito de Charoxx brilhou, e uma corrente de relâmpagos rompeu na direção dos aventureiros. O raio central atingiu Bulma impiedosamente, quase derrubando a poderosa bárbara, e outros cinco raios menores rumaram ferozmente em direção aos outros heróis.

Com grande agilidade, Oyama e Erol esquivaram-se dos raios, e avançaram em direções opostas, tentando flanquear o dragão. Astreya conseguiu se desviar um pouco, o suficiente para reduzir o impacto total do raio. Já Hargor e Aramil, foram atingidos em cheio. Apesar da dor, o clérigo anão conseguiu se recobrar rápido devido à resistência física de seu povo e avançou. Aramil foi arremessado cerca de dez metros para trás por causa do impacto, e por pouco não perdeu a consciência.

- VOU ARRANCAR SUAS ENTRANHAS POR ISSO! - gritou Bulma se levantando em um frenesi completamente ensandecido. Tamanha era sua fúria, que ela esqueceu de pegar a lança matadora de dragões no chão e avançou com seu machado.
Erol golpeou Charoxx com a lança, que emitiu um brilho dourado quando atingiu as espessas escamas do dragão. Charoxx uivou de dor, não tanto pelo ferimento, mas sim por causa da poderosa magia contida nas lanças. Do outro lado, Oyama golpeou com toda sua força, mas seus punhos não foram capazes de romper as escamas do dragão abissal. Neste momento, Hargor e Bulma se aproximaram para entrar na batalha.

Ajudando Aramil a se levantar, Astreya ergueu seu cajado de cura e entoou um pequeno encantamento:
- Que as forças divinas da vida e da luz curem nossos ferimentos.
O cajado branco brilhou e todos foram envolvidos por uma aura branca. Neste instante, todos sentiram a dor diminuindo e seus ferimentos serem levemente curados

- Isso não vai funcionar – disse Aramil tenso, pegando seu cajado dourado.
- O que você está falando, Aramil? – perguntou Astreya aborrecida com o pessimismo do mago.
- O olho direito de Charoxx – respondeu o mago ainda sentindo os efeitos do relâmpago que o atingira – ele está drenando nossa proteção Elemental, e ao mesmo tempo protegendo o dragão contra quaisquer magias que nós lancemos. Posso superar a resistência natural que Charoxx tem contra magias, mas não a resistência que o olho lhe confere. Se não o anularmos, não teremos chance alguma.

Hargor se posicionou ao lado de Oyama, e Bulma golpeou ferozmente o abdômen do dragão com seu machado, fazendo um corte profundo nas resistentes escamas de Charoxx, apesar do dragão não esboçar nenhuma feição de dor. Oyama desferiu mais uma série de socos que poderiam pulverizar rochas, mas que não tiveram efeito algum contra a couraça de Charoxx.
- Você está fazendo cócegas, monge maldito – zombou Charoxx chicoteando Oyama com sua poderosa cauda, enquanto avançava com suas garras sobre Erol, estranhamente ignorando Bulma.
Estando próximo de Oyama, o clérigo anão usou sua lança na cauda de Charoxx. O dragão mais uma vez uivou de dor, mas ainda assim foi capaz de derrubar tanto o monge quanto o anão com a força de seu golpe. Como navalhas, suas garras atingiram Erol, que mesmo se protegendo com a lança, teve o peito quase rasgado pelas garras de Charoxx e tombou com a força do impacto. Bulma avançou novamente, e o dragão abissal sorriu.

Quando a bárbara estava perto o bastante, Charoxx virou a cabeça velozmente e cravou suas presas no corpo da bárbara, que agora urrava de fúria e dor. Veterano de muitas batalhas, o dragão sabia que se tentasse morder Hargor ou Erol, eles usariam as lanças para frustrar o ataque, e ainda golpeariam o interior de sua boca com as armas de haste. Feito extremamente difícil de se conseguir quando está se empunhando um machado ou espada. Charoxx levantou sua cabeça e pressionou novamente o corpo de Bulma entre suas presas afiadas.

- Pelo menos estamos livres de mais um sopro por enquanto – disse Aramil enquanto concentrava energia em seu cajado.
- Vou fingir que não ouvi isso! – respondeu Astreya furiosa pegando seu arco de prata.
- Acerte uma flecha no olho direito – disse o mago ignorando a fúria de sua companheira – mesmo que pegue apenas de raspão já será o suficiente.
“Mesmo de raspão”, resmungou Astreya para si mesma enquanto retesava seu arco mágico. Erol poderia fazer um disparo como este, mas ela...
- Não é hora para ter dúvidas – disse Astreya enquanto mirava – como Oyama disse, agora é matar ou morrer. Nisso, a barda disparou, e uma flecha prateada composta de pura energia rasgou o ar.

E atingiu em cheio o peito de Charoxx, deixando um pequeno chamuscado nas escamas do dragão.
- Vocês meio-humanos não conseguem fazer nada direito, não é? – disse o mago elfo.
- Aramil... – respondeu Astreya rangendo os dentes e preparando mais uma flecha.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 6: O Olho de Charoxx


Bravos aventureiros, é com certo atraso - como sabeis, os salões de Odin estão em Guerra - que trago-vos, sob a benção de Odin, o sexto capítulo das crônicas de Elgalor, quando o combate com o temível dragão Charoxx torna-se iminente...


Que os ventos de um destino abençoado estejam sempre convosco, bons companheiros...


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 6: O Olho de Charoxx

Tudo aconteceu muito rápido.

Quando a magia de Charoxx, o Destruidor de Mundos, atingiu o grupo de heróis como uma onda de choque, anulando suas proteções mágicas, todos ficaram momentaneamente imobilizados, pela surpresa. Como aventureiros experientes, já estavam prontos para a possibilidade de perecerem enfrentando o dragão, mas naquele momento, sentiram que seria possível tombar antes de sequer chegar perto de seu inimigo.

- Estais com frio, bravos aventureiros? – debochou Charoxx maliciosamente com sua poderosa voz, que ecoava por todo o grande corredor – Ou será medo? Seja como for, tenho algo para esquentar vossos corpos e corações.

Charoxx respirou fundo. Quando soltou o ar, um gigantesco jato de fogo preencheu completamente o corredor, indo velozmente na direção dos heróis.
- Aramil! – gritou Astreya.
- Eu sei, meio-humana! – gritou o mago elfo estendendo seu cajado dourado a frente com a mão direita enquanto fazia gestos sutis com a mão esquerda.
O cajado de Aramil brilhou e uma redoma de energia se formou em volta dos heróis, pouco antes do sopro de fogo de Charoxx atingi-los.
- Quanto tempo sua barreira agüenta, Aramil? – perguntou Oyama.
- Até que o dragão use um raio de desintegração para destruí-la – respondeu Aramil sem a habitual arrogância, pois precisava se concentrar muito para manter a redoma, que era impiedosamente atingida pelo feroz sopro de fogo de Charoxx.
- Temos que ser rápidos – disse Hargor erguendo seu martelo e começando novamente uma oração:
- “Grande Pai e forjador de almas, invoco tua nobre benção para esta batalha. Que uma vez mais nossos espíritos e corpos recebam o vigor das montanhas, e que nossas armas golpeiem como o aço sagrado de tuas Forjas”.

Novamente uma aura prateada envolveu os heróis, que se sentiram mais fortes e vigorosos. Astreya fechou os olhos e se concentrou por um momento. Quando a barda abriu os olhos, estendeu sua mão e começou a conjurar uma magia.
- “Nobres espíritos do plano astral, permitam nossa passagem e nos levem diretamente até nosso destino”
Quando a barda proferiu a última palavra, um pequeno portal apareceu diante de todos, dentro da redoma mágica de Aramil. Neste exato instante, o sopro do dragão inesperadamente cessou.
- Ele vai desintegrar a muralha! – Gritou Aramil
- Passem pelo portal, rápido! – gritou Astreya
- Seu portal vai nos levar para fora, não é? – perguntou Aramil já sabendo a resposta que obteria.
- Não, para dentro – respondeu Astreya um tanto insegura, pois poderia estar levando todos para a morte – temos uma missão a cumprir.
- Sua louca, como você...
Antes que Aramil pudesse concluir seu protesto, Oyama o agarrou e saltou com o mago em direção ao portal.
- Vamos, elfo – disse Oyama nervoso, mas se divertindo com a expressão no rosto de Aramil – ele iria nos achar lá fora mesmo. Agora é matar ou morrer!
- Depressa! – gritou Erol entrando no portal, seguido de Bulma, Hargor e Astreya.

Após atravessarem o portal, todos se viram dentro de uma imensa caverna no interior da montanha, cujo tamanho comportaria seguramente um forte de médio porte. As paredes eram negras, iluminadas por centenas de filetes de lava incandescente. A cerca de vinte metros, deitado e de costas para eles, estava Charoxx, o Dragão Abissal.

Mais uma vez, todos ficaram momentaneamente imóveis. Mesmo estando deitado, já sabiam que aquele era o maior dragão que já encontraram. Suas escamas pareciam tão espessas quanto uma parede de mitral, e eram de cor vermelha levemente enegrecida. Em alguns pontos, elas apresentavam terríveis cicatrizes, comprovando que aquele dragão provavelmente já sobrevivera a muitas batalhas.
- Trouxestes meus presentes, jovens crianças? – perguntou o dragão sem se mover, com uma voz doce e suave, quase como se fosse um amigo de longa data.

Astreya pegou sua harpa e começou a tocá-la de maneira suave. A barda sabia que a voz de um dragão pode enfeitiçar mesmo os mais fortes espíritos, mas sua música poderia anular este efeito, ao menos por algum tempo. Neste momento, todos permaneceram em silêncio, prontos para atacar, mas tensos, esperando alguma armadilha por parte de Charoxx. Se divertindo com a apreensão dos heróis, o grande dragão virou seu pescoço lentamente e pela primeira vez todos puderam ver sua face.

O rosto de Charoxx possuía uma imensa cicatriz próxima ao olho direto, que brilhava como um rubi. Seu outro olho era incandescente como o magma. Suas presas, enormes e disfarçadas em um leve sorriso, poderiam facilmente dilacerar a mais resistente armadura dos anões.
- Bela melodia, barda. Tu cantarás em minha honra por muitas noites – disse o dragão apenas observando os aventureiros – Cheguem mais perto, crianças e deixem no chão meus presentes.

Aramil, mais do que os outros, fitou com atenção o olho esquerdo de Charoxx. Após alguns instantes, o orgulhoso mago sentiu que precisava reunir toda sua força de vontade para não fugir em completo pânico, pois compreendera o que aquele olho representava. Astreya mudou sutilmente o tom da melodia que entoava com sua harpa, e todos os aventureiros sentiram um pulso de coragem e sede de batalha inundarem seus corações.
- Venha pegar seus presentes! – gritou Oyama correndo em direção ao dragão.
- Morte!! – urrou Bulma entrando em seu estado de frenesi guerreiro, correndo ferozmente na direção de Charoxx enquanto seus músculos se expandiam conferindo à bárbara força e vigor quase sobrenaturais.
- Nobres espíritos elementais da água, ouçam meu chamado, e envolvam todos aqui presentes em vosso manto protetor – Disse Aramil se concentrando para conjurar sobre seus aliados a proteção Elemental contra o sopro de fogo do dragão. O mago pretendia conjurar uma proteção Elemental diferente, mas como a anterior fora dissipada por Charoxx, o elfo não tinha escolha.
Hargor e Erol avançaram com as lanças, enquanto Astreya permaneceu para trás, junto à Aramil para oferecer suporte mágico ao grupo.

“Irmãos de armas, companheiros de jornada, que por nossas espadas e lanças
este nefasto dragão sinta o poder de nossa coragem e justiça. Que nossas lanças rasguem e perfurem, e que diante do perigo, nossos corações jamais recuem” – cantou a barda, fortalecendo ainda mais o espírito de luta dos bravos guerreiros.

Subitamente, rápido como um raio, Charoxx se levantou e abriu suas gigantescas asas. Seu corpo inteiro era coberto por terríveis cicatrizes. Ele gargalhou e depois rugiu. Tamanha era a presença e o poder do Dragão abissal, que os heróis sentiram seus corações pararem. Sentiram-se como ratos diante de um tigre feroz.
- Agora, mortais, sabereis por que sou chamado de Destruidor de Mundos – bradou Charoxx em um tom sinistro e imponente.

Contudo, movidos por sua própria coragem de ferro e pela canção de batalha de Astreya, todos continuaram avançando ferozmente. Como Oyama havia dito, agora era matar ou morrer.

sábado, 19 de junho de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 5: Terror


Caros amigos e visitantes! Trago-vos no dia de hoje, sob a benção de Odin, o quinto capítulo das crônicas de Elgalor, no qual temos nosso primeiro contato com o dragão Charoxx...


A todos, desejo uma boa leitura, e que os ventos da boa sorte sempre vos acompanhem...


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 5: Terror

Conduzidos por Hargor e Oyama, o grupo seguiu por trilhas ocultas nas montanhas, caminhos secretos dos anões que levariam todos ao covil de Charoxx, um dragão vermelho abissal com sete séculos de vida. Derrotando o dragão, os aventureiros conseguiriam uma chave, que os permitiria entrar na Torre do Desespero.

Como era de se esperar, ninguém estava com ânimo para conversas; eles haviam acabado de velar um batalhão inteiro de anões e estavam indo rumo a uma batalha que, mesmo se vencida, dificilmente seria ganha sem nenhuma baixa. Assim, o grupo caminhou em silêncio quase absoluto por cerca de meia hora. Quando a trilha parecia terminar em um enorme rochedo, a cerca de cem metros deles, Hargor fez sinal para todos pararem:
- Aqui é a entrada – disse o clérigo – é hora de nos prepararmos.
- Muito bem – respondeu Oyama – vamos acabar logo com isso. Não temos a noite inteira.
- Apenas um tolo corre em direção à própria morte – disse Aramil observando o rochedo, como se estivesse pensando alto.
- E apenas um covarde foge dela – retrucou Oyama aborrecido.
- Basta! – gritou Hargor.
- Estamos todos nervosos – disse Astreya em tom conciliador – vamos nos acalmar e prosseguir com os preparativos.
- Sábias palavras – respondeu Erol subindo agilmente em uma pequena colina para observar melhor a área – Supondo que o combate vá muito bem para o nosso lado, existem passagens alternativas por onde Charoxx possa escapar?
- Não, apenas aquele rochedo – respondeu Hargor em tom sombrio – para sair, ele teria que matar a todos nós primeiro.
- Ótimo! – disse Bulma repleta de confiança – isso significa que ele não vai fugir.
- Aquele rochedo não é real, não é Hargor? – perguntou Aramil olhando para o clérigo.
- Olhos perspicazes, elfo – respondeu o anão – há uma magia ocultando a entrada, mas como este é nosso território, nós anões podemos ver através dela.
- Existem pelo menos dez runas protegendo o lugar... – disse Aramil.
- Você pode desativá-las? – perguntou Astreya ao mago.
- É claro - respondeu Aramil com a arrogância de sempre – só preciso de alguns instantes. Mas antes...

Subitamente, o mago começou a se concentrar e fazer gestos rápidos e precisos com as mãos:
- Nobres espíritos elementais da água, ouçam meu chamado, e envolvam todos aqui presentes em vosso manto protetor.
Neste momento, todos sentiram como se uma tênue aura azulada envolvesse seus corpos.
- Isso nos protegerá contra o sopro de fogo do dragão, pelo menos no início – disse Aramil se voltando novamente para o rochedo.
- Ótimo – disse Hargor batendo sua arma no chão. Conforme o clérigo começou a orar, runas azuis brilharam em seu martelo de guerra, e uma aura prateada envolveu a todos.
- “Moradin, grande pai dos anões, invoco agora tua nobre benção para esta batalha. Que nossos espíritos e corpos recebam o vigor das montanhas, e que nossas armas golpeiem como o aço sagrado de tuas Forjas”

Enquanto a magia de Aramil protegera o grupo contra magias e sopros de fogo, a benção de Hargor tornara seus corpos e espíritos mais resistentes, além de consagrar as lanças matadoras de dragão com uma poderosa energia divina.

- Eu me encarrego de curar nossos ferimentos e renovar as proteções mágicas – disse Astreya tirando de sua pequena bolsa arcana um cajado branco e alguns pergaminhos.
- Certo – concordou Hargor tirando de dentro de sua armadura de batalha um pequeno amuleto em forma de martelo – Bulma, coloque isso em seu pescoço.
- Para quê? – respondeu Bulma olhando curiosa para o amuleto.
- Vai proteger você contra controle mental caso o dragão enfraqueça a proteção que Moradin nos deu – respondeu o clérigo.
- Guarde com você – disse Bulma devolvendo o amuleto – ainda não houve ser neste mundo capaz de dobrar minha força de vontade.
- Se este for o primeiro – disse Oyama com um olhar sério para a bárbara – ele vai jogar você contra o resto de nós...
- Não podemos correr este risco, Bulma – continuou Erol percebendo a relutância da bárbara – Se não colocar o amuleto, você não entrará conosco.

- Muito bem – respondeu Bulma após alguns tensos instantes, colocando o amuleto de Hargor - mas só porque isso foi abençoado pelos deuses da guerra. E outra coisa, elfo...
- O que foi? – respondeu Erol.
- Eu vou onde quero, e da próxima vez que você tentar me ameaçar, é bom estar com as espadas em punho – disse Bulma olhando fria e severamente para o ranger.
- Vou me lembrar disso – disse Erol se virando e caminhando na direção de Aramil.

Antes que Erol chegasse, Aramil estendeu as duas mãos na direção do grande rochedo e um vento forte partiu de seus dedos, e todos ouviram um grande estalo.
- Pronto... – disse Aramil exausto, secando gotas de suor de sua testa – todas as runas foram removidas.
- Chegou a hora! – gritou Oyama batendo uma mão contra a outra.

O grupo avançou em direção ao imponente rochedo. Hargor entrou primeiro e os demais, mesmo vendo uma intransponível barreira natural, fecharam os olhos e seguiram em frente. Ao passar pela entrada, todos se viram em um gigantesco corredor de rocha vulcânica, com filetes de lava correndo pelo chão e pelas paredes. O calor incomodava, mas não feria, graças à proteção conjurada por Aramil.

Conforme andavam, todos sentiam como se seus espíritos estivessem sendo esmagados por uma presença invisível, absurdamente antiga e poderosa. Astreya instintivamente pegou sua harpa e começou a entoar uma canção para encorajar seus companheiros, quando todos ouviram uma voz grave e maliciosa ecoando por todo o imenso corredor:

- Sejam bem vindos, nobres “heróis”. Tenho certeza que me trouxeram doces oferendas para compensar os servos orcs que vós e aqueles malditos anões matastes. Ficarei com vossa barda e estas ignóbeis lanças, além do resto de vossos pertences mágicos. Venham a mim, bravas almas, pois Charoxx, o Destruidor de Mundos, também vos dará um belo presente...

No instante seguinte, um pulso de energia percorreu ferozmente o amplo corredor, anulando todas as proteções mágicas dos nobres salvadores de Elgalor...

terça-feira, 8 de junho de 2010

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 4: Charoxx, o Dragão Abissal


Bravos aventureiros e caros visitantes, esta noite vos trago novamente sob a benção de Odin, o quarto capítulo das Crônicas de Elgalor, que traz o prenúncio de nosso combate ferrenho com Charoxx, o dragão abissal...


Que a boa sorte e a luz estejam convosco, companheiros....


Astreya Anathar


As Crônicas de Elgalor – Capítulo 4: Charoxx, o Dragão Abissal


Um silêncio quase mortal se fez nas montanhas próximas ao grande reino de Darakar após o combate; Hargor e Oyama recolhiam todas as cabeças de guerreiros anões dos cintos dos orcs negros abatidos, enquanto Astreya usava suas magias de cura para terminar o serviço que a magia divina de Hargor começara pouco antes do término do combate. Aramil permanecia calado, com um semblante extremamente preocupado, Bulma se distanciara um pouco para procurar orcs fugitivos e Erol estudava silenciosamente o corpo de um dos orcs tombados.
- São mesmo orcs com sangue de demônios – disse Erol após alguns minutos de observação – e eles chegaram aqui viajando entre as sombras. Por isso não deixaram rastros.
- Isso explica como os malditos conseguiram emboscar e destruir um batalhão de dezenas de guerreiros treinados que patrulhavam este local – respondeu Hargor soturno, juntando todas as cabeças recolhidas dentro de um círculo feito com pó de prata, que o clérigo havia acabado de terminar.
- O que eu sei – disse Oyama esmagando uma pequena rocha com a mão – é que todos os desgraçados que fizeram isso vão pagar com sangue. Com muito sangue!

Astreya começou a cantar um réquiem bastante apreciado pelos anões durante as cerimônias fúnebres de seus amados guerreiros, e neste momento, todos pararam o que faziam e baixaram suas cabeças em respeito:

“Vão, bravos irmãos, pois Moradin abriu à vós as portas de seu Salão.
Vão, nobres filhos da guerra, pois a Forja do Pai de Todos os aguarda.
Vossos feitos serão sempre lembrados, vossa dignidade, jamais maculada.
Vão, grandes guerreiros, e que vossos espíritos estejam sempre conosco no campo de batalha, preenchendo nossos corações com toda vossa honra e coragem.”

- Que assim seja – disse Hargor erguendo seu martelo em direção ao céu – Podem descansar em paz, irmãos, pois vós fostes vingados, e estes chacais do abismo jamais tocarão vossas mulheres e crianças.

Hargor bateu violentamente seu martelo no chão e um enorme trovão rompeu dos céus, caindo sobre o círculo de pó de prata, instantaneamente cremando todas as cabeças ali contidas.

- Estão todos mortos mesmo – disse Bulma retornando, falando baixo em respeito ao guerreiros tombados – não há nenhum rastro de sangue, e isto eles não poderiam esconder.
- Não, não poderiam – respondeu Erol.
- Obrigado a todos – disse Hargor se levantando e pegando de seu cinto uma bolsa cinza de couro – agora, vamos tratar daquilo que viemos fazer aqui.
- Uma bolsa arcana – disse Aramil imediatamente reconhecendo as propriedades mágicas da pequena bolsa de Hargor.
- Sim, presente do rei Coran – respondeu o anão abrindo a bolsa e retirando dela três lanças machado de metal claro como prata, perfeitamente trabalhadas e com várias runas anãs nas lâminas.
- Estas são as famosas Dragonslayers de Darakar? – perguntou Erol com interesse.
- Sim – disse Oyama – Uma para você, outra para Bulma e a última para Hargor.
- E você vai tentar enfrentar o dragão só com os punhos, presumo? – disse Aramil balançando a cabeça fingindo tentar segurar o riso.
- Presumiu certo, grande mago – respondeu Oyama em tom de deboche – Algum problema com isso?
- Nenhum, nobre monge, contanto que não fique para mim a tarefa de tirar os seus restos da boca do dragão – respondeu Aramil com um riso cínico.
- O que vocês sabem sobre o dragão, Hargor? – perguntou Erol ao anão.
- Apenas seu nome e onde ele fez seu covil – respondeu o clérigo.
- E como ele se chama? – perguntou Aramil.
- Charoxx – respondeu Oyama.
- O nome dele não faz diferença! – gritou Bulma, impaciente com toda aquela discussão, que, a seu ver, não passava de mera perda de tempo.
- Faz sim – respondeu Astreya como se estive buscando no fundo de sua alma informações sobre aquele nome – Acho... acho que ouvi histórias sobre ele...
- O que você sabe? – interrompeu Oyama.
- Ele é um dragão vermelho demoníaco com quase 700 anos de vida, que havia deixado nosso mundo após uma grande guerra entre os dragões metálicos e os dragões cromáticos, cerca de 300 anos atrás – respondeu Astreya sem esconder o desânimo – ele é um conjurador ainda mais poderoso do que Aramil, e é muito resistente a magias.
- Fraquezas? – perguntou Erol.
- Armas sagradas – respondeu Astreya – e magias de gelo que sejam capazes de sobrepujar sua resistência a efeitos mágicos.
- Me encarrego da segunda parte – respondeu Aramil olhando para o céu, com confiança absoluta.
- E eu da primeira – disse Hargor – Com a ajuda das lanças, vamos mandar este desgraçado de volta para o abismo.
- Você já tem tais magias preparadas, Aramil? – perguntou Astreya.
- É óbvio – respondeu Aramil em um tom distante, retirando seu belo grimório de capa dourada de um bolso mágico em seu manto – Só preciso de alguns minutos.

Então ande logo, mago – disse Bulma em um tom sombrio – porque eu estou ficando com fome e sede, e quero logo me saciar com um bom pedaço de carne de dragão e uma caneca cheia do sangue do maldito.

Oyama soltou uma forte gargalhada, enquanto Aramil virou o rosto, enojado.
- Vocês não elfos são realmente muito primitivos... – disse o mago para si mesmo, antes de se concentrar totalmente em seus estudos...

sábado, 29 de maio de 2010

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 3: Irmãos de Armas


Companheiros e prezados visitantes, com grande honra trago-vos hoje, sob a benção de Odin, o terceiro capítulo das Crônicas de Elgalor, que trata de nosso combate contra as criaturas da noite próximo ao reino de Darakar.

Que os ventos da boa sorte vos acompanhem sempre...

Astreya Anathar

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 3: Irmãos de Armas

Poucos instantes após se encontrarem nas montanhas próximas ao reino anão de Darakar, os heróis são surpreendidos por dezenas de orcs de pele negra e grandes como ogros, portando imensos machados duplos de lâmina avermelhada. Em seus cintos, presas com pregos enferrujados, jaziam várias cabeças de anões...

- Formação de batalha! – gritou Hargor, sentindo seu sangue ferver em fúria, pois reconhecera a cabeça de diversos amigos “adornando” os cinturões dos orcs.

Movidos pelo grito do clérigo anão e por seus próprios instintos, o grupo instantaneamente formou um perímetro defensivo, com Hargor, Bulma, Oyama e Erol defendendo cada ponta, e com Astreya e Aramil no centro. A ação do grupo foi tão rápida e precisa que até eles se surpreenderam; em um instante, estavam discutindo futilidades, e no outro, se posicionavam como veteranos que vivenciaram inúmeras batalhas.

- São orcs demoníacos – gritou Erol enquanto rasgava a garganta de um orc tolo que tentara surpreender o ranger pelo flanco esquerdo – o sangue deles queima como ácido.
- Então, acho que vou me queimar um pouco – respondeu Bulma ao entrar em um estado de frenesi sanguinário e arrancar a cabeça de outro orc com seu gigantesco machado.
Astreya respirou fundo, e começou a entoar um cântico de batalha:
“Bravos heróis, elevem vossos espíritos e despertem em vossos corações a fúria justa do guerreiro. Lutemos lado a lado, como verdadeiros irmãos de armas, e que hoje esta corja assassina sinta a cólera de nossa justiça...”

Quando a barda terminou este refrão, todos foram envolvidos por um inabalável espírito de luta, e seus corações agora eram preenchidos por nada além de bravura e inflexível confiança. Sentiam-se envolvidos por uma energia extremamente poderosa, que ampliava visivelmente a força e a velocidade de cada um. Até mesmo Aramil sentia vontade de pegar uma espada e atravessar o peito de um orc quando ouvia as canções de Astreya, mas obviamente, o mago controlava muito bem este impulso.
- Sintam a fúria de Moradin, chacais do inferno! – disse Hargor movido tanto pela canção de Astreya quanto pelo próprio ódio enquanto seu martelo esmagava com violência as cabeças dos orcs que encontrava em seu caminho e seu escudo bloqueava ferozmente cada machadada que vinha em sua direção.

Aramil, por sua vez se abaixou e tocou o chão, sussurrando algumas palavras em élfico:
- “Nobres espíritos da terra, atendam meu chamado”

- Vocês vão pagar, malditos! – gritou Oyama em meio a uma rajada de socos, chutes e cabeçadas que criava uma pequena pilha de corpos a seu redor.
Erol continuava sua carnificina silenciosa, cortando e estocando com suas espadas élficas com uma precisão assustadoramente mortal, e Bulma gargalhava e rosnava enquanto arrancava braços, pernas e cabeças cada vez que brandia seu machado.

Os orcs sangravam, tinham seus ossos esmagados e seus membros arrancados, mas continuavam avançando, e mesmo seu sangue fétido deixava pequenas queimaduras onde tocava. A cada orc tombado, parecia surgir mais dois, que atacavam com cada vez mais ódio e violência. Todos os combatentes sentiram várias vezes o poderoso fio dos machados orcs, e mesmo sem sentir dor ou cansaço devido à música de Astreya, o sangue dos heróis começou a tingir o campo de batalha, e o “perímetro protetor” começava a ceder enquanto os heróis lutavam bravamente.

- Bulma, Oyama! – gritou Hargor – vocês estão avançando demais! Voltem às suas posições!
Bulma ouviu o anão, e, apesar da vontade de ignorá-lo completamente, ela era uma guerreira experiente, e sabia que se não trabalhassem em equipe, todos morreriam ali. Oyama, que vivera cinco anos entre os anões, se deu conta de que se aqueles orcs quebrassem o perímetro e os atacassem por todas as direções, eles estariam condenados. Ambos contiveram sua fúria e fecharam novamente o perímetro protetor, mas estavam bastante aborrecidos com isto.
- Aramil! – gritou Oyama enquanto seu cotovelo explodia contra o queixo de um orc – Será que você pode fazer alguma coisa para ajudar, elfo imprestável?!
- Cale-se e cumpra seu papel de escudo de carne, Oyama – disse Aramil se levantando como se ignorasse completamente as palavras do monge.
Neste mesmo instante, surgiram atrás dos orcs seis criaturas grandes e robustas, totalmente feitas de pedra; eram elementais da terra. Imediatamente, elas começaram a golpear e a derrubar impiedosamente os orcs com seus poderosos punhos. Aramil apontou seu cajado na direção de Oyama e gritou em um tom extremamente sínico:
- Pense rápido, humano.

Neste instante, um relâmpago partiu velozmente do cajado do mago na direção do monge. Oyama, cujos reflexos são extremamente aguçados, conseguiu se esquivar do raio no último instante enquanto proferia uma série considerável de palavrões. O relâmpago atingiu o peito de um orc, carbonizando a criatura instantaneamente, e depois se dividiu em diversas direções, atingindo vários orcs.
- Aramil! – gritou Astreya em reprovação, parando de cantar. Como sabia que os efeitos de sua música agora perdurariam por mais tempo, a barda se concentrou, estendeu sua mão na direção dos orcs que lutavam contra Hargor e disse:
- Suas mentes agora são minhas, e eu sou sua única salvação. Vocês serão mortos pelos seus antigos aliados, a menos que os destruam primeiro.
Três dos orcs que atacavam Hargor começaram imediatamente a se voltar contra os outros orcs. Se vendo livre por alguns instantes, Hargor bateu seu martelo no chão.
- Bom trabalho, Astreya – disse o clérigo enquanto seu martelo emitia uma forte luz azulada - Moradin, ó Grande Pai e protetor de nosso povo, conceda-nos tua benção e cure os ferimentos de meus bravos camaradas.

Todos sentiram uma aura protetora os envolvendo e curando suas feridas. Revigorados, os heróis lutaram com ainda mais vigor, e após alguns minutos, o chão da montanha estava coberto por sangue negro e dezenas de corpos de orcs, muitos deles desmembrados pelo machado de Bulma.
Em meio aquela carnificina, estavam os exaustos e vitoriosos heróis de Elgalor. Nenhum grito de vitória havia sido desferido, pois todos sabiam que, até o fim daquela noite, ainda havia um poderoso dragão que precisava ser abatido...

domingo, 23 de maio de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 2: Os heróis se reúnem


Estimados visitantes e aventureiros, é com prazer que lhes trago, neste dia, o segundo capítulo das Crônicas de Elgalor, sob a benção de Odin, que trata do momento do reecontro entre os heróis de Elgalor...


Que os ventos da boa sorte possam vos acompanhar nessa longa jornada que todos estamos trilhando...


Astreya Anathar


As Crônicas de Elgalor – Capítulo 2: Os Heróis se reúnem

Os preparativos logo foram terminados; através de magia, uma mensagem foi enviada ao reino de Sindhar requisitando a presença urgente de Aramil e Erol para uma nova missão, e outra foi enviada ao reino de Darakar, requisitando o mesmo de Hargor e Oyama. Em menos de uma hora, o Senhor dos Ventos trouxe a bárbara Bulma aos Salões de Sírhion, de onde ela e a barda Astreya seriam teletransportadas para as montanhas próximas aos Portões dos Antigos, a entrada do reino de Darakar.

A primeira chave que os heróis deveriam encontrar estava no covil de um antigo dragão vermelho, que conseguira facilmente se instalar tão próximo ao mais poderoso reino dos anões devido às trevas que envolveram o mundo desde a abertura do Tomo dos Cânticos Profanos. Como as proteções mágicas de Darakar barravam qualquer magia de teletransporte para dentro do reino, foi combinado que todos, incluindo o anão Hargor e o monge Oyama, se encontrariam próximo aos Portões dos Antigos.

O rei Coran, já com sua armadura de batalha, se dirigiria junto ao Senhor dos Ventos para o reino de Sindhar. Quando viu Astreya novamente trajando sua cota de malha púrpura e carregando seu arco de prata e seu sabre élfico, ele simplesmente balançou negativamente a cabeça.
- Que Corellon vos acompanhe – disse o rei ao olhar uma última vez para Astreya antes de ambos partirem.
- A todos nós, meu bom rei – respondeu ela fazendo uma reverência, sentindo um enorme peso em seu coração.
- Vamos logo com isso – grunhiu Bulma cruzando os braços mal-humorada, por ter que ser teletransportada novamente.

No instante seguinte, os magos de Sírhion iniciaram os rituais e todos haviam sido magicamente levados a seus destinos. Sem palavras, Thamior rogou para que visse todos em segurança novamente.

A noite já havia chegado, e nas escuras montanhas ao norte de Elgalor, Astreya e Bulma surgiram.
- Isso foi o mais próximo que a magia pode nos trazer... – disse Astreya observando os arredores.
- Não estou vendo portões em parte alguma! – disse Bulma empunhando seu machado, o Terror do Campo de Batalha – será que esta magia funcionou direito?
- Acho que sim – respondeu Astreya com um sorriso – Além do mais, os Portões dos Antigos só podem ser encontrados por aqueles que possuem sangue anão. Temos que esperar pelos outros.
- O velho amigo de vocês disse que uma grande guerra eclodiria, e parece que ele tinha razão – disse Bulma olhando para o céu completamente escuro – sinto cheiro de sangue no ar...
- Gostaria que isso pudesse ser evitado... – disse Astreya olhando para baixo com uma expressão bastante triste - a vida estava sendo realmente boa nos últimos cinco anos.
- Você deveria falar com ele - disse Bulma ainda olhando para o céu – deveria falar com o rei élfico. Vocês estão perdendo um tempo que talvez não possa ser recuperado mais tarde.
- Bulma! – gritou Astreya sem querer, tomada pela surpresa e pela vergonha.
Neste instante, elas ouviram passos. Bem próximos.
- Por Corellon, como vocês mulheres tagarelam!
Imediatamente elas se viraram para trás, mas ambas já haviam reconhecido a voz e o inconfundível tom de escárnio. Era Aramil, o Sincero.

- Olá para você também, Aramil – respondeu Astreya com um sorriso cínico.
Atrás do mago, que portava apenas seu belo manto élfico e um bem ornamentado cajado dourado, elas identificaram uma figura nas sombras, e logo perceberam que se tratava de Erol, o Caçador de Sindhar.
- Saudações, Erol – disse Astreya mais educadamente.
- Saudações - respondeu Erol bastante sério. Ele estava trajando sua cota de malha marrom escura e carregava nas mãos suas espadas élficas, as Lâminas do Inverno.
- Algum problema? – perguntou Astreya estranhando um pouco a frieza do amigo.
- Sim – respondeu o ranger – há rastros de orcs e ogros nestas montanhas, e eles simplesmente surgem e somem no meio das sombras. Além disso, não deveria haver criaturas assim rondando tão perto dos portões de Darakar.
- Algo sinistro realmente está acontecendo – disse Aramil em um tom sério – mesmo nós, os altos elfos de Sindhar, estamos tendo este tipo de problema.

- Já era hora... – grunhiu Bulma ao ouvir o som de pesadas botas de metal se aproximando. Como se também tivesse notado a aproximação, Erol desembainhou suas espadas.

Todos olharam mais à frente e viram Hargor, o clérigo anão, vestindo uma armadura de batalha muito bem trabalhada, carregando um pesado escudo e seu poderoso martelo. Ao lado dele, estava Oyama, com os cabelos e a barba bem mais longos e desarrumados, vestindo um par de manoplas pesadas com símbolos de Moradin e um cinturão negro. A constituição física do monge estava bem mais robusta do que seus amigos se lembravam.

- É incrível, Oyama, você conseguiu ficar ainda mais feio – disse Aramil quando o clérigo e o monge se aproximaram.
- Desculpe, mago – disse Oyama em tom de deboche – eu passei estes cinco anos lutando contra orcs e minotauros, e, ao contrário de vocês, altos elfos, que vivem saltitando e cheirando flores, não tive tempo para cuidar da minha beleza.
- Pessoal... – disse Astreya antes que Aramil pudesse dar uma resposta ao comentário de Oyama.
- Vejo que as coisas não mudaram – disse Hargor olhando para o grupo – de qualquer forma, fomos informados sobre a chave que vocês buscam e sei onde está o dragão que a guarda. Só quero que saibam que...

Neste instante, Erol sacou suas espadas novamente, e Bulma emitiu um rosnado feroz. Nisso, todos se deram conta do que estava havendo. Eles estavam completamente cercados.

Como se saídos das sombras da noite, surgiram mais de quatro dezenas de orcs de pele negra e grandes como ogros, portando imensos machados duplos de lâmina avermelhada. Com um olhar sádico e brutal, eles emitiam gritos, risadas e grunhidos guturais.

Cada um deles parecia uma visão saída do inferno, e em seus cintos, presas com pregos enferrujados, jaziam várias cabeças de anões...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 1: Uma nova saga começa.


Estimados visitantes e aventureiros, é com prazer que lhes trago, nesta noite, o primeiro capítulo das Crônicas de Elgalor, sob a benção de Odin.

Que os ventos da boa sorte possam vos acompanhar nessa longa jornada que todos estamos trilhando...

Astreya Anathar

Capitulo I -

Durante o pequeno Conselho organizado em Sírhion pelo rei élfico Coran Bhael, o Senhor dos Ventos explicou toda a situação que acometia os Reinos Livres de Elgalor de forma sucinta, porém bastante clara.

Graças à abertura de um poderoso artefato maligno, um dos Tomos dos Cânticos Profanos, as noites estavam cada vez mais longas e sinistras. Criaturas das trevas vagavam fortalecidas pela escuridão com cada vez menos medo. Uma profecia terrível havia sido feita por Gruumsh, o cruel Deus dos Orcs; após a morte de mil elfos, mil anões e o oferecimento da cabeça de um rei de cada raça, o Deus Caolho enviaria dois poderosos avatares para devastar os reinos élficos e anões de Elgalor.

- E isso é apenas o começo. Em breve chegará o dia em que todos os exércitos dos povos livres deverão marchar juntos para tentar impedir a aniquilação total – disse o Senhor dos Ventos com a postura e a voz de um orador nato. Os mais atentos, porém, perceberam o temor que o perturbava a cada palavra proferida.

- E o que o senhor sugere que façamos – perguntou o rei Coran após ouvir atentamente todo o relato. Sentada do lado direito do rei, estava a barda Astreya, sua trovadora real. Do lado esquerdo, o clérigo Thamior, alto sacerdote de Corellon Larethian, o Deus dos Elfos.
- Inicialmente, é necessário lacrar o Tomo dos Cânticos Profanos, que está localizado na Torre do Desespero, nas Terras Sombrias ao sul do deserto de Kamaro – respondeu o Senhor dos Ventos. Vocês já possuem os meios para lacrar o tomo, porém...
- Porém? – perguntou Astreya.
- Como já devem imaginar, tal artefato não está desprotegido – continuou o Senhor dos Ventos, baixando levemente o olhar.

Involuntariamente, um momento de silêncio foi feito no salão.
Já seria tarefa suficientemente difícil, mesmo para um grupo de guerreiros experientes, atravessar as Terras Sombrias e chegar à Torre. Diante de todas as revelações que o Senhor dos Ventos, um sábio profeta fizera, todos sentiam um certo medo de até mesmo imaginar que tipo de criatura nefasta guardaria o tomo.
Por fim, o rei Coran levantou-se e disse:
- O que está protegendo o tomo, sábio profeta?
- Um dragão vermelho ancião, recentemente transformado em um lich por artes negras, vossa majestade – respondeu o Senhor dos Ventos.
- Contudo... – continuou o profeta – para entrar na Torre dos Desesperos é necessária uma chave, que está em posse de outro dragão.
- Onde? – perguntou o rei Coran educadamente, mas sentindo que não haveria fim para aquele problema “inicial”.
- Poucas milhas a leste do reino de Darakar – respondeu o Senhor dos Ventos.
- O reino dos Anões – disse Thamior como se estivesse pensando alto – Se explicássemos tudo ao Rei Balderk, ele mandaria um batalhão de guerreiros para lá e...
- Não – interrompeu Astreya – mesmo que um batalhão de anões fosse bem sucedido, haveria muitas mortes. Com a profecia de Gruumsh em curso, a morte de tantos anões poderia trazer um problema terrível.
- Você está certa – disse Thamior – contudo, se não podemos mandar o exército dos anões nem o nosso por causa da profecia, que opção temos?

Mais um momento de silêncio se fez no salão.

- Nós iremos – respondeu por fim Astreya se levantando e fazendo uma reverência para o rei Coran – meus amigos e eu cuidaremos disso. Tenho certeza que todos vão ajudar.
- Era isto que eu tinha em mente desde o início – disse o Senhor dos Ventos de forma bastante discreta – e antes que vossa majestade diga que irá acompanhar a jovem Astreya nesta contenda, devo lembrar-lhe que são necessárias as cabeças de mil elfos, e a cabeça de um único rei para que parte da profecia se cumpra.

O rei Coran baixou a cabeça tentando esconder a frustração enquanto pensava em qual seria o curso de ação mais sábio a se tomar. Após alguns instantes, olhou para todos e disse:
- Através de magia, enviarei mensagens ao reino de Sindhar, requisitando a presença de Aramil e Erol, e ao reino de Darakar, pedindo o auxílio de Hargor e Oyama. Não tenho como contatar Bulma, mas...
- Dentro de uma hora ela estará nas portas de seu palácio – disse o Senhor dos Ventos fazendo uma reverência com a cabeça.
- Ótimo – respondeu o rei Coran – enquanto isso, irei até Sindhar e explicarei pessoalmente ao Alto Rei Thingol toda a situação.
- Pode ser perigoso colocar dois reis juntos em um mesmo lugar, vossa majestade – disse Astreya com preocupação nos olhos.
- Sindhar é um reino extremamente bem protegido, Astreya – respondeu Thamior tentando acalmar a barda – Além disso, entre os elfos, não há guerreiro mais habilidoso do que o rei Coran, nem mago mais poderoso do que o rei Thingol. Eles estarão bem.
- Rogo para que esteja certo... – respondeu Astreya entrelaçando as mãos sem esconder a apreensão que sentia.

No instante seguinte, os preparativos começaram a ser feitos. O Senhor dos Ventos desapareceu magicamente do salão, e o rei Coran passou a Thamior diversas instruções que deveriam ser seguidas durante sua ausência. Astreya voltou a seu quarto, e, com grande peso no coração, abriu um baú de marfim ornamentado, onde estavam guardados sua bela cota de malha élfica púrpura, seu arco longo sagrado feito com prata mágica e sua cimitarra élfica de lâmina avermelhada.

Presentes valiosos dados pelo rei Coran. Presentes que, apesar dela não saber, o rei lhe deu pedindo aos deuses que ela jamais precisasse colocá-los em uso.