Bem-vindos!

Bons amigos, valorosos guerreiros da espada e da magia, nobres bardos e todos aqueles com quem tiver o prazer de cruzar meu caminho nesta valorosa, emocionante e por vezes trágica jornada em que me encontro! É com grande alegria e prazer que lhes dou as boas-vindas, e os convido a lerem e compartilharem comigo as crônicas e canções que tenho registradas em meu cancioneiro e em meu diário...Aqui, contarei histórias sobre valorosos heróis, batalhas épicas e grandes feitos. Este é o espaço para que tais fatos sejam louvados e lembrados como merecem, sendo passados a todas as gerações de homens e mulheres de coração bravo. Juntos cantemos, levando as vozes daqueles que mudaram os seus destinos e trouxeram luz a seus mundos a todos os que quiserem ouvi-las!Eu vos saúdo, nobres aventureiros e irmãos! Que teus nomes sejam lembrados...
(Arte da imagem inicial por André Vazzios)

Astreya Anathar Bhael

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Blind Guardian

Há tempos tinha o desejo de prestar uma pequena homenagem a este grupo de bardos. De fato, não faz muito tempo que comecei a escutar suas canções, embora este nome já fosse de meu conhecimento desde uma idade mais tenra. Mas assim que ouvi uma de suas canções pela primeira vez, já foi o bastante para que eu não quisesse parar de ouvi-los.

Sinceramente, não sei como meu encontro com o prestigioso Blind Guardian não se deu antes... sou uma grande apreciadora de seu estilo de música e não é segredo que muitas de suas composições tem como base o mundo de J.R.R Tolkien. Mas não é apenas essa a fonte de inspiração destes talentosos bardos - de lendas arturianas às Cruzadas e Tróia, nada parece escapar dos talentosos instrumentos e vozes destes escaldos.

Surgido na Alemanha em 1984, esse grupo teve como seu primeiro nome Lucifer's Heritage (tremei!). A influência da obra de Tolkien em seus trabalhos pode ser conferida e provada por meio do álbum Nightfall in Middle-Earth, que contem canções baseadas exclusivamente na obra O Silmarillion. Um dos álbuns mais recentes da banda é A Twist in the Myth (2006) onde está uma de minhas canções favoritas (dentre todos os gêneros e bandas), Skalds and Shadows (Escaldos e Sombras).

Enfim, vamos então à música! Esta humilde barda selecionou algumas canções para vossa apreciação... mesmo que vós já as conheceis, é sempre bom escutar boa música... pois boa música acalenta nossas almas e nos reaviva para o que temos de enfrentar.




Mirror, Mirror - Blind Guardian (a pedido muito antigo do amigo Oyama, que me disse - "Você deveria colocar Mirror, Mirror em seu cancioneiro"... com sua memória, talvez ele nem se lembre!).




The Soulforged - Blind Guardian.

"And I see death through golden eyes" (Eu vejo a morte através de olhos dourados)

O mais interessante sobre esta balada é que ela foi composta para o personagem Raistlin Majere. Gosto tanto desta canção - pela melodia, pela empolgante e bela combinação de vozes e pela letra bem construída - que ela quase me faz gostar do personagem que mais me desagradou na saga de Dragonlance! Eis o poder deste grupo de bardos.




Nightfall - Blind Guardian. Pela beleza de sua melodia e letra.




Skalds and shadows, repetida neste cancioneiro, para alegrar vossos corações!

Que os ventos da boa música estejam convosco, bravos companheiros!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Senhor dos Anéis - Prólogo

Olá, caros amigos e companheiros! Hoje quero compartilhar convosco ainda mais uma melodia composta especialmente pelo escaldo Howard Shore para a fascinante contenda de O Senhor dos Anéis. Com certeza várias partes deste excelente prólogo irão lembrá-los da narração de Galadriel...

"O mundo está mudando..."

Ideal para a narração de um mestre ávido por imprimir em suas aventuras um tom épico e grandioso, ou até mesmo melancólico.

Espero que apreciem esta interessante e bela melodia.


The Lord of the Rings Symphony - Prologue (Howard Shore)

sábado, 4 de setembro de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 16: Adeus (parte 1)


E sob um clima de tensão que vos trago o capítulo 16 das Crônicas de Elgalor esta noite, com a benção e a pena de Odin, caros companheiros!

Que os ventos da boa sorte estejam convosco, e boa leitura!


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 16: Adeus (parte 1)
Por Odin.


Hargor e o meio dragão Ar- Zerakk se encararam por alguns instantes; o anão sabia que seu inimigo era fisicamente muito superior a ele, e Ar- Zerakk sabia que clérigos anões costumavam ser combatentes perigosos. Após tensos instantes, ambos gritaram quase que ao mesmo tempo o nome de seus deuses e avançaram ferozmente.
- Vou oferecer seu crânio a Tiamat depois de desmembrá-lo, anão maldito – gritou Ar- Zerakk enquanto desferia um golpe impiedoso com sua lança, que fora habilmente barrado pelo escudo de Hargor.
- Eu ofereceria seu crânio imundo à Moradin, desgraçado – respondeu Hargor golpeando com seu poderoso martelo, que também foi bloqueado por um hábil movimento de seu inimigo – mas não vai sobrar nada dele quando eu tiver terminado.

Assim, os dois lutaram. Não haveria tempo para conjuração de magias, bênçãos ou feitiços de cura. Martelo e lança se chocavam com um impacto terrível. Os golpes de Ar- Zerakk eram mais fortes, e mesmo quando o escudo de Hargor os desviava, o anão sentia o pesado impacto lesionando seu braço direito. Em resposta, o anão golpeava vigorosamente em locais onde a armadura do meio dragão o protegeria menos da força de seu martelo. Nos primeiros dois minutos do combate, a lança de Ar- Zerakk chegou muito perto de arrancar o olho esquerdo de Hargor e atravessar a garganta do anão. O martelo de Hargor atingira em cheio as costelas do meio dragão, quebrando três delas mesmo com a proteção da armadura. Aos cinco minutos, ambos estavam sangrando, com ossos fraturados e muito cansados.
Contudo, não haveria descanso. Muito menos piedade.

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Aramil ergueu seu cajado e avaliou a situação. Seu inimigo estava escondido com o uso de magia. Uma magia que poderia ser facilmente dissipada, pensou o mago elfo. Todavia, se gastasse alguns instantes para dissipar o ardil de seu inimigo, ele contra-atacaria instantaneamente, e isto poderia ser o fim do mago de Sindhar. Se seu inimigo realmente fosse um meio dragão, poderia usar um sopro de fogo caso chegasse mais perto, e se ambos entrassem em combate corpo-a-corpo, Aramil sabia que morreria antes que conseguisse gritar. Temendo ser destruído em um ataque pelas costas, seu inimigo não iria atrás de Astreya enquanto não tivesse certeza sobre a morte do elfo. Tudo isto passou pela mente do mago em poucos segundos. Levando em conta todas as possibilidades ele gritou um breve encantamento em élfico e bateu seu cajado contra o chão.

Neste instante, uma corrente de relâmpagos rompeu das árvores, e o raio principal rasgou o ar na direção de Aramil, explodindo contra uma redoma de energia criada pelo mago. Aramil não poderia atacar seu inimigo, mas estava protegido. Na pior das hipóteses, isto conseguiria tempo para Astreya, Erol, Oyama e Bulma.

Ou talvez não.

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Astreya passou pela barreira da floresta, caminhou poucos metros e viu Oyama, Bulma e Erol olhando algo à frente deles. Parecia uma névoa verde, ainda mais densa do que a barreira que a meio elfa havia atravessado; dentro dela, só era possível ver a sombra majestosa de uma árvore ancestral, que parecia velha e enfraquecida. Sem dúvida, este era o trono do rei Karanthir.
Aos pés dos heróis, jaziam três meio dragões, incrivelmente grandes e bem armadurados; um com o crânio esmagado, um sem a cabeça e o último sem os dois braços. Por reflexo, Erol olhou para trás e viu Astreya. Em seguida, Bulma e Oyama fizeram o mesmo. A barda notou que todos estavam extremamente feridos e cobertos de sangue.
- Amigos... – disse Astreya tirando o cajado de cura de sua bolsa arcana – não se preocupem, pois vocês vão ficar bem.
- Onde estão Hargor e Aramil, Astreya? – perguntou Oyama.
- Ficaram para trás... – respondeu a barda sentindo um enorme peso em seu coração - para que eu pudesse chegar até vocês.
- Rápido Astreya! – gritou Erol enquanto olhava atentamente para a densa névoa – algo está se movendo.
Astreya ergueu seu cajado, proferiu um pequeno encantamento em forma de música e uma onda de energia positiva envolveu seus amigos, curando-os quase totalmente.
- Talvez... – disse Astreya tentando encorajar seus amigos – talvez seja o rei Karanthir.
Agora todos podiam ver a movimentação e observaram com atenção absoluta o vulto que se movimentava em direção a eles. Subitamente, algo voou para fora da névoa. Era realmente o rei Karanthir.

Ou o corpo dele.

O outrora altivo e nobre elfo agora não passava de um corpo quebrado e banhado em sangue; ele estava queimado, sem um dos braços e com o pescoço visivelmente fraturado. Logo atrás, caminhava lentamente uma pesada e imponente criatura de quase três metros de altura. Suas escamas variavam entre o vermelho sangue e o marrom, sua armadura de batalha era vermelha e negra, como se tivesse sido forjada no próprio inferno. Em sua mão direita, ele carregava uma espada flamejante maior do que o machado de Bulma, e preso ao braço direito, um pesado escudo de metal. Seu corpo e armadura eram marcados por dezenas de cicatrizes, provando que aquele era um guerreiro que já vira muitos campos de batalha.
- O maldito elfo deu mais trabalho do que eu esperava – disse a criatura olhando sarcasticamente para os heróis – mas se vieram impedir que eu matasse o inseto ou que meu exército destruísse este reino ridículo, perderam a viagem.
- Ainda há tempo para fazer uma coisa, desgraçado! – gritou Erol mostrando uma fúria que seus companheiros jamais haviam visto no calmo e frio ranger – Você é Thurxanthraxinzethos?
- E se for, cheirador de flores? – provocou o imenso meio dragão – O que você vai fazer? Sangrar em mim? Ou vai chorar até eu ficar com pena de vocês e ir embora?
- CHEGA! – Gritou Erol disparando com suas espadas em direção ao seu inimigo – quero ver você fazer piadas com dois palmos de aço atravessando sua garganta!
- Deixe um pouco para mim, elfo – gritou Oyama rangendo os dentes enquanto corria com os punhos cerrados e ódio nos olhos.
Bulma lançou um grito bestial e correu ferozmente na direção do meio dragão. Aquele seria um adversário difícil, e isto agradava a bárbara.
Astreya controlou sua raiva e começou a entoar um poderoso cântico de batalha, que inflamou os corações de seus companheiros tornando seus espíritos de luta ainda mais formidáveis.

- Dizem que vocês três estão entre os melhores combatentes de Elgalor – disse o meio dragão sorrindo maliciosamente enquanto assumia uma postura ofensiva de combate – mas perto de Thurxanthraxinzethos, vocês são apenas insetos. Ou menos do que isso.

Astreya manteve o cajado de cura firme em suas mãos, pois sabia que teria que usá-lo muito. Ela cantava, mas seu coração estava tenso, e suas pernas tremiam.
Como se algo terrível estivesse para acontecer.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A luz é o maior medo da escuridão

Minha amiga Lenora, clériga de Corellon, pediu-me que eu trouxeste a vós esta canção, neste primeiro dia de setembro. Porque, disse-me ela, "não importa qual seja o nosso desespero ou angústia, esses sentimentos não passam de sombras a nos distrair de nossa verdadeira natureza e função neste mundo: sermos os corações, cabeças e mãos dos deuses da luz. Pois nós somos seus instrumentos para semear o amor e a bondade, e se nos preocuparmos apenas com nossas aflições, o que seremos, além de seres mesquinhos, que seguram dentro de si a luz que podem dar aos outros que dela necessitam? A luz é o maior medo da escuridão, e no fim, apenas a bondade, a solidariedade e o amor importam. É tudo o que levamos desta vida".






If I could tell the world just one thing
It would be that we're all OK
And not to worry 'cause worry is wasteful
And useless in times like these
I won't be made useless
I won't be idle with despair
I will gather myself around my faith
For light does the darkness most fear
My hands are small, I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
Poverty stole your golden shoes
It didn't steal your laughter
And heartache came to visit me
But I knew it wasn't ever after
We'll fight, not out of spite
For someone must stand up for what's right
'Cause where there's a man who has no voice
There ours shall go singing
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
I am never broken
In the end only kindness matters
In the end only kindness matters
I will get down on my knees, and I will pray
I will get down on my knees, and I will pray
I will get down on my knees, and I will pray
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
We are never broken
We are God's eyes
God's hands
God's mind
We are God's eyes
God's hands
God's heart
We are God's eyes
God's hands
God's eyes
We are God's hands
We are God's hands


Se eu pudesse dizer ao mundo apenas uma coisa, seria: estamos todos bem.
E que não se preocupe, pois as preocupações são desperdícios e inutilidades em tempos como estes.
Eu não serei inutilizada
Não vou me desperdiçar no desespero
Irei me fortalecer em minha fé
Pois a luz é o maior medo da escuridão
Minhas mãos são pequenas, eu sei
Mas elas não são suas, são minhas
E eu nunca estou alquebrada
A pobreza roubou seus sapatos dourados,
Não roubou sua risada.
E a dor em meu coração veio me visitar
Mas eu sabia que não duraria para sempre
Nós lutaremos, não por rancor
Porque alguém tem de se levantar pelo que é certo
Porque onde houver um homen sem voz
Aí devemos sair a cantar...
Minhas mãos são pequenas, eu sei
Mas elas não são suas, são minhas
E eu nunca estou alquebrada
No fim, apenas a bondade importa
Eu vou me ajoelhar e rezar...
Minhas mãos são pequenas, eu sei
Mas elas não são suas, são minhas,
E eu nunca estou alquebrada
Minhas mãos são pequenas, eu sei,
Mas elas não são suas, são minhas,
E eu nunca estou alquebrada,
Nós nunca estamos alquebrados.
Nós somos os olhos de Deus
As mãos de Deus
A mente de Deus
Nós somos os olhos de Deus
As mãos de Deus
O coração de Deus...
(Tradução resumida e livre feita por esta humilde barda que vos escreve).

Que a mensagem de Lenora e desta canção, não importando vossos credos e situações, possa trazer-vos algum bem, caros visitantes e companheiros de jornada!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Violinos e melodias

Não é dos tempos de agora que tenho uma grande admiração por rabecas, ou, como vós dizeís, violinos. O som deste belo instrumento de cordas pode produzir tanto melodias extremamente alegres como as mais profundas elegias. Seus primeiros exemplares foram feitos na Itália, entre os séculos XVI e XVII, e o instrumento manteve-se inalterado por mil anos, tendo apenas a espessura de suas cordas e outros detalhes modificados no século XIX. Seus exemplares mais cobiçados em Midgard pertencem à famosa marca Stradivarius, e eles são produzidos por luthiers, uma romântica classe de trabalhadores destinados a produzir artesanalmente instrumentos de corda com caixas de ressonância. As palavra luthier e luthieria (profissão) provem do vocábulo alaúde, que em italiano se chama liuto, já que este belo instrumento foi um dos primeiros instrumentos de corda com caixa de ressonância a ser produzido. A palavra alaúde, por sua vez, vem do árabe "al'ud", que significa "a madeira".

Uma outra curiosidade é que o violino é o instrumento de cordas que tem o som mais agudo de sua família, e iguala-se a voz humana denominada Soprano (tom de voz mais agudo dentro de um coral ou grupo de cantores).

Sem mais delongas, vamos então à música! Trago-vos uma recente composição do bardo Hans Zimmer que me encantou desde a primeira vez que a ouvi...


503 - Hans Zimmer (Trilha sonora de "Anjos e Demônios").

E também uma de minhas composições clássicas favoritas...


Vilvaldi - As quatro estações - Inverno - "Largo"

sábado, 28 de agosto de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 15: Separados


Boa-noite, nobres companheiros! Com grande honra, trago-vos hoje o décimo quinto capítulo das Crônicas de Elgalor, sob a pena e a benção de Odin!

Que os ventos da boa-sorte sempre vos acompanhem, e boa leitura!

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 15: Separados
Por Odin.

Alguns minutos depois que Erol, Bulma e Oyama partiram em direção ao Grande Carvalho, Astreya, Aramil e Hargor chegaram à clareira onde seus amigos enfrentaram os guerreiros meio dragões. Hargor e Astreya examinaram todos os elfos feridos naquele cruel campo de batalha, e constataram que realmente, todos estavam mortos.
- Por Moradin, o que houve aqui? – exclamou Hargor – mais da metade desta floresta foi destruída pelo fogo, e agora isso...
- Pelo menos – disse Astreya com a cabeça baixa em respeito aos nobres elfos que morreram protegendo seu lar – Erol, Bulma e Oyama conseguiram sobreviver e prosseguiram, já que não vemos o corpo de nenhum deles aqui.
- Sim, eles sobreviveram – disse Aramil observando algumas marcas no chão – e segundo o sinal de Erol, eles foram para o Grande Carvalho, o local onde fica o trono do rei Karanthir.
- O local – continuou Aramil – não pode ser alcançado por meios mágicos, mas como já estive lá, posso criar uma porta dimensional que nos levará para perto.
- Faça isso – respondeu Hargor de forma extremamente séria enquanto olhava ao redor como se procurasse algo – apenas me diga a direção que alcanço vocês depois.
- Como assim, Hargor? – perguntou Astreya surpresa – se você sente algo errado, ficaremos todos juntos.
- Não! – respondeu o anão – nossos companheiros provavelmente enfrentarão o grande responsável por tudo isso, e precisarão de ajuda.
- Então vamos todos juntos – retrucou Astreya – não vou deixar você para trás.
- Se formos todos juntos, seremos atacados pelas costas no pior momento possível – respondeu Hargor impaciente - por favor, Astreya, faça o que eu digo.
- Siga em direção ao norte, clérigo – respondeu Aramil enquanto começava a se concentrar para conjurar uma magia – Vamos, Astreya.
A barda olhou para Hargor e, com grande hesitação, se virou para Aramil, que havia conjurado um pequeno portal de cor esmeralda.
- Tome cuidado, meu amigo – disse Astreya com grande temor na voz – tome cuidado.
Aramil passou pelo portal que havia conjurado e Astreya seguiu logo atrás do mago elfo. Assim que o portal se fechou, Hargor gritou:
- Pode aparecer, covarde. Somos apenas nós dois agora!

Neste instante, um vulto negro, de cerca de dois metros de altura começou a se formar cerca de dois metros a frente do clérigo anão, bem no meio da clareira. Era um meio dragão, de escamas vermelho sangue, protegido por uma espessa armadura de batalha negra e um grosso manto rasgado, escuro como a noite. Em sua mão direita, ele carregava uma ornamentada e afiada lança. A criatura sorriu maliciosamente e disse:
- Covarde? Por que eu teria o trabalho de enfrentar vocês três juntos, se tenho a oportunidade de matar você facilmente agora e depois caçar o mago e a barda com tranqüilidade? Você foi um tolo, clérigo, em ter permitido que seus amigos partissem.
- E apenas para constar – disse o meio dragão em meio a uma sádica risada enquanto enfiava a ponta de sua lança no chão – não seremos apenas “nós dois agora”.
Rapidamente, o chão de toda a clareira assumiu um aspecto negro e apodrecido. Instantes depois, todos os elfos, animais selvagens e meio dragões se ergueram, com um doentio brilho vermelho em seus olhos. Eles babavam e rosnavam, e caminhavam de maneira fria e implacável em direção ao clérigo anão.
- Mortos vivos... – disse Hargor apertando com força o cabo de seu martelo.
- Não deveria fazer esta cara de nojo, nanico – zombou o meio dragão – Afinal, você logo se juntará a eles...
Os mortos vivos avançaram violenta e impiedosamente sobre Hargor. O anão ergueu seu martelo, gritou o nome de seu deus e golpeou o chão vigorosamente. Uma onda de choque composta por uma luz clara como os primeiros raios do sol do amanhecer banhou toda a clareira, desintegrando instantaneamente todos os mortos vivos presentes.
- Não me subestime, chacal – disse Hargor apontando seu martelo na direção do meio dragão – se quer matar Hargor Martelo de Mitral, venha, e tente fazer isso como um homem!
O meio dragão sorriu e assumiu posição de combate.
- Você não vai falar assim tão grosso quando estiver empalado na minha lança e com a barba raspada, lambe botas de Moradin – gritou o meio dragão – A propósito, meu nome é Ar- Zerakk, e eu aceito o seu “desafio”.

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Logo que passaram pelo portal, Aramil e Astreya se depararam com a floresta em chamas, e com uma cena que nenhum dos dois jamais imaginaria contemplar em vida. Um imenso dragão vermelho, do mesmo tamanho que Charoxx se digladiava com quatro Ents gigantescos, cujos vigorosos troncos mediam mais de dez metros de altura. O dragão queimava e mordia violentamente os galhos dos poderosos pastores das árvores, mas urrava de dor ao sentir suas escamas, e talvez até mesmo seus ossos, se partindo devido à pressão exercida pelos nodosos “braços” dos Ents que o prendiam.
- Vamos sair daqui rápido – disse Aramil – isto está muito além de nosso poder.
- Verdade – disse Astreya se recordando de sua visão – Somos necessários em outro lugar.

Os dois heróis correram cerca de dois minutos e encontraram uma verdadeira parede de névoa verde. Aquela, como ambos sabiam, era a barreira que protegia o Grande Carvalho, e o trono do rei Karanthir.
- Ela está falha em alguns pontos – observou Astreya após alguns instantes.
- Sim - disse Aramil tenso, olhando ao redor com grande preocupação em seu semblante.
- Estou sentindo alguma coisa – disse Astreya - energias arcanas se acumulando ao redor.
Subitamente, um relâmpago rasgou o ar, surgindo aparentemente do nada. Aramil recitou um rápido encantamento e estendeu seu cajado à frente. Uma barreira protetora surgiu ao redor dos dois, dissipando o relâmpago no último instante.

O mago elfo bateu seu cajado dourado no chão, e um pulso de energia se espalhou por um raio de seis metros. Neste momento, Astreya viu escondido entre as árvores um meio dragão, coberto por um longo manto vermelho, portando um cajado negro feito de ferro.
- Ali – disse a barda sacando seu arco de prata e disparando uma flecha certeira.
Para o espanto da barda, sua flecha passou pela garganta do meio dragão como se ele fosse um fantasma ou uma ilusão.
- Deixe que eu cuido disso – disse Aramil com imensa presunção na voz – entre na barreira e se faça útil.
Por um instante Astreya desejou que o meio dragão realmente desse uma lição de humildade no mago, mas logo afastou este pensamento de sua mente.
- Tome cuidado, “alto elfo”- disse ela enquanto desaparecia em uma das falhas na barreira.

- Um mago ficando sozinho para trás? – ecoou uma voz sinistra, que parecia vir de toda parte – ou você é muito nobre ou muito tolo. De qualquer forma, será apenas um punhado de poeira quando isso terminar.
Aramil ergueu seu cajado e se concentrou.

Combates entre guerreiros poderosos eram sempre emocionantes, e poderiam ter resultados surpreendentes, que por vezes apenas se revelavam no último instante da contenda. Já duelos entre magos são extremamente mortais, e normalmente o vencedor é definido no primeiro movimento que ambos fazem. Não haveria tempo para bravatas nem debates morais. Um único erro certamente culminaria em uma morte dolorosa e talvez humilhante.

Aramil sabia disso. E seu inimigo também.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Uma bela melodia

Olá, nobres companheiros e viajantes. Nesta noite eu vos trago apenas uma melodia; uma só, porque a acho tão especial, que ela merece ter um pergaminho dedicado só a ela. A bela canção abaixo foi composta provavelmente no século XVI, e quando a ouço, não posso deixar de pensar que ela deve ter sido composta por alguém que vivia um grande amor. Ela não possui letra, mas consegue expressar em sua delicadeza a suavidade e a força do mais nobre dos sentimentos.

Em Sírhion, eu a toquei muitas vezes, sozinha, sentada na grande sacada do palácio, enquanto apenas a lua e meu próprio coração me acompanhavam, onde eu dava vazão aos sentimentos que, em frente do rei e seus súditos, eu tentava esconder. Viajando por toda Elgalor, eu nunca deixei de entoá-la em minha harpa, pois, sem saber se Coran e eu voltaríamos a nos ver de novo em vida, ela sempre foi a melhor forma de encontrar algum consolo. Pois minha mãe me ensinou que a música une corações, e aplaca a dor. E ela tem razão.