Bem-vindos!

Bons amigos, valorosos guerreiros da espada e da magia, nobres bardos e todos aqueles com quem tiver o prazer de cruzar meu caminho nesta valorosa, emocionante e por vezes trágica jornada em que me encontro! É com grande alegria e prazer que lhes dou as boas-vindas, e os convido a lerem e compartilharem comigo as crônicas e canções que tenho registradas em meu cancioneiro e em meu diário...Aqui, contarei histórias sobre valorosos heróis, batalhas épicas e grandes feitos. Este é o espaço para que tais fatos sejam louvados e lembrados como merecem, sendo passados a todas as gerações de homens e mulheres de coração bravo. Juntos cantemos, levando as vozes daqueles que mudaram os seus destinos e trouxeram luz a seus mundos a todos os que quiserem ouvi-las!Eu vos saúdo, nobres aventureiros e irmãos! Que teus nomes sejam lembrados...
(Arte da imagem inicial por André Vazzios)

Astreya Anathar Bhael

terça-feira, 15 de março de 2011

Metal Ladies


Apenas uma homenagem, ainda que atrasada, ao dia das mulheres nesse mês de março! Um viva para essas mulheres que nos representam no metal com suas belíssimas vozes e muito talento.

Tarja Turunen, em Nemo - Nightwish


Sharon den Adel, em Faster - Within Temptation


Simone Simons, em Another me in Lak'ech - Epica


Vibeke Stene, em My Lost Lenore - Tristania


Cristina Scabbia, em Enjoy the Silence - Lacuna Coil


Parabéns a todas as mulheres que visitam este Cancioneiro!

sexta-feira, 11 de março de 2011

As Brumas de Avalon


São várias as versões existentes das lendas arturianas, mas alguns elementos clássicos como o mago Merlin, o cavaleiro Lancelot e sua amada Guinevere, a maligna bruxa Morgana Le Fay, além do próprio Arthur, é claro, estão sempre presentes.

No entanto, a versão apresentada em "As Brumas de Avalon", famosa série de livros escrita por Marion Zimmer Bradley, difere bastante dos contos que ouvíamos quando crianças. Nela, Morgana é uma heroína treinada para ser feiticeira em Avalon por sua poderosa mentora Vivienne, passando por uma história de dor na qual chega a gerar o filho do próprio irmão (por meio de uma infeliz armadilha no qual nenhum dos dois sabia o que estava fazendo, já que estavam mascarados), Arthur, um rei aqui retratado como um homem frágil e atormentado pelo fanatismo católico da mulher, Guinevere (Gwenhwyfar), que é por sua vez apaixonada por Lancelot. Existe uma reconstrução de toda a mítica arturiana nesta versão de Bradley, já que ela é focada e protagonizada em sua maioria pelas mulheres da trama, trazendo em grande parte a visão de Morgana sobre os acontecimentos que a rodeiam e o apogeu e a queda da terra mística de Avalon e do reinado de Arthur.

Para aqueles que não tiverem tempo ou paciência de ler os quatro volumes da saga, existe também um filme, não tão fiel à literatura mas interessante, com o mesmo nome da quatrilogia. Hoje trago para vós excertos de bela trilha sonora composta para esta película:


Igraine meets Uther/Arthur is born - Lee Holdridge


Morgaine grows up - Lee Holdridge


Morgaine's journey - Lee Holdridge

E aqui, a música tema da película (pela magistral Loreena Mckennitt) com algumas de suas cenas:


The Mystic's Dream - Loreena Mckennitt

A clouded dream on an earthly night
Hangs upon the crescent moon
A voiceless song in an ageless light
Sings at the coming dawn
Birds in flight are calling there
Where the heart moves the stones
It's there that my heart is calling
All for the love of you


A painting hangs on an ivy
Nestled in the emerald moss
The eyes declare a truce of trust
And then it draws me far away
Where deep in the desert twilight
Sand melts in pools of the sky
When darkness lays her crimson cloak
Your lamps will call me home


And so it's there my homage's due
Clutched by the still of the night
And now I feel you move
Every breath is full
So it's there my homage's due
Clutched by the still of the night
Even the distance feels so near
All for the love of you

domingo, 6 de março de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VII: A Torre do Desespero (parte 5)


E mais uma vez, é com grande honra que apresento-vos, caros viajantes e visitantes,
a quinta parte do sétimo capítulo das Crônicas de Elgalor, no qual Astreya e Aramil lutam para sobreviver e encontrar uma forma de sair de sua prisão...

Boa leitura, e que os ventos da fortuna sempre vos acompanhem!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VII: A Torre do Desespero (parte 5)

Por ODIN.

As criaturas rastejantes se aproximavam rápido, rosnando e gemendo. Elas se pareciam com reflexos distorcidos de pessoas deformadas, tinham grandes garras e presas e a pele fria e cinzenta. Aramil estendeu seu cajado e recitou um encantamento. Nada aconteceu.
- Maldição... – reclamou o mago – com você grudada em mim e seus pensamentos idiotas em minha mente, não consigo me concentrar o bastante.
- Ótimo! – exclamou Astreya aflita com sua espada em mãos enquanto as criaturas grotescas rosnavam ainda mais alto – Um mago que não consegue usar magias...
- Poupe-me do MEU sarcasmo, meio elfa – disse Aramil – digo, meio humana, e faça alguma coisa!

Astreya girou sua cimitarra mirando a primeira das criaturas que se aproximou, rasgando sua garganta em um golpe perfeito. Neste momento, a barda notou que a frieza de Aramil que estava lentamente se espalhando por seu espírito finalmente tivera alguma serventia. Outra criatura avançou sobre Aramil com suas garras, e o mago tentou bloquear o ataque com seu cajado. Seus reflexos de combate estavam mais apurados, e ele obteve êxito. Ainda assim, as criaturas estavam em um número muito grande, e seria apenas uma questão de tempo até que elas sobrepujassem os dois heróis.
- Cuidado! – gritou Astreya vendo que uma das criaturas desferiu um soco no maxilar do mago.
- Argh... –disse Aramil sentindo o punho da criatura lhe arrancar sangue de tal forma que o mago quase perdeu a consciência – Não vamos conseguir...
Antes de terminar sua frase, Astreya cortou a garganta da criatura que havia atacado Aramil, e o mago olhou para a barda e notou que ela não foi afetada pelo golpe que ele havia recebido. Os dois estavam presos um no outro e compartilhavam emoções e pensamentos, mas não os ferimentos que seus corpos recebiam. Ele ergueu seu cajado e antes que Astreya percebesse o pensamento dele em sua mente, bateu seu cajado de metal com toda sua força na nuca da barda.
Astreya caiu inconsciente, quase puxando Aramil para baixo. O mago bateu seu cajado no chão e disse para si mesmo:
- Finalmente um pouco de silêncio. Espíritos do fogo ouçam meu chamado e envolvam-nos em sua barreira protetora, e despejem sua fúria naqueles que desejam nos ferir.

Quando Aramil recitou a última palavra, um círculo de fogo surgiu do chão ao redor dele e da inconsciente Astreya, carbonizando instantaneamente todas as criaturas disformes que os cercavam. Assustadas e surpresas, as outras criaturas correram para as paredes fugindo do fogo.
- Assim é melhor – disse Aramil mantendo a barreira de fogo alta apenas por precaução – agora, basta encontrar uma saída daqui.
- Só há uma saída, mago egoísta -ecoou a voz do demônio por todo o salão – bem, na verdade, existem duas...
- Duas? -perguntou Aramil mantendo-se atento a qualquer alteração a seu redor.
- Sim – disse o demônio quase gargalhando de prazer – uma chave, no coração de cada um de vocês! Se quiser sair, basta arrancar o coração de Astreya! HAHAHAHAHAHA!
- Você não está falando com um retardado mental como Oyama ou Bulma, e nem com uma sentimentalista idiota como Astreya, cria do abismo! – Gritou Aramil – você vai ter que fazer muito mais do que isso para me enganar ou para me colocar em um dilema moral.
- Isso quer dizer que se o amuleto de Thingol não estivesse protegendo vocês contra minhas magias mais nefastas, você arrancaria o coração da barda, não é?
Aramil não respondeu.
- NÃO É? – perguntou novamente o demônio fazendo com que um forte vento soprasse em todo o salão – E você sabia, mago que todas estas criaturas que você matou eram prisioneiros inocentes, que foram... aprimorados pelas minha finas artes de tortura?
- Agora estou realmente emocionado – disse Aramil com seu habitual sarcasmo enquanto expandia seu círculo de fogo e queimava as poucas criaturas que ainda estavam vivas.
- HAHAHAHA! -gargalhou o demônio – vejo potencial em você, elfo. Mas isso não muda o fato de que você NUNCA vai sair daqui, pois nunca vai encontrar o portal.

Neste momento, Astreya começou a despertar.
- Aramil... seu... – disse Astreya enquanto se levantava.
- Eu não vou poder sair... –repetiu Aramil para si mesmo.
- Astreya, me ouça com atenção – disse Aramil – de certa forma, o maldito disse a verdade. Acho que a chave para sair está mesmo em nossos corações.
Nisso, o mago fechou os olhos e bateu seu cajado na própria cabeça, caindo inconsciente.
- HAHAHAHA, isso é ridículo! O verme ficou com tanto medo que se escondeu e abandonou você sozinha, Astreya. SOZINHA.
As palavras do demônio feriram a alma de Astreya mais do que qualquer espada poderia fazer com seu corpo. Ela odiava esta palavra. No entanto, ela se lembrou do que Aramil havia dito, e do que sua mãe sempre lhe ensinara:
- “A luz de uma pequena vela pode dissipar um pouco da mais densa escuridão” – repetiu a barda para si mesma, lembrando-se de seus amigos, sua família e principalmente, de seu amado Coran. Ela não estava sozinha.
Neste momento, Astreya sentiu seu coração repleto de amor e esperança, e um portal se abriu logo à sua frente.
- HUMPH! – bufou o demônio com desinteresse – Haverá um dia, Astreya, em que a luz de uma vela não será capaz de dissipar a escuridão. Eu deixarei vocês seguirem em frente apenas para que você sinta todo o desespero que esta verdade há de lhe trazer. Eu vi seu futuro, barda, e lhe garanto que se você soubesse o que o destino lhe reserva, você não sairia desta torre.
- Você não permitiu minha passagem, demônio – nós a conquistamos.
- Repita isso daqui há três dias, barda – disse o demônio fazendo o vento soprar mas forte – repita isso daqui há três dias...

Astreya o ignorou, e arrastando o corpo de Aramil que ainda estava preso ao seu, passou pelo portal.

sábado, 5 de março de 2011

Heaven and Hell - Vangelis


Diferente, interessante e belo. Assim gosto de definir este trabalho do compositor cujo modo experimental de compor sempre me agradou. Talvez nem todos os ouvidos possam gostar do modo como Vangelis experimenta, mas é inegável o fato de que tais canções nos despertam pelo menos sensações diferentes (e podem ser um interessante acompanhamento musical para aventuras de todos os gêneros!)


Symphony to the powers B - Heaven and Hell - Vangelis


Heaven and Hell 3rd mov. - Vangelis (Bastante conhecida por ter embalado a série Cosmos de Carl Sagan).

E, abaixo, meus dois excertos favoritos desta fascinante obra:


Heaven and Hell part 2 excerpt 2 - Vangelis


12 o'clock (Heaven and Hell) - Vangelis (Este trecho inclusive já foi tocado em um de meus pergaminhos - aconselho que ergam o volume e apreciem toda a beleza desta canção que é uma das peças musicais que mais gosto!)

Um bom carnaval para todos! E comprometo-me a, nas próximas semanas, consertar a falta de pergaminhos que vem acometendo o Cancioneiro!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VII: A Torre do Desespero (parte 4)



Boa noite, caros visitantes! Mais uma vez trago-vos com grande honra As Crônicas de Elgalor, dando continuidade a nosso tormento na Torre do Desespero...

Boa leitura e que os ventos da boa sorte estejam com todos vós!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VII: A Torre do Desespero (parte 4)

Por ODIN.

- Está se sentindo melhor?

Bulma abriu os olhos e viu Evan. O paladino estava extremamente ferido, e ela podia sentir uma forte preocupação em seu olhar. Usando seus poderes de cura, ele estava fechando os ferimentos nos pulmões da bárbara.
- Você deveria guardar um pouco para si – disse a bárbara se levantando e percebendo que, apesar de não estar totalmente curada, seus ferimentos haviam sido suficientemente tratados.
- O importante é que você está bem – respondeu Evan olhando os arredores – lamento por não conseguir curá-la plenamente. Precisamos encontrar Hargor o quanto antes.
- Se ele ainda estiver vivo – disse a bárbara em um tom sombrio – mas de qualquer forma, o que aconteceu com você?

Evan se manteve calado por um instante, como se a mera lembrança o ferisse. Por fim, falou:
- Resumindo muito, o demônio me enganou e me fez acreditar que inocentes estavam presos na torre, sendo torturados por uma criança dominada por um espírito maligno. Ele disse que eu só poderia salvá-los se matasse a criança, que chorava compulsivamente enquanto torturava diversas pessoas. De alguma maneira, senti em meu corpo e em minha alma o tormento daquelas pessoas, mas me recusei a matar a criança.
- E o que aconteceu? – perguntou Bulma percebendo que apesar desta ser uma forma risível de tortura aos olhos dela, deveria ter afetado muito alguém com a alma de Evan.

- Ele disse que libertaria a criança se eu me ajoelhasse e trespassasse meu ventre com a ponta de minha lança – respondeu Evan.
- Eu fiz isso – continuou o paladino – e o demônio gargalhou de tal forma que meus ouvidos quase explodiram. Quando eu estava para morrer, ele disse que tudo aquilo era uma ilusão, e que sabia que eu “não iria arriscar e iria agir como um idiota”. Ele gargalhou mais uma vez e quando abri os olhos, estava nesta sala.
- Ele não quer nos matar, Evan – disse Bulma – pelo menos não por enquanto.
- O maldito está brincando conosco – respondeu o paladino – tentando nos enlouquecer.

- De qualquer modo, há um portal à nossa frente – disse Evan – Vamos procurar os outros.

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Longe dali, um clarão vermelho iluminou o salão e Aramil emitiu um grito, como se sua alma estivesse sendo dilacerada. O elfo se recompôs e percebeu que estava preso em alguma coisa. Neste momento, ele ouviu o grito de Astreya.
- Aramil! – gritou a barda desesperada – o que é isto?
- Por Corellon... – gaguejou o mago completamente estarrecido – Como...

Astreya e Aramil, de alguma forma estavam na mesma sala, e a mão esquerda da barda estava grotescamente fundida à mão direita do mago.

- Maldito demônio! – gritou Aramil – você vai pagar por esta humilhação!
- Obrigada pela sensibilidade, Aramil – ironizou Astreya – você pode desfazer isso?
- Se eu pudesse, acha que ainda estaríamos presos? – respondeu Aramil em um rompante de fúria e frustração.
- Elfo incompetente! – gritou Astreya.

Neste momento, ambos se calaram.
- O que você disse, Astreya? – perguntou Aramil.
- Eu... estava falando como você... – respondeu a barda sentindo um terror tomar seu coração.
- Foi o que pensei... – respondeu Aramil – estou sentindo pensamentos repulsivos sobre a amizade e amor entre elfos e ... humanos... MALDIÇÃO! Nossas essências estão se fundindo!
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA – ecoou a risada macabra por todo o salão.

- Este é o plano dele – analisou Astreya – seria fácil demais matar qualquer um de nós se estivéssemos sozinhos, e provavelmente não resistiríamos a suas torturas pelo tempo que ele gostaria, então...
- Pare de me imitar, meio elfa! – gritou Aramil.
- É a primeira vez que ouço você dizer “meio elfa” – respondeu Astreya, preocupada demais para fazer piada com a situação.
- E pare de pensar no rei Coran cada vez que fica com medo, tola! – disse Aramil – isto está ficando embaraçoso.
- Aramil! – gritou Astreya envergonhada.

- Eu poderia ver isto o dia todo, mas tenho outros homenzinhos para torturar – ecoou novamente a voz do demônio – Veja pelo lado bom, Aramil: Eu poderia ter fundido você com Oyama.... HAHAHAHAHAHAHA!

- Ele deve ter algo terrível planejado para Oyama para não ter realmente feito isto – disse Astreya preocupada.
- Cale-se! – resmungou Aramil – Agora estou me sentindo preocupado com o monge idiota! Como você consegue viver sendo tão infantil, Astreya?
- E como você consegue ser tão egoísta, Aramil? – retrucou a barda.

Antes que o mago respondesse, o salão se tornou mais frio, e Astreya e Aramil começaram a ouvir ruídos de criaturas rangendo dentes e se arrastando por todo o salão.
- Você ainda consegue conjurar magias, elfo – perguntou Astreya sacando sua cimitarra.
- Vamos descobrir – respondeu Aramil erguendo seu cajado...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Lady in the Water


Ao assistir esta delicada película, eu percebi que nunca havia notado o quanto sua trilha sonora era bela e apropriada para uma cena que precise despertar encantamento e suavidade... E tive a sorte de achar um vídeo que reunia algumas das partes mais belas desta trilha (ainda que ela receba um final um pouco abrupto, vale a pena).




Composições do incrível James Newton Howard.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VII: A Torre do Desespero (parte 3)


Boa tarde, amigos e visitantes! Com grande alegria trago mais uma parte da saga dos heróis de Elgalor! Sem mais delongas, desejo-vos uma boa leitura e que os ventos do sucesso soprem sempre a vosso favor!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VII: A Torre do Desespero (parte 3)

Por ODIN.

Bulma passou pelo portal e se viu em uma imensa floresta. A bárbara achava que ainda estava dentro da torre, e que por meio de “magia negra”, ela estava sendo levada a acreditar estar em outro local.
- Vamos logo com isso, verme! – gritou Bulma desafiadora – apareça para que eu possa te estripar e seguir em frente!
- Você está sempre com pressa, não é? – ecoou uma voz suave, aparentemente vinda do meio das árvores – sempre atrás de sangue.
- Cale-se e apareça, covarde! – gritou Bulma de novo.
- Se você pudesse me ver, bárbara – continuou a voz – não estaria falando com tanta arrogância. Mas se é sangue que você quer...

Neste momento, a floresta começou a ficar escura e fria, e um forte vento começou a soprar, como se viesse de todos os lados ao mesmo tempo. O vento subitamente soprou com ainda mais força e Bulma sentiu garras enormes rasgando suas costas. A bárbara se virou e viu uma criatura imensa e extremamente musculosa. A criatura tinha o aspecto de um grande humanóide careca, de pele azul escura, olhos completamente brancos, e grandes presas e garras nas mãos.

Sem hesitar, Bulma virou seu machado com violência, mas a criatura agilmente se esquivou para trás e cuspiu um dardo longo feito de osso, que passou a menos de um centímetro do coração da bárbara. A meio orc sentiu seus músculos queimarem e deduziu que havia veneno no dardo que a criatura havia expelido. Não se importando com isso, ela se entregou à sua fúria bestial e se lançou contra a criatura, desta vez com mais velocidade e força.

O machado de Bulma atingiu as costelas da criatura, mas sua pele era resistente como uma armadura. Ainda assim, o golpe foi capaz de arrancar um viscoso e escuro fluido do corpo da criatura, que revidou instantaneamente com dois golpes de suas garras. Bulma foi capaz de bloquear o primeiro com o machado, mas o segundo atingiu sua testa, fazendo com que sangue começasse a escorrer para seus olhos, tornando ainda mais difícil enxergar a criatura naquela escuridão.

- HAHAHAHAHAHA! Você pretende mesmo derrotar Thurxanthraxinzethos? – zombou o demônio entre as árvores.

- CALE-SE! – rosnou Bulma fazendo um corte profundo no peito da criatura, que desta vez deu um passo para trás tamanha era a força e a fúria do ataque.

Bulma avançou com violência, mas caiu na armadilha da criatura, que agilmente se recuperou do impacto do golpe que levara, se desviou da lâmina do machado dela e lançou com incrível precisão suas garras na direção dos pulmões da bárbara. Bulma gritou e cuspiu muito sangue, enquanto a criatura sadicamente penetrava vagarosamente suas garras nos pulmões da meio orc.
- Você causou a morte de Erol, Bulma – disse o demônio em um tom quase melodioso – e agora deve pagar por isso. A menos que aceite minha oferta...
- Vá... para... o inferno! – gemeu Bulma sentindo todo seu corpo tremer e seu machado cair no chão.
- Eu já estou lá, bárbara – disse o demônio com sarcasmo - assim como seu amigo Erol que foi morto de forma tão brutal pelo seu machado. Ele não encontrou paz alguma na morte, pois foi brutalmente assassinado por alguém que considerava uma aliada e talvez até amiga. E você não tem muitos amigos, não é, Bulma?
- Verme... – rosnou Bulma sentindo tudo girar e ficar ainda mais escuro.
- Você é uma matadora, Bulma – disse o demônio como se quisesse tentar ajudar a bárbara – pare de fingir ser uma heroína e junte-se àqueles que realmente pensam como você. Eu até lhe darei poder para acabar com Thurxanthraxinzethos.

Bulma fechou os olhos enquanto seu sangue jorrava para fora do corpo. De repente, ela deu um grito bestial e arregalou os olhos, que revelavam que não havia mais consciência ou racionalidade alguma dentro dela. Com suas últimas forças, Bulma ergueu suas mãos e enterrou seus dedos nos dois olhos da criatura, que emitiu um grito completamente agonizante. Em seguida, Bulma arrancou os olhos de seu inimigo, que retirou as garras dos pulmões da bárbara e caiu cambaleante no chão. Ignorando a dor que sentia, Bulma agarrou seu machado e enterrou sua lâmina na garganta da criatura. Ela repetiu este gesto quatorze vezes, até que caiu exausta no chão em meio a uma poça de sangue e músculos destroçados.
- Vá... para o inferno... – gemeu Bulma para o demônio – eu posso morrer aqui, mas os outros vão arrancar o seu...

- HAHAHAHA! Morrer? -gritou o demônio no mais absoluto delírio – Está brincando? Depois de toda a diversão maravilhosa que você me proporcionou?

Bulma olhou para cima rosnando, mas já não enxergava nada. Apenas ouvia as gargalhadas do demônio ecoando em sua mente.
- Você vai se juntar a mim, Bulma – disse o demônio ainda se deleitando com a cena de carnificina deixada pela bárbara – É apenas uma questão de tempo. Por isso, vou dar-lhe uma chance.

Neste momento, a floresta desapareceu e Bulma pôde sentir que estava “novamente” em um grande salão da Torre do Desespero. Um grande portal se abriu à frente do corpo tombado da bárbara, e outro menor surgiu atrás dela. Bulma desmaiou, enquanto alguém ou alguma coisa deixou o portal menor atrás dela e caminhou pesadamente em sua direção.

Era Evan, o Justo. Extremamente ferido, e com a armadura em frangalhos.