Bem-vindos!

Bons amigos, valorosos guerreiros da espada e da magia, nobres bardos e todos aqueles com quem tiver o prazer de cruzar meu caminho nesta valorosa, emocionante e por vezes trágica jornada em que me encontro! É com grande alegria e prazer que lhes dou as boas-vindas, e os convido a lerem e compartilharem comigo as crônicas e canções que tenho registradas em meu cancioneiro e em meu diário...Aqui, contarei histórias sobre valorosos heróis, batalhas épicas e grandes feitos. Este é o espaço para que tais fatos sejam louvados e lembrados como merecem, sendo passados a todas as gerações de homens e mulheres de coração bravo. Juntos cantemos, levando as vozes daqueles que mudaram os seus destinos e trouxeram luz a seus mundos a todos os que quiserem ouvi-las!Eu vos saúdo, nobres aventureiros e irmãos! Que teus nomes sejam lembrados...
(Arte da imagem inicial por André Vazzios)

Astreya Anathar Bhael

quarta-feira, 25 de maio de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 3)



Boa noite, nobres companheiros! Apesar da seca de pergaminhos que vem acometendo meu humilde Cancioneiro no mês de maio, as Crônicas de Elgalor felizmente continuam!

Espero que apreciem, e boa leitura, bravos aventureiros!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 3)

Por ODIN.

A bela princesa Meliann abriu os portões dourados do palácio de seu pai e viu no jardim Astreya e Evan conversando tensos, aparentemente preocupados com o resultado do encontro do rei Coran Bhael com o Grande Rei Thingol Shaeruil. Meliann fixou seus olhos claros em Astreya por um momento. Logo em seguida, caminhou em direção à barda.

- Lady Astreya de Sírhion? – perguntou Meliann com uma voz doce, porém distante.
- Sim – Astreya se virou, e quando viu a jovem princesa de Sindhar fez uma mesura. Evan a acompanhou no gesto.
- Dizem que você é a trovadora real de Sírhion, e que está sempre próxima do rei Coran.
- Sou a trovadora real, vossa alteza – respondeu Astreya – e quando me é possível, de fato permaneço na companhia do rei Coran, como requer meu ofício. Algo a perturba?
Novamente, Meliann ficou calada, apenas observando Astreya.
- Você é uma mulher muito gentil e bonita, barda – disse Meliann finalmente.
- Não tanto quanto você – respondeu Astreya sinceramente sem entender onde Meliann desejava chegar.
- Acho que compreendo agora por que Coran Bhael se recusou a atender o pedido de meu pai – disse Meliann com um tom de voz suave mas nitidamente perturbado – por que ele se recusou a se casar comigo.

Desta vez foi Astreya quem ficou muda. Ela já se sentia um tanto insegura e até mesmo intimidada diante da bela princesa de Sindhar. Aquela era provavelmente a mulher mais linda que Astreya já havia visto. A beleza de Meliann era um dos raros casos onde as canções dos bardos não exageravam nem um pouco. Estar diante de Meliann e saber que Thingol havia cogitado a união dela com Coran deixou a barda completamente perplexa.
Notando o desconforto de Astreya, Evan colocou a mão no ombro da amiga e disse:
- Acredito que eu esteja sobrando nesta conversa. Tentarei conseguir informações sobre o exército de Sindhar o capitão da guarda, e encontro você dentro de uma hora.
- O nobre Bheleg não irá recebê-lo, bravo cavaleiro – disse Meliann a Evan.
- Por que sou um “meio humano”, não? – respondeu o paladino sem hostilidade na voz.
- Vocês não têm direito de nos julgar, nobre paladino – respondeu Meliann de maneira extremamente cortês – não sabem o que foi tirado de meu pai e de meu povo.
- Então, com sua licença – respondeu Evan fazendo uma mesura para cortar o assunto enquanto se virou e caminhou para fora da praça.
- Eu... – disse Astreya – eu não sabia disto. O rei Coran não havia dito nada sobre o que ele e Thingol discutiram semanas atrás.
- Vocês são amantes? – perguntou Meliann bruscamente, irritada pela maneira como Evan a havia ignorado.
- Com todo respeito - disse Astreya aborrecida com a pergunta – isso não lhe diz respeito, vossa alteza.
As duas bardas se encararam por alguns poucos segundos, até que Meliann instintivamente baixou o olhar. Apesar de delicada e gentil, Astreya já vira algumas das coisas mais terríveis que o mundo tinha a oferecer, e Meliann percebeu naquele instante que uma mulher que sempre vivera cercada pela proteção do pai não poderia encarar os olhos de alguém como Astreya.
- Perdoe-me – disse Meliann com sinceridade – não quis ofendê-la. Apenas...
- Eu sei o que a recusa de Coran deve ter representado para seu pai, Meliann – disse Astreya gentilmente – mas lhe garanto que não sabia nada sobre isso.
- Mas se sente feliz por Coran ter recusado, não é? – perguntou Meliann.
- Sim – respondeu Astreya sem conseguir mentir – sim, eu me sinto.
- Eu a invejo, Astreya de Sírhion. Não pelo seu amado, mas por poder estar tão perto de alguém que ama.
- Existe algum homem a quem você entregou seu coração, Meliann? – perguntou Astreya descobrindo que agora sentia apenas pena, e não ciúmes da princesa de Sindhar.

Meliann baixou o olhar por um instante e depois, fitando os olhos de Astreya disse:
- Sim, Astreya de Sírhion. Há alguém que amo e que também me ama, mas infelizmente nossos deveres nos impedem de ficarmos juntos.
- E quem é essa pessoa, Meliann? – perguntou Astreya sentindo que a princesa realmente queria conversar um pouco sobre aquilo. Para a meio elfa, duas pessoas que se amam jamais deveriam ficar separadas, e ela sabia como as obrigações de Coran mantinham os dois a uma relativa distância. Neste momento, Astreya percebeu que o que sentia de verdade por Meliann era simpatia.

Antes que Meliann pudesse responder a pergunta de Astreya, uma voz ecoou alta e debochada das portas do palácio dourado.
- Por Corellon, Astreya – disse Aramil se aproximando – pare de incomodar a princesa com suas tolices sentimentais.
Astreya olhou com raiva para Aramil, mas Meliann desviou o olhar e foi tomada por um grande sentimento de vergonha.
- Onde está meu pai lorde Aramil? – perguntou Meliann tentando desviar o assunto– a reunião de vocês já terminou?
- Sim, vossa alteza – respondeu Aramil fazendo uma reverência – logo partiremos.
- Para onde? – perguntou Astreya ainda zangada com a indiscrição do mago.
- Darakar – disse Aramil – para o claustrofóbico e sujo reino dos anões.

Neste momento, Coran deixou o palácio e se aproximou de todos eles. Seu semblante era tenso e preocupado, como se o rei sentisse que o peso do mundo pairava sobre suas cabeças, e que estivesse a ponto de cair violentamente...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Winter is coming"

A frase acima não me sai da cabeça desde que assisti os episódios iniciais da excelente série Game of Thrones. E como a música é um de meus grandes interesses, não pude deixar de notar no belo tema feito para embalar a abertura deste interessante história de George R.R. Martin que está sendo contada pelo oráculo HBO. Composto por Ramin Djawadi, essa mistura entre instrumentos de corda de som mais grave que bem representam a terra do norte, e outros de som mais agudos é deveras bela (podem ser violoncelos com violinos, mas meu alter-ego não tem a perícia para reconhecer que tipo de instrumento está sendo tocado exatamente). E por favor, se apreciarem a versão original, façam-me o favor de ouvir a incrível "versão metal" que encontrei e postei logo abaixo.





sexta-feira, 13 de maio de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 2)


E já que o blogger resolveu retirar minha última postagem, aqui vamos de novo... espero que aproveitem este novo capítulo das Crônicas de Elgalor, nobres visitantes!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 2)

Por ODIN.

Coran Bhael, acompanhado de Astreya e Evan foram teletransportados pelos magos reais de Sírhion para o reino de Sindhar, lar dos altos elfos, onde o rei de Sírhion e sua pequena comitiva se encontrariam com o Grande Rei Thingol Shaeruil para decidir qual seria a postura dos elfos diante o desafio de Skarr.

Ao chegar nas portas do Palácio Dourado de Sindhar, guardas élficos trajados com belas cotas de malha douradas e mantos azuis fizeram uma reverência à Coran Bhael, mas barraram sua entrada no palácio.
- O Grande Rei Thingol Shaeruil está a minha espera – disse Coran diplomaticamente, já sabendo qual era o real problema.
- Apesar de tua recusa em unir as casas de Sindhar e Sírhion em uma grande família ter nos causado grande tristeza – respondeu um dos guardas de forma extremamente polida – o senhor pode adentrar esta palácio sempre que desejar. No entanto...
- Apenas aqueles de sangue élfico puro podem pisar neste local sagrado – completou Aramil, que acabara de se teletransportar ao lado dos guardas, causando um instante de grande surpresa em todos ali.

- Astreya é minha trovadora real, e Evan em breve será nomeado capitão do castelo de Sírhion – insistiu Coran – Não há por que barrar suas presenças.
- Não estamos discutindo valor ou merecimento aqui, vossa majestade – disse Aramil fazendo uma mesura e tomando cuidado com o que dizia – é a tradição. É a lei. Na verdade, pouquíssimos são os meio humanos que já puderam sequer colocar os pés dentro de Sindhar.
- Nós compreendemos – disse Evan – esperaremos aqui.
- E tomaremos cuidado para não causar nenhum desconforto ou problemas mesmo aqui fora, lorde Aramil – disse Astreya fazendo uma reverência imitando o cinismo do amigo mago.
- Conto com isso – respondeu Aramil com um leve sorriso.
- Serei breve – interrompeu Coran olhando para Astreya e Evan enquanto entrava no palácio junto com Aramil – me perdoem.

O rei e o mago adentraram um vasto e iluminado salão repleto de colunas feitas com belas e vigorosas árvores, onde o chão era feito do mais puro mármore e as paredes construídas com pedra da lua, prata e ouro.
- Se o senhor me permite – disse Aramil à Coran enquanto ambos caminhavam nos vastos corredores do palácio dourado de Thingol.
- Não permito – respondeu Coran abruptamente – não aprecio a maneira como você trata lady Astreya ou seus demais companheiros, Aramil.
Antes que Aramil pudesse dar sua resposta, ambos viram a jovem Meliann, a linda princesa de Sindhar, se aproximando ao encontro deles. Ela trajava um belo vestido cor de pérola e mantinha seus longos cabelos dourados presos com um enfeite feito com safira. Como de costume, ela carregava consigo sua ornada harpa de prata.
- Meus cumprimentos – disse Coran à princesa enquanto ele e Aramil faziam uma reverência.
- Sejam bem vindos ao palácio de meu pai – respondeu ela com cortesia devolvendo a reverência para Coran – ele os aguarda.
- Pensei que iria participar desta reunião, vossa alteza – disse Aramil.
- Eu ia, nobre arqui-mago – respondeu Meliann – mas meu pai não se agradou muito com a idéia desde o início. Além disso, há uma pessoa lá fora com quem desejo conversar.

Coran e Aramil fizeram mais uma reverência e seguiram até a sala do trono. Quando chegaram lá, o altivo e belo Thingol Shaeruil estava de pé, usando seu longo manto verde com runas douradas e seu cajado com sete pedras mágicas; ornamentos que o nobre rei usava apenas quando ia para o campo de batalha. Ao ver isso, Coran já pôde imaginar qual seria o posicionamento de Thingol.
- Está vestido para a guerra, nobre Thingol Shaeruil – disse Coran fazendo uma reverência.
- Estamos diante de uma, não estamos? – respondeu Thingol friamente.
Coran levantou a cabeça e olhou profundamente nos olhos claros e frios de Thingol. O Alto rei dos elfos ainda não o “perdoara” por sua recusa em casar com sua filha Meliann e unir os dois reinos sob um mesmo brasão. Contudo, devido ao comentário do guarda nas portas do palácio, Coran não estava surpreso.

- Imagino que lorde Aramil o tenha informado sobre tudo – disse Coran.
- De fato – respondeu Thingol – e recebi também uma mensagem do rei anão Balderk I para realizarmos uma conferência em Darakar sobre como iremos agir diante do desafio do capacho de Gruumsh. Concordei em encontrá-lo em seus domínios assim que resolvêssemos nossa contenda.
- Este será um duelo entre guerreiros, Thingol – disse Coran deixando de lado as formalidades – seria mais sábio que eu ou Bheleg lutássemos representando os elfos.
- Tem certeza que deseja me oferecer conselhos sobre o curso de ação mais sábio a se tomar, rei de Sírhion – disse Thingol friamente – Quer realmente falar sobre sabedoria e discernimento quando tuas ações demonstram o contrário?
- Já pensou o que sua morte causaria ao povo de Sindhar, Thingol? – respondeu Coran ignorando a provocação do rei de Sindhar – O que isso causaria aos elfos?
- Independente de como você maneja sua espada, filho de Bremen Bhael – respondeu Thingol com a habitual frieza e eloqüência – eu já lutava por nosso povo muitos séculos antes de você nascer. Supondo que este orc imundo tivesse a capacidade de tirar minha vida, ele certamente faria o mesmo com a sua.
- Além do mais – continuou Thingol antes que Coran pudesse falar – Eu sou o Alto Rei de nossa raça, e é meu dever ficar a frente de meu povo. Como exemplo e neste caso, como campeão. A única coisa que você pode fazer para lutar em meu lugar seria assumir meu posto.
- Por maior que seja minha estima por você e por Meliann, não volto atrás naquilo que já disse antes – respondeu Coran sabendo para onde Thingol estava direcionando a conversa – Não me casarei com sua filha.

- Neste caso – respondeu Thingol friamente – nossa contenda está decidida. Reúna seus “conselheiros” e prepare-se, pois em duas horas iremos para Darakar.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Canção do dia

Olá nobres amigos e visitantes. Peço perdão pela falta de pergaminhos em meu Cancioneiro, e prometo-vos que logo voltarei ao meu ritmo natural, que já tem sido vagaroso...

Nesta tarde, trago-vos apenas uma canção para animar vossos ânimos, do novo álbum de Loreena Mckennitt (que logo quero adquirir). Espero que gostem desta espirituosa canção tradicional irlandesa.





As I Roved Out - Loreena Mckennit

sábado, 30 de abril de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 1)


Saudações, caros visitantes e aventureiros! Hoje iniciamos mais um capítulo das Crônicas de Elgalor, no qual finalmente acontece a Guerra dos Reis, um episódio tenso de nossas histórias. Espero que apreciem, e boa leitura!

Que os ventos da boa fortuna vos acompanham sempre!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 1)


Por ODIN.

Após deixarem a Torre do Desespero e as Terras Sombrias com o auxílio da magia de Aramil, o grupo se dividiu para conseguir entregar a tempo a mensagem deixada por Skarr, o arauto de Gruumsh; Skarr desafiara os grandes reis dos elfos e anões para um combate homem contra homem em nome de seu deus maligno. Se os elfos e anões vencessem, Gruumsh interromperia seu plano de trazer seus avatares a Elgalor. Se os reis fossem derrotados, os avatares de Gruumsh conseguiriam finalmente chegar ao plano material. Os reis teriam três dias para serem informados e aceitar o desafio, e Gruumsh sabia que em nome da honra, eles jamais o recusariam; agora restava apenas que os reis recebessem o comunicado e tocassem as cornetas negras que Skarr dera a Astreya e Hargor para que o torneio começasse.

Astreya, Aramil, Tallin e Evan foram para Sírhion, pois após muita discussão, Astreya convencera Aramil de que o rei élfico Coran Bhael deveria ser informado antes do Grande Rei dos elfos, Thingol Shaeruil. Hargor, Oyama e Bulma rumaram para Darakar, o reino dos anões, onde Hargor entregaria a Balderk I, o Grande Rei dos anões, a corneta de Skarr.

- Você está apenas nos fazendo perder tempo, meio humana tola – disse Aramil a Astreya enquanto eles, Tallin e Evan caminhavam até o palácio do rei Coran – Coran Bhael não poderá lutar. Ele não é o grande rei dos...
- Você já disse isso várias vezes, Aramil – interrompeu Astreya - e eu já lhe disse que todas as vezes que nós precisamos de qualquer tipo de ajuda, foi Coran quem nos estendeu a mão, não o rei Thingol.
- “Coran” – repetiu Tallin com um sorriso malicioso no rosto.
- Vocês entenderam! – respondeu Astreya envergonhada – o Rei Coran Bhael sempre foi muito generoso conosco, e seria errado simplesmente ignorá-lo e entregar a corneta ao rei Thingol Shaeruil.
- Claro que entendemos – disse Aramil sarcasticamente – mas isso não mudará em absolutamente nada como as coisas transcorrerão.
- Chega desta discussão sem sentido – disse Evan quando o grupo chegou às portas do palácio real de Sírhion e foram saudados pelos guardas – vamos informar o rei Coran sobre o que aconteceu nas Terras Sombrias e depois deixar que ele e Thingol Shaeruil decidam qual dos dois irá lutar contra Skarr.

Após entrarem e serem anunciados, o rei Coran Bhael prontamente recebeu os aventureiros, pois Aramil já enviara uma mensagem aos magos de Sírhion explicando que eles viriam e traziam uma notícia muito importante. Quando o rei entrou na sala de reuniões do palácio, todos se curvaram em reverência, e como de costume, Coran pediu rapidamente para que eles se levantassem.
- Primeiramente, caros amigos – disse o rei – muito me alegra saber que estão todos bem. Têm certeza que não desejam descansar um pouco antes de conversarmos?
- Não é necessário, vossa majestade – disse Astreya fazendo mais uma reverência para tentar disfarçar a alegria que sentia ao vê-lo mais uma vez – nosso assunto é deveras urgente.

Astreya, como trovadora real de Sírhion e porta voz do grupo, explicou ao rei Coran toda a situação; o desafio de Skarr aos grandes reis dos elfos e anões, o fato de cada um deles poder nomear um campeão para lutar em seu lugar, e também que caberia aos elfos e anões decidirem onde o combate aconteceria, contanto que isso fosse feito dentro de três dias.
- Entendo... – disse o rei Coran enquanto ouvia atentamente as palavras da barda – Gruumsh sabia que não recusaríamos e que não enviaríamos campeões para lutar no lugar dos reis. Este duelo lhe dá a possibilidade de finalmente conseguir a cabeça de um rei para completar seu ritual de invocação.
- Por isso que acho que deveríamos mandar um campeão no seu lugar, vossa majestade – disse Astreya tentando persuadir o rei, mas já sabendo qual seria a resposta.
- Isto está fora de questão, Astreya – respondeu Coran – mas há uma decisão importante que nós elfos devemos tomar.
- Precisamente, vossa majestade – disse Aramil fazendo uma reverência – e como sabes, esta decisão deve ser tomada em Sindhar, junto do Alto Rei Thingol Shaeruil. Por maior que seja a estima que nutro por vossa majestade, sei que a primazia do combate nestas situações pertence sempre ao Grande Rei.
Astreya olhou de maneira fulminante para Aramil naquele momento e se deu conta que o mago já tinha tudo planejado desde o início.
- Mas o nobre rei Thingol Shaeruil – disse Astreya tentando enfraquecer os argumentos do mago – é um arqui mago, e esta será uma batalha de guerreiros. Considerando o que há em jogo...
- Isto é irrelevante, lady Astreya – disse Aramil de forma muito polida apenas por saber que o rei Coran nutria grande simpatia pela meio elfa - Mesmo o rei Coran Bhael sendo o maior guerreiro de nosso povo, a decisão de quem há de lutar ainda pertence ao Alto Rei Thingol Shaeruil.
- Você tem razão, lorde Aramil – disse Coran após um instante de silêncio – peço que parta para Sindhar agora e informe o rei Thingol Shaeruil de que estarei lá dentro de duas horas.
- Agora mesmo, majestade – respondeu Aramil fazendo uma última reverência, e depois se retirando da sala de reuniões para se teletransportar para Sindhar.
Astreya se virou para ir atrás do mago, mas Evan a deteve segurando seu braço.
- Não – sussurrou o paladino – esta não é uma decisão que deva ser tomada por nós, e qualquer insistência sua irá prejudicar o rei Coran. Agora, só nos resta aguardar.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Os Pilares da Terra

Boa noite, caros visitantes. Nesta noite venho trazer-vos uma bela canção mas também indicar uma emocionante saga: Os Pilares da Terra. Recentemente, consegui assistir a série de mesmo nome que é uma adaptação de um livro do autor Ken Follet, lançado em 1989. Os Pilares da Terra é uma emocionante história que acompanha a construção da primeira catedral gótica do Reino Unido, e portanto, das pessoas envolvidas nas intrigas, corrupções, amores e batalhas que cercaram a história da belíssima catedral de Kingsbridge.

Indico a série (e também o livro, embora não o tenha lido) para todos aqueles que apreciam histórias passadas no período medieval, ou que simplesmente gostem de boas histórias!

E agora deixo-vos com o tema musical de abertura da série, composta por Trevor Morris...



E também o trailer, para instigar vossa curiosidade:



Que bons ventos vos acompanhem, nobres aventureiros!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VII: A Torre do Desespero (parte 10)


Boa noite, caros amigos! Peço desculpas pela demora em publicar um novo pergaminho, mas digo-vos que a espera valeu a pena: um novo capítulo das Crônicas de Elgalor foi finalmente criado, e aqui estou para recitá-lo a vós todos.

Boa leitura, e que os ventos da paz e prosperidade sempre vos acompanhem, nobres aventureiros!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VII: A Torre do Desespero (parte 10)

Por ODIN.

Assim que a lança sagrada de Evan atingiu a garganta de Thurxanthraxinzethos, o meio dragão explodiu, envolvendo todo o escuro salão em um enorme clarão de fogo e morte.

As paredes e o teto do local ruíram por causa da explosão, e o barulho que as pedras fizeram ao cair no chão foi o último ruído que se ouviu naquele local por um longo período.

Após algumas horas, as pedras se moveram, e um corpo se levantou.
- Por Moradin - disse Hargor para si mesmo enquanto tentava retirar os escombros para desenterrar seus companheiros – se não fosse a proteção mágica do elfo, teríamos sido totalmente carbonizados.

Hargor estava todo queimado e com diversos hematomas pelo corpo; várias de suas costelas estavam quebradas, mas ele sabia que não haveria tempo para cuidar disso agora. O anão cavava ferozmente com as mãos, afastando os mais mórbidos pensamentos que insistiam em vir a sua mente.
- Considerando que eu estou vivo, Oyama e Bulma provavelmente sobreviveram – pensava o anão – mas Astreya, Tallin e Aramil provavelmente...
- Cala-te! – grunhiu Hargor furiosamente para si mesmo – apenas cave!

Após cerca de vinte minutos, Hargor viu uma porção de pedras se levantando do outro lado do salão. Era Bulma.
- Fico feliz em vê-la viva, bárbara – disse o anão continuando a retirar as pedras – se puder carregar algum peso, me ajude. Temos que encontrar os outros.
- Eles merecem um enterro digno – respondeu a bárbara com o rosto coberto de sangue - eu não sabia que meio dragões explodiam.
- Eles não explodem – respondeu Hargor – era uma armadilha. Mais uma armadilha.
Quando terminou de dizer isso, Hargor encontrou o corpo de Oyama, que estava virado de costas. Sua coluna parecia ter sido severamente fraturada com o impacto das rochas.
- Me ajude a tirá-lo, Bulma – gritou Hargor.
- Sim – respondeu a meio orc se aproximando e retirando algumas pedras mais pesadas, enquanto Hargor erguia o corpo de Oyama.
- Ele está vivo? – perguntou Bulma secamente.
- Sim – respondeu Hargor – ele se tornou muito forte durante os anos em que permaneceu junto a meu povo...
- Olhe! – interrompeu Bulma assim que Hargor retirou o corpo de Oyama.

Abaixo do corpo do monge estavam Astreya e Aramil. Ambos estavam desacordados e consideravelmente queimados, mas não havia fratura alguma em seus corpos.
- Guerreiro até o fim, não é, Oyama? – disse Hargor satisfeito.
- Parece que não vamos nos livrar tão cedo do mago – disse Bulma com uma gargalhada.
- Espero que não – respondeu Hargor pensando em tudo o que passaram naquele dia – se não fosse por ele, todos estaríamos com nossos deuses agora. Vamos procurar Evan e Tallin. Oyama, Astreya e Aramil resistirão.

Após mais uma hora, Bulma encontrou o corpo de Evan soterrado, protegendo o de Tallin da mesma forma que Oyama protegera Astreya e Aramil. A bárbara olhou para o paladino que parecia ter sido esmagado pelo martelo de um gigante do fogo e por um momento, sentiu vergonha de si mesma por não ter sequer pensado em proteger alguém na explosão. A única coisa que passava por sua cabeça no momento era arrancar a cabeça de Thurxanthraxinzethos usando seus dentes.

Hargor prestou os primeiros socorros em todos eles, e após mais uma hora, todos estavam despertos, apesar de Oyama e Evan não conseguirem sentir suas pernas.
- Esta foi dura – disse Oyama sem se preocupar muito, pois sabia que assim que os poderes de Hargor retornassem, ele seria plenamente curado – Não sabia que meio dragões explodiam...
- E não explodem, tolo – respondeu Aramil colocando a mão sobre a cabeça – É incrível como a capacidade mental de vocês humanos sempre consegue descer a novos níveis de...
- Cale a boca, Aramil! – interrompeu Astreya furiosa – ele salvou sua vida! Você deveria no mínimo agradecê-lo!
- Me agradecer? – gargalhou Oyama – Não, não, Astreya, ele não me deve nada. Eu pulei para salvar você. O Aramil só deu sorte de estar por perto.
- Mesmo assim... – continuou a barda.
- Pessoal – disse Evan se levantando – sei que temos que agradecer uns aos outros por estarmos vivos, e ainda vamos ter uma conversa séria sobre a maneira como alguns aqui se atiraram como loucos sobre “Thurxanthraxinzethos”, mas temos algo a fazer.
- Na verdade, não temos mais – disse Aramil – O Tomo dos Cânticos Profanos deveria estar aqui, no último nível da torre. Antes que Oyama e Bulma perguntem, sei que este é o último nível simplesmente porque não temos teto algum sobre nós.

O céu nas terras sombrias era tão escuro que era de fato difícil distingui-lo do teto frio e sombrio que cobria a torre. Hargor começou a se concentrar, e após alguns segundos, disse:
- Nobre Moradin, pai de todos e senhor da forja, responde teu humilde servo. O Tomo que buscamos foi destruído junto com a torre?
Após um minuto de total silêncio, Hargor disse:
- A resposta foi “não”, mas que ele foi lacrado.
- Como? – perguntou Aramil – pouquíssimos sabem o ritual de selamento além de nós. Quem poderia ter feito isso?
- O Rei Dragão – respondeu Hargor – O porquê eu não sei.
- Não faz sentido nenhum – disse Astreya – tudo o que passamos para conseguir entrar na torre e selar o tomo... foi tudo em vão?
- Eu estive pensando.... – disse Tallin – se o tal Thurxanthraxinzethos é tão poderoso assim, e se o Rei Dragão que aparentemente representa o grande mal desta era realmente queria proteger o tomo, por que ele não enviou o verdadeiro Thurxanthraxinzethos para protegê-lo junto com o demônio que enfrentamos?

Mais um momento de silêncio foi feito. Aramil, em particular, ficou bastante perturbado por não ter nenhuma resposta para a questão. Todavia, esta era uma pergunta que precisaria esperar para ser respondida, pois os heróis ainda precisavam avisar o Grande Rei dos anões e dos elfos sobre o desafio de Skarr, o arauto de Gruumsh.

A batalha sangrenta que seria eternamente lembrada em todos os cantos de Elgalor estava prestes a eclodir. A “guerra dos reis”, como dirão os bardos no futuro, se aproximava.