Bem-vindos!

Bons amigos, valorosos guerreiros da espada e da magia, nobres bardos e todos aqueles com quem tiver o prazer de cruzar meu caminho nesta valorosa, emocionante e por vezes trágica jornada em que me encontro! É com grande alegria e prazer que lhes dou as boas-vindas, e os convido a lerem e compartilharem comigo as crônicas e canções que tenho registradas em meu cancioneiro e em meu diário...Aqui, contarei histórias sobre valorosos heróis, batalhas épicas e grandes feitos. Este é o espaço para que tais fatos sejam louvados e lembrados como merecem, sendo passados a todas as gerações de homens e mulheres de coração bravo. Juntos cantemos, levando as vozes daqueles que mudaram os seus destinos e trouxeram luz a seus mundos a todos os que quiserem ouvi-las!Eu vos saúdo, nobres aventureiros e irmãos! Que teus nomes sejam lembrados...
(Arte da imagem inicial por André Vazzios)

Astreya Anathar Bhael

domingo, 24 de julho de 2011

Evan escreve, Bulma desenha!

Saudações, caros amigos. Neste final de domingo (início de segunda, para vos ser sincera) venho trazer uma agradável novidade. É com grande prazer que apresento o blog de nossa cara amiga Angela, uma das ilustradoras do ASGARD RPG e o alter-ego de Bulma, ilustre personagem das Crônicas de Elgalor. Confiram o talento de nossa cara desenhista e companheira de aventuras clicando AQUI. Ela e nosso amigo Thales, alter-ego do paladino Evan, nos brindam com seus quadrinhos contando a história de um divertido monstro do armário e seu amigo humano.

Assim como quando nosso amigo Mário começou o excelente O Blog Xadrez, posso dizer que tenho orgulho de possuir tantos amigos talentosos, incluindo também nosso paciente ilustrador e diagramador André "Frodo" Bacchi. Parabéns a estes que sabem utilizar o seus dons com muito esforço e dedicação e nos brindam com cores e formas neste mundo por vezes cinza!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 7)


Saudações, amigos! Esta noite, trago-vos mais uma emocionante parte das Crônicas de Elgalor! Espero que apreciem e boa leitura!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 7)

Por ODIN.

O clima era de tensão absoluta no Vale do Escudo Partido; Skarr havia surgido, e trazia consigo milhares de guerreiros orcs, que ocupavam todo o flanco norte do local. Os Guerreiros Dourados de Sindhar, os Cavaleiros da Lua de Sírhion e a Guarda do Trovão de Darakar ocupavam todos os outros flancos do vale, mas ainda eram inferiores em número aos guerreiros de Skarr.

- Para o seu próprio bem, cão – disse Balderk encarando Skarr nos olhos – é bom que seu machado seja mais preciso do que seu cuspe.
- Fale bravamente enquanto pode, nanico! – rosnou Skarr se aproximando lentamente – quando eu acabar com você, não vai sobrar sequer ossos para os ratos roerem, e eu mesmo vou devorar sua carne e beber de seu sangue!
Os orcs vibraram com as palavras de Skarr, e começaram a rir, gritar e tocar tambores de guerra em uma melodia perturbadora e macabra. Skarr continuou se aproximando lentamente de Balderk, até que ambos ficassem a menos de três metros um do outro. O rei dos anões era robusto e vigoroso, mas Skarr tinha uma constituição física quase tão densa quanto a do rei dos anões. Além disso, com seus dois metros e meio, tinha cerca de um metro de altura a mais do que Balderk.
- Tão pequeno... – provocou Skarr com um sorriso macabro no rosto repleto de cicatrizes – quase dá pena... QUASE.
- Não se preocupe com a diferença de altura – respondeu Balderk de maneira calma e fria, fitando desafiadoramente os olhos de Skarr – dentro de alguns instantes, deceparei suas duas pernas, e teremos o mesmo tamanho.
- Falar é fácil, anão tolo – rosnou Skarr girando seu enorme machado de lâmina sangrenta no ar.
- Então cale essa boca imunda e vamos logo ao que interessa! – rosnou Balderk erguendo seu machado e preparando seu escudo.

Neste momento, um círculo vermelho se formou ao redor dos dois, formando uma área de 10 metros de raio. Em seguida, uma redoma transparente começou a se formar, e quando ela se completou, adquiriu uma coloração prateada. Thingol, que estava fora da barreira deu um passo para trás, em silêncio absoluto.
- Espere um pouco, rainha élfica – gargalhou Skarr – assim que eu devorar este porco que pensa ser um javali, arrancarei suas vísceras delicadas e as darei a meus lobos!
Thingol simplesmente ignorou Skarr com um desprezo e indiferença tão grande que o orc ficou extremamente irritado. A arrogância dos elfos sempre o enfureceu, e aquele lhe parecia, sem sombra de dúvida, o elfo mais arrogante daquele mundo.

- Esta barreira prateada... – disse Astreya a seus amigos e a Coran – indica que nossos deuses também estão aqui, não é?
- Sim – respondeu uma voz suave e delicada vinda de trás.
- Meliann? – disse Coran surpreso ao ver a princesa de Sindhar junto do capitão Bheleg naquele local – vossa alteza não deveria estar aqui.
- Eu não podia deixar de vir, rei Coran – respondeu ela fazendo uma mesura – não quando meu pai está correndo um risco tão grande.
- Por opção dele – atreveu-se Tallin.
- De qualquer modo – começou Bheleg fulminando Tallin com um olhar – a princesa Meliann realmente não deveria estar aqui, mas...
- Se porventura meu pai for derrotado – disse ela quase desmaiando ao considerar a possibilidade da morte do querido pai – eu terei o dever de guiar nosso povo, e não teria coragem de encará-los se não fosse mulher o bastante para vir até aqui.
- Eu entendo – disse Astreya – faria o mesmo no seu lugar.
- Mas por que vocês estão aqui, e não com as forças de Sindhar? – perguntou Evan.
- Eu tenho que discutir algumas coisas com o rei Coran, e Meliann insistiu para vir junto – respondeu Bheleg quando um trovão rasgou o céu.
Como que fascinados por magia, todos os presentes no Vale do Escudo Partido olharam para a redoma no mesmo instante, e viram que o combate havia começado.

Skarr gritou ferozmente, e seus músculos cresceram de forma assustadora. Seu rosto quase se desfigurou tamanha a fúria e ódio que agora o dominavam, e ele saltou sobre Balderk brandindo seu machado profano com uma força que seria capaz de partir rochas assim como uma faca corta manteiga quente. Balderk habilmente se esquivou da primeira machadada, e bloqueou a segunda com seu pesado escudo. Quando o machado de Skarr atingiu o escudo de Balderk, um estrondo assustador pôde ser ouvido em todo o vale. A força do golpe, apesar de terrível, não foi capaz de desequilibrar a base de Balderk, que contra-atacou ferozmente fazendo um arco horizontal com seu machado no pescoço de Skarr. Movido por um instinto bestial forjado em centenas de batalhas, Skarr se esquivou por menos de um centímetro da lâmina de Balderk. O rei dos anões estava com o escudo pronto para atingir em cheio o rosto de Skarr, mas no último momento decidiu que aquele movimento deixaria uma brecha perigosa demais em seu flanco esquerdo, e que provavelmente não atordoaria aquele orc. Balderk se virou, posicionando-se no flanco direito de Skarr, que estava completamente aberto. Quando o anão desferiu seu golpe, viu o machado de Skarr girando novamente em sua direção, formando um arco vertical descendente, que tinha pouca precisão, mas possuía uma força avassaladora. Se ele bloqueasse com o escudo, não seria capaz de atacar. Confiando em sua armadura e na sua vasta experiência, Balderk deslizou um pouco para o lado esquerdo e golpeou as costelas de Skarr com toda sua força. O machado de Skarr desceu impiedosamente sobre o ombro de Balderk, criando uma rachadura na armadura e um corte profundo no ombro do rei. Imediatamente, Balderk percebeu que o machado de Skarr carregava algum tipo de veneno, pois sentiu a ferida queimar como se estivesse devorando sua carne. Balderk rangeu os dentes com força e sabia que aquele veneno seria capaz de derrubar um ogro, mas não o Grande Rei de Darakar. O machado de Balderk atravessou as costelas de Skarr com precisão cirúrgica, rasgando um dos pulmões do grande orc. Skarr urrou de dor, mas não parou seu assalto, e desferiu mais duas machadadas contra Balderk.

- Por... por Corellon... – disse Meliann tremendo compulsivamente – eu nunca pensei que...
- Calma – disse Bheleg segurando-a nos braços e virando o rosto da jovem – ele não chegará tão perto de seu pai.
Coran e Evan se entreolharam preocupados. Apesar de Balderk ser o guerreiro mais poderoso de Elgalor, Skarr definitivamente não era um orc qualquer.
- 50 peças no anão – Tallin falou subitamente – alguém cobre?
- Não é hora para isso! – explodiu Astreya se arrependendo logo depois, pois sabia que Tallin estava apenas tentando ajudar.

Sem perceber, Astreya segurou forte a mão de Coran naquele momento, enquanto olhava para Meliann. Ela tinha diversas razões em sua mente para sentir um certo ciúme da bela princesa, mas quando a viu com os olhos cheios de lágrimas e a maneira como ela havia se aconchegado nos braços de Bheleg, percebeu que não havia razão para tais sentimentos. E antes que percebesse, os braços de Coran já haviam suavemente envolvido seu corpo. Tallin olhou para os lados e notou que os elfos de Sírhion e de Sindhar estavam praticamente mudos, assim como Thingol Shaeruil, que parecia estudar cada movimento que Skarr fazia.

- Humph! – resmungou Elenna Aldalen para Aramil enquanto se esforçava para esconder o fato de suas pernas estarem tremendo – Rei Coran ou meu tio seriam capazes de derrotar facilmente esta besta, não acha, lorde Aramil?
- Não há porque pensar nisso, uma vez que nenhum deles cruzará espadas contra Skarr, Elenna – respondeu Aramil com indiferença.
- Mas ao contrário do que os humanos e anões tolos dizem, Balderk não é melhor do que os melhores guerreiros de nossa raça – respondeu Elenna com orgulho e uma certa dose de insegurança - Eles são muito mais ágeis, velozes e...
- Cale-se, criança – disse Aramil aborrecido – nosso representante é Thingol Shaeruil, o maior arquimago de toda Elgalor. E ele, ao contrário de você, está focado naquilo que realmente importa. Se encontrar seu tio, verá que ele também está quieto e prestando atenção a cada movimento que é feito na luta.
Elenna virou o rosto contrariada, pois esperava que Aramil, um dos mais xenófobos elfos de toda Sindhar, fosse apoiar sua causa. Quando conseguiu encontrar seu tio com o olhar, percebeu que ele abraçava Meliann, mas realmente observava cada movimento feito como se estivesse gravando-os. O rei Coran e até mesmo o meio elfo Evan também faziam o mesmo. Sem outra alternativa, ela cruzou os braços e, como os outros guerreiros de seu povo, também observou a luta em silêncio. Mas suas pernas ainda tremiam...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Feliz dia do amigo!

Olá, nobres aventureiros e viajantes! Novamente, chegamos ao dia do amigo, ou "dia do melhor amigo", e desejo a todos os nossos companheiros de jornada muita alegria, sucesso e tudo aquilo que for bom.

Que nossas mesas de RPG estejam sempre repletas de companheiros, e que nossas vidas sejam sempre aventuras acompanhadas destes irmãos de armas.

Para comemorar, uma canção que lembra-me este sentimento, diretamente da trilha sonora original de Conan, o bárbaro!

Desenho por Mario Boaventura Nakano, de um de nossos grupos de RPG. Não, meu alter-ego não era a barda, e sim a ladina de cabelos curtos!




domingo, 17 de julho de 2011

Imagens de "O Hobbit" - Anões, Bilbo e Gandalf

Para quem está com saudades dos filmes do Senhor dos Anéis e de toda a animação que suas estreias traziam, obviamente "O Hobbit" deve estar gerando grandes expectativas. O filme será dividido em duas partes, trazendo os subtítulos "An unexpected journey" e "There and Back Again". A história, pelo que parece, não contará apenas com o enredo leve e envolvente do livro, praticamente uma história infantil que o grande Tolkien realmente escreveu para seus filhos. Peter Jackson resolveu que ia trazer de volta Legolas com Orlando Bloom, e ainda não se sabe qual será o seu papel na trama, e também uma elfa inexistente em toda a mitologia de Tolkien que será interpretada por Evangeline Lilly (a Kate do finado seriado "Lost"), e espero eu que ela (e Legolas também) não esteja no filme apenas para enfeitá-lo forçadamente e embaralhar o enredo. Enfim, toques do senhor Jackson que eu particularmente não costumo apreciar, mas que não foram suficientes para impedir que os três filmes da trilogia "O Senhor dos Anéis" não estejam entre minhas películas favoritas.

Embora eu tenha apreciado as fotos que até agora vi da produção, pois os figurinos estão caprichados e a nostalgia de ver Gandalf e Bilbo na simpática casinha do hobbit tenha sido infinita, devo confessar que não adorei o estilo dos anões (de alguns deles, para ser sincera). Ainda assim, vale a pena vê-los e matar a curiosidade. Trago aqui fotos de Bilbo, Gandalf e do anão Thorin com todos os seus companheiros ao fundo, mas se quiserem ver os pequenos e valentes guerreiros anões em maiores detalhes, basta visitarem o excelente post do RPG Vale clicando aqui. De todos os anões, o que menos apreciei foi Kili, que parece um humano em miniatura além de parecer galã de novela. Quando o olhei, achei que ele seria Bard, na verdade, e não seria uma má caracterização do personagem, de fato. Enfim, são apenas detalhes, mas já que sou uma fã do universo de Tolkien e também dos filmes de Peter Jackson, meu intuito não foi ser imparcial. Confiram as imagens abaixo, e também o post do RPG Vale:



Clique nas imagens para aumentá-las! Que bons ventos os acompanhem, viajantes! (Aliás, este foi meu alter-ego humano a falar...)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mais uma chance de ganhar um ASGARD RPG só seu! - RPGames Brasil Invade Asgard!

Olá nobres visitantes e amigos! Você que gostaria de ganhar um exemplar do ASGARD RPG mas não conseguiu da primeira vez, tem mais uma chance! Porque Asgard invadiu a RPGames Brasil!

Loki, o deus trapaceiro, roubou um exemplar (do módulo Básico do ASGARD RPG) da Asgard Legends e o deu de presente ao gigante Skymir. O gigante então, colocou-se a lê-lo, sentado as portas de Asgard e impedindo que qualquer um consiga sair ou entrar. Odin convoca todos os heróis do RPGames Brasil para que recuperem o livro e retire o gigante das portas de seu reino. -

O prêmio é um exemplar do ASGARD RPG : Módulo básico.


Para participar do sorteio e entender as regras, CLIQUE AQUI.

Boa sorte a todos.

Para quem ainda não conhece o ASGARD RPG e sua editora, a ASGARD LEGENDS,CLIQUE AQUI.

sábado, 9 de julho de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 6)


Saudações, nobres companheiros! Odin voltou a seus salões já nos presenteando com um novo capítulo das Crônicas de Elgalor. Sem mais delongas, vamos ao que interessa!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 6)

Por ODIN.

Os dias restantes para o duelo contra Skarr passaram rapidamente, tanto para elfos quanto para anões. Por opção do Alto Rei Élfico Thingol Shaeruil, o rei de Eredhon, Thérion I não foi informado sobre o confronto, pois Thingol não desejava a interferência dos humanos, devido a uma experiência terrível que teve com eles séculos atrás. Em Sírhion, Coran e Astreya se falaram muito pouco, pois o rei esteve ocupado o tempo todo organizando seus Cavaleiros da Lua para um combate em larga escala que provavelmente ocorreria após os duelos, independente do resultado.

Logo pela manhã do dia do confronto dos reis contra Skarr, Astreya acordou cedo, e ainda em seus aposentos, fez uma longa oração a seus deuses, pedindo que tudo corresse bem e para que seu amado Coran não fosse ferido. Mesmo sabendo que Coran não lutaria, uma forte dor tomava conta do coração da barda, que por bem mais de uma vez tivera que conter suas lágrimas nos salões de Sírhion cada vez que via Coran ou quando ouvia sua voz.

- Há quanto tempo, lady Astreya - soou uma voz suave, porém firme pouco depois que Astreya terminara sua oração – Espero não estar interrompendo.

Astreya virou-se rapidamente, instintivamente levando a mão onde estaria o punho de sua espada. Ela quase gritou, quando viu a figura de um homem velho e imponente, trajado em um manto dourado e um turbante cor de areia.

- Senhor dos Ventos! – exclamou Astreya.

- Sim, Astreya, sou eu – respondeu o velho fazendo uma mesura – mil perdões por adentrar seus aposentos dessa maneira, mas preciso muito falar com você a sós.

- É claro, mas.... – hesitou Astreya por um instante – onde o senhor esteve todo esse tempo? Passamos por imensas dificuldades, e nosso amigo Erol...

- Está morto... – completou o Senhor dos Ventos com pesar em sua voz – Eu lamento muito por isso, mas como sabe, meu tempo entre vocês é extremamente limitado.

O Senhor dos ventos colocou a mão esquerda dentro de seu manto e tirou de lá uma pequena jóia branca como a neve.

- Vim lhe trazer isto – disse ele estendendo sua mão para que Astreya pegasse a jóia.

- O que é? – perguntou Astreya sentindo um grande poder mágico contido naquela pequena jóia.

- Aquilo que você precisar – respondeu o Senhor dos Ventos de forma séria e enigmática – Aquilo que você precisar, no momento em que você precisar.

- Se isto é tão poderoso – disse Astreya pegando a jóia enquanto tentava se manter calma – por que não nos deu isto antes?

- Porque se eu tivesse lhe dado a jóia quando vocês enfrentaram Thurxanthraxinzethos você a teria usado para salvar seu amigo, não é? – perguntou o Senhor dos Ventos com gentileza.

- Sim – respondeu Astreya com sinceridade.

- E neste caso – disse o Senhor dos Ventos baixando sua cabeça – estaríamos condenados ao final deste dia.

- Como assim?! – explodiu Astreya enquanto sentia um terrível calafrio percorrendo sua espinha – Vai acontecer algo terrível, não é? Skarr vai matar Thingol e Balderk?

- Talvez – respondeu o Senhor dos Ventos – mas isso não é o pior.

Astreya sentiu que suas pernas começaram a tremer, mas forçou-se a permanecer firme.

- É muita responsabilidade – disse ela olhando para a jóia – entregue-a a Aramil ou a Hargor...

- Apesar de Aramil e Hargor serem mais experientes e mais velhos do que você – disse o Senhor dos Ventos gentilmente colocando a mão no ombro de Astreya – apenas você possui a energia certa e na intensidade capaz de ativar o poder da jóia.

- Que energia é esta? – perguntou Astreya.

- Amor – respondeu o Senhor dos Ventos.

- Mas devo avisá-la... – continuou o senhor dos Ventos – que você não deve usar a jóia de forma egoísta.

- Eu jamais usaria ela para proteger apenas minha própria vida – retrucou a barda com convicção, mas internamente temendo muito o sentido oculto nas palavras do senhor dos Ventos.

- Há outros tipos de egoísmo, criança – respondeu ele – e creio que sabe disso.

Após proferir estas palavras, o Senhor dos Ventos desapareceu do quarto de Astreya. A barda ficou alguns momentos olhando inerte para a pequena jóia, até que ouviu alguém bater à sua porta.

- Quem é? – perguntou a barda educadamente enquanto guardava a jóia.

- Coran – respondeu a voz do outro lado.

Astreya correu e abriu a porta, fazendo uma mesura delicada.

- Em que posso ajudá-lo, Coran? – perguntou a barda.

- Logo partirmos, Astreya – respondeu o rei, que já estava trajando sua bela armadura de combate azul e prateada – você parece preocupada. Mais do que eu esperaria.

Astreya baixou a cabeça e seus olhos começaram a verter pequenas lágrimas enquanto a barda tentava decidir se contava algo a Coran.

- Tudo ficará bem – disse ele gentilmente limpando as lágrimas da barda com seu dedo enluvado e beijando suavemente seus lábios - Tudo ficará bem.

Astreya o abraçou com toda a força de seus braços e ambos permaneceram daquela forma por alguns instantes, até que Coran beijou sua testa e deixou-a sozinha no quarto para que ela vestisse sua armadura, e foi exatamente isso que Astreya fez; vestiu sua armadura, pegou seus itens e armas e repetiu dúzias de vezes as palavras de Coran: “Tudo ficará bem”.

As horas passaram rapidamente. Em pouco tempo, Astreya, Evan e Coran estavam no Vale do Escudo Partido, um vale gigantesco cercado por dezenas de montanhas. Aquele local já fora palco de uma batalha que envolveu mais de dois mil elfos e anões lutando contra cerca de seis mil orcs e seu último rei demônio, derrotado por Balderk I em combate singular. A batalha de hoje teria uma escala infinitamente menor, mas seria de igual importância para o destino dos povos livres de Elgalor. No flanco leste da região, estavam alojadas as tropas de Sírhion, local onde Coran, Evan e Astreya estavam. Ao lado deste flanco, mais ao norte, estavam as forças de Sindhar, lideradas por Bheleg Aldalen. Astreya notou com preocupação e surpresa que a princesa Meliann também estava lá, ao lado de Aramil, Tallin e de sua melhor amiga, a sobrinha de Bheleg, Elenna Aldalen. Ao sul das forças de Sírhion, estava a guarda de elite de Darakar, a temida Guarda do Trovão. Com eles estavam Hargor, Oyama, Bulma e Dúrin, o filho mais velho de Balderk, também conhecido como o Leão de Darakar. Conforme combinado, a maior parte das forças de Darakar e todos os elementais que serviriam Thingol estavam completamente ocultos. As forças dos três exércitos somados formavam um contingente de cerca de mil e quinhentos homens, mas não ocupavam nem um terço da planície.

No centro do vale estavam apenas Balderk I e Thingol Shaeruil, cada um com uma das cornetas negras dadas por Skarr aos heróis de Elgalor. Balderk trajava sua bela e poderosa armadura completa de batalha, um escudo grande habilmente ornado com o símbolo de um martelo e um trovão e seu machado, o Arauto das Tempestades. Thingol vestia um belo manto élfico verde claro com diversas runas douradas que lhe conferiam enorme proteção mágica. Em sua mão direita, o Alto Rei dos elfos carregava o Cajado do Sol e das Estrelas, o mais poderoso artefato de Sindhar, criado por ele próprio.

Apesar do enorme contingente de guerreiros ali presente, era possível ouvir o som do vento frio que soprava naquela região. O silêncio era quase absoluto. Balderk olhou para Thingol, deu um passo à frente e disse:

- Vamos acabar logo com isto! – Nisso, o Grande Rei dos anões soprou a corneta negra com toda a força de seus poderosos pulmões.

Neste momento, parecia que até o vento havia parado de soprar, mas nada aconteceu. De repente, rápido como um piscar de olhos, um gigantesco portal cor de sangue e fogo se abriu no chão na porção norte do vale, e dele surgiram milhares de guerreiros orcs, todos fortes, usando elmos fechados e armaduras negras, carregando enormes machados de lâmina dupla e lanças serrilhadas. Eles berravam e rosnavam, e alguns inclusive tocavam tambores de guerra. Aramil teve a impressão de contar cerca de quatro mil orcs, que preencheram completamente o flanco norte do vale.

A frente deles, surgiu um orc gigantesco e extremamente forte, de pele cinzenta coberta por dezenas, talvez centenas de cicatrizes. Seus olhos eram vermelhos como sangue fresco, e suas presas, afiadas como as de um lobo. Ele carregava consigo um enorme machado de lâmina negra que continuamente respingava um sangue fétido e viscoso, e trajava um grande cinturão e uma manopla repleta de espinhos, ambos feitos de uma espécie de ferro negro como a noite. Ele avançou até chegar a cerca de dez metros de Balderk. E com uma gargalhada sádica, cuspiu na direção do rei anão.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Divulgação: Sorteio de dois exemplares de Asgard RPG e a Segunda Guerra de Asgard

Saudações, caros viajantes! Como alguns de vocês devem saber, Odin, do blog Halls of Valhalla desenvolveu um sistema de RPG baseado na mitologia nórdica, juntamente a André "Frodo" Bacchi, nossos amigos e também companheiros de blog!

Os interessados podem agora participar de um sorteio que ocorrerá no blog de Odin, participando com comentários e bravatas da Segunda Guerra de Asgard! Basta clicar aqui e fazer parte dessa batalha, e vocês já estarão concorrendo automaticamente a um exemplar desse belo trabalho!

Boa sorte e que os ventos da fortuna estejam convosco!


terça-feira, 28 de junho de 2011

Trilhas Sonoras Antigas I - Miklos Rozsa

Quando pequena, meu alter-ego teve contato com várias trilhas sonoras de antigos compositores e mestres da boa música, que emprestavam seu talento aos grandes contos e épicos do cinema em uma época áurea. Há tempos penso em escrever um pergaminho com esse tema, mas é fato de que tais canções são tão especiais para mim que frequentemente esperava estar inspirada para tanto.
Contudo, como a música é uma dádiva, vale mais a pena dividi-las! Nestes pergaminhas trarei algumas das canções mais inspiradoras de antigamente, junto com algumas informações sobre seus compositores. Hoje começo com meu compositor antigo favorito, o incrível Miklos Rozsa.

1 - Miklos Rozsa

Nascido em 1907 em Budapeste, compôs muitas músicas, balés e sinfonias antes de ser contratado pela Metro-Goldwyn-Mayer. Primeiro, compunha num estilo mais psicológico e noir, como na trilha sonora do filme Spellbound, de 1946, para depois adentrar uma fase marcada pelo estilo épico e religioso, inspirado num estilo grego-romano clássico. Isso se deve, claramente, ao fato de que muitos filmes daquela época possuíam cunho religioso e histórico. Existem poucos fãs do trabalho deste excelente compositor no Brasil, mas ele é referência (e com justiça!) de muitos compositores famosos, como Maurice Jarre e John Williams.

Abaixo, coloco excertos de suas duas trilhas sonoras que considero as mais bonitas: a do épico "Ben Hur" e do belíssimo "Rei dos Reis".


Star of Bethlehem - Miklos Rozsa (uma das melodias mais encantadoras e emocionantes que já escutei).


Fanfare to prelude - Miklos Rozsa (épica e impactante, já foi utilizada pela banda Manowar no início de seus shows!).


Prelude - King of Kings - Miklos Rozsa (Uma canção que certamente evoca sentimentos de elevação e glória, independentemente do contexto)

Espero que tais canções possam inspirá-los assim como assistir o capricho com o qual os prelúdios e introduções de filmes eram feitos antigamente me inspiram. Que possamos recuperar um pouco o encanto do cinema épico antigo em nossas aventuras! Independentemente de serem músicas compostas para filmes religiosos ou não, certamente estas canções podem ser utilizadas nos mais diferentes contextos e têm uma beleza atemporal.

sábado, 25 de junho de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 5)


Boa tarde, nobres aventureiros! É com grande satisfação que vos trago mais um capítulo das Crônicas de Elgalor. Sem mais delongas, espero que apreciem! Boa leitura e que os ventos da fortuna vos acompanhem.

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 5)

Por ODIN.

A porta dourada do grande salão real de Darakar se abriu. Respeitosamente, Hargor adentrou aquele que era o mais nobre e honrado de todos os salões do reino dos anões.
- Eu Hargor, filho de Darukan, o saúdo, grande rei – disse o clérigo fazendo uma reverência – trago comigo Coran Bhael, o Valente, filho de Bremen e rei de Sírhion, e Thingol Shaeruil, o Dourado, rei de Sindhar e Alto Rei de todos os elfos.
Coran e Thingol fizeram uma mesura em sinal de respeito e seguiram logo atrás de Hargor.
- Erga-se, bravo filho de Darakar – soou uma voz grave e poderosa – aproximem-se e sintam-se todos à vontade. Temos muito o que discutir - obviamente, aquela era voz de Balderk I, o Grande Rei dos Anões, e considerado, quase que de forma unânime, o mais poderoso guerreiro de toda Elgalor.
Balderk I estava usando sua armadura de batalha prateada e seu manto cinza chumbo. Sua longa e espessa barba branca estava bem penteada e presa em tranças com pequenas fivelas de prata, e ao seu lado jazia o Arauto das Tempestades, o poderoso machado de Balderk I, e um dos três grandes tesouros dos anões. Balderk possuía ombros largos e constituição robusta, até para os padrões dos anões. Mesmo tendo pouco mais de 1,50 metros de altura, seu semblante sério e experiente parecia esconder, atrás de sua imagem de austeridade, uma fúria capaz de colocar de joelhos até mesmo os mais cruéis gigantes do fogo. O Salão Real era adornado por diversas armaduras e armas perfeitamente criadas nas forjas dos mestres ferreiros de Darakar, e o trono era todo feito em mitral e adornado com runas discretas em outro e prata, que davam a ele um aspecto sóbrio e imponente. Logo no centro existia uma bela mesa retangular de ônix com seis lugares. No local apontado para Hargor, haviam dois rolos de pergaminhos, um pequeno pote de tinta e uma pena prateada. Balderk I levantou de seu trono e assumiu uma cabeceira da mesa central. Thingol Shaeruil assumiu a outra e Coran Bhael sentou-se à frente de Hargor.
- Como sabes, lorde Balderk – começou Thingol Shaeruil – temos menos de dois dias para realizar os preparativos para esta pequena, porém importante guerra. Portanto, vamos direto ao ponto.
- Eu estava apenas a vossa espera, Alto Rei de Sindhar – respondeu Balderk em tom austero e frio; ele era um homem que gostava de resolver seus assuntos de maneira rápida e direta, mas não admitia que alguém tentasse lhe dar ordens, muito menos em sua Casa – eu já tenho um local onde podemos realizar o combate de maneira honrada e nos preparar para a emboscada óbvia que iremos sofrer.
- O que tens em mente? – perguntou Coran percebendo que Thingol já demonstrava sinais de aborrecimento por não ter sido consultado a respeito daquilo.
- O Vale do Escudo Partido, onde travamos juntos uma guerra contra o último “rei demônio” dos orcs cerca de 300 anos atrás – respondeu o rei dos anões – meu povo possui passagens e túneis secretos que podem deslocar facilmente nossos homens em menos de um dia de Darakar até lá, e ainda estaremos sob as proteções mágicas das 7 Barreiras dos Antigos.
- Conheço o local e posso levar meu exército até lá sem sua ajuda – respondeu Thingol – e como este é um lugar bastante afastado de meu povo, e bem conhecido pelo seu, não me oponho a realizar o combate ali.
- E quanto a você, lorde Coran – perguntou Balderk ao rei de Sírhion ignorando o tom hostil de Thingol.
- Conheço a região pelos registros deixados por nossos povos – respondeu Coran – mas acho o local próximo demais de Darakar – poderia ser arriscado para seu povo.
- Estabelecemos barreiras poderosas com o trabalho árduo de nossos construtores e clérigos nos últimos 200 anos – disse Balderk de maneira séria mais muito mais cortês do que o tom que costumava usar quando conversava com Thingol – estaremos bem.
- Meus exércitos marcharão pelo leste – respondeu Thingol – Bheleg os conduzirá através da Floresta dos Elementais e pelas Planícies do Sol. Eles estarão lá em cerca de um dia e meio.
- Completamente expostos – apontou Balderk – no caminho E no local da batalha.
- Nem os orcs seriam estúpidos de julgar que iríamos até lá sem nossos exércitos, Senhor dos Anões – respondeu Thingol – seria tolo achar que estaríamos ocultos estando apenas encobertos por túneis escuros e algumas proteções mágicas menores.
- Menores!? – rugiu Balderk golpeando a mesa – Talvez, Thingol Shaeruil, você devesse...
- O que Thingol quis dizer – apressou-se Coran antes que a situação fugisse do controle – é que os únicos locais que sabemos estar seguramente protegidos contra observações mágicas são Darakar, Sírhion e Sindhar. Eu enviarei os Cavaleiros da Lua de Sírhion em seus pégasos pelo oeste, atravessando o mar de Prata. Bheleg e eu levaremos apenas um quinto de nossas forças, deixando a maioria de nossos homens para proteger Sírhion e Sindhar caso nossos reinos sejam atacados.
- E a magia de Thingol fará com que esta pequena força pareça substancialmente maior para eventuais espiões e observadores – concluiu Balderk ainda com vontade de fechar os dedos no pescoço de Thingol pelo comentário arrogante do rei de Sindhar.
- Farei um acordo com os espíritos da Floresta dos Elementais – completou Thingol sem preocupação alguma por ter ofendido Balderk – estou certo de que nos ajudarão. Após nós dois derrotarmos o avatar de Gruumsh, nossos exércitos esmagarão seus homens, não importa quantos orcs ele traga consigo.
- “Nós dois” – disse Balderk propositalmente fingindo uma pequena gargalhada – Isto será um combate entre guerreiros, mago! Mesmo eu sei que na tentativa de garantir que não haja interferência, os porcos usarão barreiras mágicas que colocarão um conjurador em completa desvantagem.
- Eu agradeço-te por compartilhar teus vastos conhecimentos sobre magia arcana, ANÃO – disse Thingol de maneira claramente depreciativa – mas a decisão sobre quem irá representar os elfos não te diz respeito algum!
- Esta é a segunda vez que me enfurece, ELFO – disse Balderk fazendo um gesto para que Coran não tentasse novamente apaziguar a situação – controle sua língua tola, pois da terceira vez sua provocação não será respondida apenas com palavras!
- Guarde sua fúria para Skarr ou para aqueles que o temem, Balderk de Darakar – respondeu Thingol encarando ou rei dos anões – EU sou o Alto Rei dos Elfos e irei representar meu povo.
- Você é um idiota arrogante que um dia ainda vai ter a cabeça separada do pescoço – respondeu Balderk – mas realmente, a decisão é sua. Eu exijo apenas a primazia do combate. Se quiser lutar com Skarr primeiro, marcaremos...
- Não será necessário – respondeu Thingol antecipando o que Balderk obviamente diria – Se quiser, pode lutar primeiro. Não me importo.
Dito isto, Thingol se levantou e virou as costas para deixar o Salão Real.
- Vejo vocês no Vale do Escudo Partido em dois dias – disse o alto elfo sem sequer se virar.

Coran fez uma mesura e saiu logo em seguida. Balderk e Hargor se entreolharam, e ambos sentiam que dali a dois dias, aconteceria um combate sobre o qual bardos por muitos e muitos anos escreveriam canções regadas a sangue. A guerra dos reis estava para começar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Diário de Astreya

Reis não podem retornar do mundo dos mortos.

Há muito tempo foi isso que me ensinaram, quando eu, fascinada pelas histórias que me contavam sobre heróis voltando à vida, perguntei se todos nós poderíamos, então, recuperar aquelas pessoas que amávamos e que partiam. Perguntei a minha mãe, na mesma noite, porque não trazíamos minha avó Samra de volta.

“Sua avó se foi em paz, minha querida, e foi pela vontade dos deuses que sua alma deixou este mundo. Seu corpo, sua simples moradia provisória neste plano material em que tudo, uma hora ou outra, se vai, não podia mais suportar o peso dos anos. Não se deixe enganar, minha pequena Astreya – é raro que alguém possa voltar a esse mundo com o mesmo nome e com a mesma carne. As almas se renovam em roupagens através de incontáveis vidas, mas o retorno por meio da ressurreição é raro; é um milagre precioso e que nunca vem sem nenhuma conseqüência ou mesmo fardo”.

Naquela noite, conversamos sobre isso. E ela me contou a história de uma rainha que havia tentado trazer de volta seu amado rei morto em combate. Usara de todos os seus recursos, chamara de longe os clérigos mais poderosos, sábios e capazes. Rezara a mais de um deus para que estes permitissem que seu rei voltasse para ela. Mas nada funcionou. Minha mãe então me disse que os ciclos da vida devem fluir, e que um rei deve deixar a vida para que seus filhos possam continuar seu legado, para o bem ou mesmo para o mal. Essa era a lei, esse era o propósito que o destino impunha a cada homem ou mulher que assumisse a coroa e se transformasse em monarca.

A rainha, percebendo que seu amado jamais voltaria para ela, deixou que a água de uma correnteza levasse seu corpo, permitindo assim que sua alma tivesse o reencontro pelo qual ela tanto ansiava. E somente assim ela pôde ter seu desejo concedido.

Hoje eu me lembrei deste dia, e desta história. Não poderia ser diferente. Penso no rei Balderk e no orgulhoso Thingol. Pode ser que ambos, ou mesmo nenhum, encontre o mesmo destino que o rei do conto de minha mãe encontrou. É algo que não consigo vislumbrar. Parece que minha mente está mais nublada do que nunca – nenhuma visão veio para me assombrar ou aliviar. Qualquer que seja o resultado deste embate, no entanto, imagino que nossos destinos irão mudar para sempre. Isso eu sinto, e de alguma forma sei. Elgalor passa por um período de transição. E eu imagino se um reino tão fechado, e de certa forma fragilizado pelo preconceito e pela cegueira da dor, terá lugar nessa mudança. Imagino o que será de Sindhar. Imagino o que será de seu povo caso seu rei parta. Em quem poderão confiar? E o que será da princesa de Sindhar...

Ela, tão bela e diáfana, com seus cabelos de quase prata, pele alva e vestes impecáveis, parece intocável pelo tempo, pelo que se passa fora de sua floresta. O que será dessa princesa, que representa a impecabilidade de seu povo, e, ao mesmo tempo, sua fragilidade. A fragilidade daqueles que se escondem e temem os que são diferentes de si, temem demonstrar seus sentimentos... Tomará então o trono, a princesa Meliann, caso o rei Thingol, baluarte de Sindhar, parta? Espero eu que ela não tenha de carregar tamanho fardo, em meio ao caos que virá a se instaurar entre nós, caso um desses reis tombe e os desígnios do odioso deus dos orcs se cumpram.

Rezo hoje então, pelos reis Balderk e Thingol. E rezo por Coran. Tento ignorar o que o demônio da Torre do Desespero me disse, mas algo me diz que dias difíceis estão por vir. Dias que testarão toda a nossa resistência e bravura.

Que Corellon e Pelor estejam conosco...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 4)


Boa noite, nobres visitantes! É com grande honra que trago-vos ainda outro registro das Crônicas de Elgalor, no qual chegamos ao belo e orgulhoso reino dos anões de Darakar. Espero que apreciem, e boa leitura!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 4)

Por ODIN.

Poucas horas após o fim da reunião em Sindhar, Thingol Shaeruil e Coran Bhael foram levados por magia até os Portões Cinzentos de Darakar, o reino dos anões. Juntos deles estavam Astreya, Aramil, Evan e Bheleg Aldalen, o capitão da guarda real de Sindhar. Os Portões Cinzentos eram virtualmente indestrutíveis, e só podiam ser vistos por anões ou por seus convidados. Como a visita dos reis élficos já era esperada, todos puderam ver sua entrada.

- O que sabe sobre Darakar, Astreya? – perguntou Evan observando com admiração o imenso portão de aço e chumbo que se erguia na maior e mais vigorosa montanha de toda Elgalor.
- Este é o principal reino dos anões – respondeu Astreya puxando da memória as informações que lembrava – é uma fortaleza natural, com milhares de túneis e salões subterrâneos. Algumas poucas partes foram construídas acima do solo ou na encosta das montanhas, e dizem que mesmo para quem sabe o caminho, são necessários sete dias e sete noites para atravessar o reino de norte a sul ou de leste a oeste.
- Fascinante... – ironizou Aramil entediado – felizmente dispomos de magias que podem nos tirar daqui bem antes disso.
- É verdade – disse Astreya – SE o rei Balderk I remover a barreira que impede magias de teletransporte e invocações dentro do reino.
Quando Bheleg estava prestes a entrar na discussão, os Portões Cinzentos começaram a se abrir, e todos puderam ver Hargor e Oyama, acompanhados por cerca de oito guerreiros anões armadurados e bem armados.
- Em nome do Grande Rei Balderk I, sejam bem vindos a Darakar, nobres amigos e prezados representantes de Sindhar – disse Hargor de forma direta, mas com a diplomacia que aquela situação exigia – o Senhor de Darakar aguarda Coran de Sírhion e Thingol de Sindhar na sala de reuniões. O restante de vocês terá que esperar no Salão dos Antigos.

Astreya desejava fazer parte da reunião como trovadora real de Sírhion, mas quando viu que Bheleg abaixou a cabeça em consentimento ao comunicado de Hargor, decidiu que não seria sábio forçar a situação. Ele provavelmente também desejava acompanhar seu senhor na reunião que ocorreria.

Hargor conduziu todos por um vasto corredor, repleto de tochas e pedras que emitiam uma bela luz branca e azulada, iluminando o caminho para que os “não anões” pudessem enxergar normalmente. As paredes eram decoradas com estátuas de pedras magníficas, representando orgulhosos guerreiros anões portando belas armas e armaduras, e travando combate contra orcs, gigantes e demônios. Mesmo o Alto Rei Thingol Shaeruil reconheceu em silêncio o belo trabalho que havia sido feito ali.
- São belas estátuas – disse Evan.
- São mesmo – respondeu Oyama – um dia ainda vou pedir para fazerem uma minha também!
- Acho que nem os anões seriam capazes de captar toda sua... “grandeza”, Oyama – disse Aramil com o habitual sarcasmo.
- Pode falar o que quiser de mim, magrelo – respondeu Oyama despreocupado – mas tome cuidado para que sua verdadeira opinião sobre os anões não seja ouvida aqui, ou alguém vai voltar para casa chorando e sem a língua.
- Se está tão preocupado com meu bem-estar, Oyama – disse Aramil – deveria ter tomado um banho antes de nos receber.
- Calem a boca, idiotas – rosnou Hargor tentando falar baixo – não é hora para isto!
- Hargor, onde está Bulma? – perguntou Astreya tentando aliviar um pouco a tensão.
- Treinando – respondeu o anão – com alguns membros da Guarda do Trovão.

Todos ali, inclusive Aramil, sabiam que a Guarda do Trovão era composta pelos melhores e mais experientes guerreiros dentro do exército de Darakar. Em Elgalor, eles são considerados a mais bem treinada força de combate corpo-a-corpo do mundo. Bheleg, em especial, trabalhara muito para que a Guarda Real de Sindhar chegasse a este nível de habilidade, mas como o guerreiro experiente que era, sabia que ainda levaria mais algumas décadas para que isso ocorresse.

Durante todo o trajeto que restava, todos permaneceram em silêncio. Após percorrer o grande corredor por quase vinte minutos, Hargor guiou todos por uma sucessão de portais mágicos, e logo após passarem pelo sétimo portal, reis e heróis chegaram ao Salão dos Antigos. Este era o maior salão de Darakar, e era do tamanho de um pequeno palácio. Havia diversas estantes de livros, armas, armaduras e grandes cadeiras habilmente entalhadas em pedra negra. Seis belas e ornamentadas portas de aço envolviam todo o Salão, e no meio delas, uma porta dourada com a figura de um poderoso anão armadurado usando uma espécie de “elmo coroa” guardava a passagem para a sala do Grande Rei. As paredes, de mais de vinte metros de altura, eram ornadas com belas gravuras que junto a escritos na língua dos anões contavam toda a história do povo de Hargor. Com exceção de Coran e Thingol, que já haviam estado ali, todos ficaram momentaneamente chocados diante da magnificência daquele local.
- Logo vocês receberão comida e bebida, amigos – disse Hargor sentindo um forte orgulho pelo legado de seu povo que se fazia presente naquele local – apenas Thingol Shaeruil e Coran Bhael devem passar por aquela porta comigo.
- Então você vai entrar também? – perguntou Aramil.
- Sim – respondeu Hargor – como não possuímos muitos bardos, são os clérigos de Darakar quem registram todos estes acontecimentos. A mim foi conferida a grande honra de registrar esta reunião. E não se preocupem, pois uma cópia será passada aos trovadores mestres das Casas de Sindhar e Sírhion.

Aramil pensou em comentar que não acreditava que Hargor registraria tudo imparcialmente, mas sabia que esta era uma das acusações que, se feitas em Darakar, certamente levariam um homem para a forca. Arrogante, porém sábio, Aramil decidiu se manter calado.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Dinossauros também amam a boa música...


Um dos temas que marcou bastante a infância de meu alter-ego foi a bela canção principal do filme Jurassic Park. Lembro-me até hoje de ficar encantada ao ver os dinossauros que eu apelidava de "pescoçudos" ao som da bela trilha de John Williams na tela do cinema (e chorar de medo ao ver o tiranossauro!). Com certeza uma canção que pode ser utilizada em nossas mesas em muitos momentos... pois ela traduz o encantamento de ver algo novo e que se julgava impossível de existir (pelo menos na época atual!)...


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Feliz Aniversário, grande Odin!


Olá nobres amigos! Hoje, dia 6 de junho, é o aniversário do alter-ego mortal de Odin. Desejemos a ele muitas felicidades, e que os ventos da boa fortuna e do amor sempre soprem em seu caminho. Bem, no que depender de meu alter-ego mortal, Odin sempre terá muito amor em sua vida.

Parabéns querido mestre rpgista (assim te conheci), amigo (assim me apaixonei por ti) e marido (e assim agora estamos juntos). Sabes muito bem o quanto te quero, e desejo que todos os teus anos vindouros sejam muito abençoados.

E para ti e os visitantes deste Cancioneiro, um vídeo que alegrará nossas manhãs:


Sons of Odin - Manowar

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A pirate's life for me

Boa noite, nobres visitantes desse empoeirado cancioneiro. Nesta noite venho trazer-vos a trilha sonora que embala a saga dos filmes Piratas do Caribe. Apesar de gostar verdadeiramente apenas do primeiro filme dessa série, a trilha sonora de Klaus Badelt e Hans Zimmer sempre me agradou por ser leve, divertida e proporcionar um agradável senso de aventura. Sem mais delongas, aqui estão as canções que mais me apetecem:


He's a pirate - Klaus Badelt


Moonlight Serenade - Klaus Badelt - Bela, nostálgica, e épica no final!


What shall we die for - Hans Zimmer

Que o rum nunca vos abandone, marujos!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 3)



Boa noite, nobres companheiros! Apesar da seca de pergaminhos que vem acometendo meu humilde Cancioneiro no mês de maio, as Crônicas de Elgalor felizmente continuam!

Espero que apreciem, e boa leitura, bravos aventureiros!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 3)

Por ODIN.

A bela princesa Meliann abriu os portões dourados do palácio de seu pai e viu no jardim Astreya e Evan conversando tensos, aparentemente preocupados com o resultado do encontro do rei Coran Bhael com o Grande Rei Thingol Shaeruil. Meliann fixou seus olhos claros em Astreya por um momento. Logo em seguida, caminhou em direção à barda.

- Lady Astreya de Sírhion? – perguntou Meliann com uma voz doce, porém distante.
- Sim – Astreya se virou, e quando viu a jovem princesa de Sindhar fez uma mesura. Evan a acompanhou no gesto.
- Dizem que você é a trovadora real de Sírhion, e que está sempre próxima do rei Coran.
- Sou a trovadora real, vossa alteza – respondeu Astreya – e quando me é possível, de fato permaneço na companhia do rei Coran, como requer meu ofício. Algo a perturba?
Novamente, Meliann ficou calada, apenas observando Astreya.
- Você é uma mulher muito gentil e bonita, barda – disse Meliann finalmente.
- Não tanto quanto você – respondeu Astreya sinceramente sem entender onde Meliann desejava chegar.
- Acho que compreendo agora por que Coran Bhael se recusou a atender o pedido de meu pai – disse Meliann com um tom de voz suave mas nitidamente perturbado – por que ele se recusou a se casar comigo.

Desta vez foi Astreya quem ficou muda. Ela já se sentia um tanto insegura e até mesmo intimidada diante da bela princesa de Sindhar. Aquela era provavelmente a mulher mais linda que Astreya já havia visto. A beleza de Meliann era um dos raros casos onde as canções dos bardos não exageravam nem um pouco. Estar diante de Meliann e saber que Thingol havia cogitado a união dela com Coran deixou a barda completamente perplexa.
Notando o desconforto de Astreya, Evan colocou a mão no ombro da amiga e disse:
- Acredito que eu esteja sobrando nesta conversa. Tentarei conseguir informações sobre o exército de Sindhar o capitão da guarda, e encontro você dentro de uma hora.
- O nobre Bheleg não irá recebê-lo, bravo cavaleiro – disse Meliann a Evan.
- Por que sou um “meio humano”, não? – respondeu o paladino sem hostilidade na voz.
- Vocês não têm direito de nos julgar, nobre paladino – respondeu Meliann de maneira extremamente cortês – não sabem o que foi tirado de meu pai e de meu povo.
- Então, com sua licença – respondeu Evan fazendo uma mesura para cortar o assunto enquanto se virou e caminhou para fora da praça.
- Eu... – disse Astreya – eu não sabia disto. O rei Coran não havia dito nada sobre o que ele e Thingol discutiram semanas atrás.
- Vocês são amantes? – perguntou Meliann bruscamente, irritada pela maneira como Evan a havia ignorado.
- Com todo respeito - disse Astreya aborrecida com a pergunta – isso não lhe diz respeito, vossa alteza.
As duas bardas se encararam por alguns poucos segundos, até que Meliann instintivamente baixou o olhar. Apesar de delicada e gentil, Astreya já vira algumas das coisas mais terríveis que o mundo tinha a oferecer, e Meliann percebeu naquele instante que uma mulher que sempre vivera cercada pela proteção do pai não poderia encarar os olhos de alguém como Astreya.
- Perdoe-me – disse Meliann com sinceridade – não quis ofendê-la. Apenas...
- Eu sei o que a recusa de Coran deve ter representado para seu pai, Meliann – disse Astreya gentilmente – mas lhe garanto que não sabia nada sobre isso.
- Mas se sente feliz por Coran ter recusado, não é? – perguntou Meliann.
- Sim – respondeu Astreya sem conseguir mentir – sim, eu me sinto.
- Eu a invejo, Astreya de Sírhion. Não pelo seu amado, mas por poder estar tão perto de alguém que ama.
- Existe algum homem a quem você entregou seu coração, Meliann? – perguntou Astreya descobrindo que agora sentia apenas pena, e não ciúmes da princesa de Sindhar.

Meliann baixou o olhar por um instante e depois, fitando os olhos de Astreya disse:
- Sim, Astreya de Sírhion. Há alguém que amo e que também me ama, mas infelizmente nossos deveres nos impedem de ficarmos juntos.
- E quem é essa pessoa, Meliann? – perguntou Astreya sentindo que a princesa realmente queria conversar um pouco sobre aquilo. Para a meio elfa, duas pessoas que se amam jamais deveriam ficar separadas, e ela sabia como as obrigações de Coran mantinham os dois a uma relativa distância. Neste momento, Astreya percebeu que o que sentia de verdade por Meliann era simpatia.

Antes que Meliann pudesse responder a pergunta de Astreya, uma voz ecoou alta e debochada das portas do palácio dourado.
- Por Corellon, Astreya – disse Aramil se aproximando – pare de incomodar a princesa com suas tolices sentimentais.
Astreya olhou com raiva para Aramil, mas Meliann desviou o olhar e foi tomada por um grande sentimento de vergonha.
- Onde está meu pai lorde Aramil? – perguntou Meliann tentando desviar o assunto– a reunião de vocês já terminou?
- Sim, vossa alteza – respondeu Aramil fazendo uma reverência – logo partiremos.
- Para onde? – perguntou Astreya ainda zangada com a indiscrição do mago.
- Darakar – disse Aramil – para o claustrofóbico e sujo reino dos anões.

Neste momento, Coran deixou o palácio e se aproximou de todos eles. Seu semblante era tenso e preocupado, como se o rei sentisse que o peso do mundo pairava sobre suas cabeças, e que estivesse a ponto de cair violentamente...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Winter is coming"

A frase acima não me sai da cabeça desde que assisti os episódios iniciais da excelente série Game of Thrones. E como a música é um de meus grandes interesses, não pude deixar de notar no belo tema feito para embalar a abertura deste interessante história de George R.R. Martin que está sendo contada pelo oráculo HBO. Composto por Ramin Djawadi, essa mistura entre instrumentos de corda de som mais grave que bem representam a terra do norte, e outros de som mais agudos é deveras bela (podem ser violoncelos com violinos, mas meu alter-ego não tem a perícia para reconhecer que tipo de instrumento está sendo tocado exatamente). E por favor, se apreciarem a versão original, façam-me o favor de ouvir a incrível "versão metal" que encontrei e postei logo abaixo.





sexta-feira, 13 de maio de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 2)


E já que o blogger resolveu retirar minha última postagem, aqui vamos de novo... espero que aproveitem este novo capítulo das Crônicas de Elgalor, nobres visitantes!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 2)

Por ODIN.

Coran Bhael, acompanhado de Astreya e Evan foram teletransportados pelos magos reais de Sírhion para o reino de Sindhar, lar dos altos elfos, onde o rei de Sírhion e sua pequena comitiva se encontrariam com o Grande Rei Thingol Shaeruil para decidir qual seria a postura dos elfos diante o desafio de Skarr.

Ao chegar nas portas do Palácio Dourado de Sindhar, guardas élficos trajados com belas cotas de malha douradas e mantos azuis fizeram uma reverência à Coran Bhael, mas barraram sua entrada no palácio.
- O Grande Rei Thingol Shaeruil está a minha espera – disse Coran diplomaticamente, já sabendo qual era o real problema.
- Apesar de tua recusa em unir as casas de Sindhar e Sírhion em uma grande família ter nos causado grande tristeza – respondeu um dos guardas de forma extremamente polida – o senhor pode adentrar esta palácio sempre que desejar. No entanto...
- Apenas aqueles de sangue élfico puro podem pisar neste local sagrado – completou Aramil, que acabara de se teletransportar ao lado dos guardas, causando um instante de grande surpresa em todos ali.

- Astreya é minha trovadora real, e Evan em breve será nomeado capitão do castelo de Sírhion – insistiu Coran – Não há por que barrar suas presenças.
- Não estamos discutindo valor ou merecimento aqui, vossa majestade – disse Aramil fazendo uma mesura e tomando cuidado com o que dizia – é a tradição. É a lei. Na verdade, pouquíssimos são os meio humanos que já puderam sequer colocar os pés dentro de Sindhar.
- Nós compreendemos – disse Evan – esperaremos aqui.
- E tomaremos cuidado para não causar nenhum desconforto ou problemas mesmo aqui fora, lorde Aramil – disse Astreya fazendo uma reverência imitando o cinismo do amigo mago.
- Conto com isso – respondeu Aramil com um leve sorriso.
- Serei breve – interrompeu Coran olhando para Astreya e Evan enquanto entrava no palácio junto com Aramil – me perdoem.

O rei e o mago adentraram um vasto e iluminado salão repleto de colunas feitas com belas e vigorosas árvores, onde o chão era feito do mais puro mármore e as paredes construídas com pedra da lua, prata e ouro.
- Se o senhor me permite – disse Aramil à Coran enquanto ambos caminhavam nos vastos corredores do palácio dourado de Thingol.
- Não permito – respondeu Coran abruptamente – não aprecio a maneira como você trata lady Astreya ou seus demais companheiros, Aramil.
Antes que Aramil pudesse dar sua resposta, ambos viram a jovem Meliann, a linda princesa de Sindhar, se aproximando ao encontro deles. Ela trajava um belo vestido cor de pérola e mantinha seus longos cabelos dourados presos com um enfeite feito com safira. Como de costume, ela carregava consigo sua ornada harpa de prata.
- Meus cumprimentos – disse Coran à princesa enquanto ele e Aramil faziam uma reverência.
- Sejam bem vindos ao palácio de meu pai – respondeu ela com cortesia devolvendo a reverência para Coran – ele os aguarda.
- Pensei que iria participar desta reunião, vossa alteza – disse Aramil.
- Eu ia, nobre arqui-mago – respondeu Meliann – mas meu pai não se agradou muito com a idéia desde o início. Além disso, há uma pessoa lá fora com quem desejo conversar.

Coran e Aramil fizeram mais uma reverência e seguiram até a sala do trono. Quando chegaram lá, o altivo e belo Thingol Shaeruil estava de pé, usando seu longo manto verde com runas douradas e seu cajado com sete pedras mágicas; ornamentos que o nobre rei usava apenas quando ia para o campo de batalha. Ao ver isso, Coran já pôde imaginar qual seria o posicionamento de Thingol.
- Está vestido para a guerra, nobre Thingol Shaeruil – disse Coran fazendo uma reverência.
- Estamos diante de uma, não estamos? – respondeu Thingol friamente.
Coran levantou a cabeça e olhou profundamente nos olhos claros e frios de Thingol. O Alto rei dos elfos ainda não o “perdoara” por sua recusa em casar com sua filha Meliann e unir os dois reinos sob um mesmo brasão. Contudo, devido ao comentário do guarda nas portas do palácio, Coran não estava surpreso.

- Imagino que lorde Aramil o tenha informado sobre tudo – disse Coran.
- De fato – respondeu Thingol – e recebi também uma mensagem do rei anão Balderk I para realizarmos uma conferência em Darakar sobre como iremos agir diante do desafio do capacho de Gruumsh. Concordei em encontrá-lo em seus domínios assim que resolvêssemos nossa contenda.
- Este será um duelo entre guerreiros, Thingol – disse Coran deixando de lado as formalidades – seria mais sábio que eu ou Bheleg lutássemos representando os elfos.
- Tem certeza que deseja me oferecer conselhos sobre o curso de ação mais sábio a se tomar, rei de Sírhion – disse Thingol friamente – Quer realmente falar sobre sabedoria e discernimento quando tuas ações demonstram o contrário?
- Já pensou o que sua morte causaria ao povo de Sindhar, Thingol? – respondeu Coran ignorando a provocação do rei de Sindhar – O que isso causaria aos elfos?
- Independente de como você maneja sua espada, filho de Bremen Bhael – respondeu Thingol com a habitual frieza e eloqüência – eu já lutava por nosso povo muitos séculos antes de você nascer. Supondo que este orc imundo tivesse a capacidade de tirar minha vida, ele certamente faria o mesmo com a sua.
- Além do mais – continuou Thingol antes que Coran pudesse falar – Eu sou o Alto Rei de nossa raça, e é meu dever ficar a frente de meu povo. Como exemplo e neste caso, como campeão. A única coisa que você pode fazer para lutar em meu lugar seria assumir meu posto.
- Por maior que seja minha estima por você e por Meliann, não volto atrás naquilo que já disse antes – respondeu Coran sabendo para onde Thingol estava direcionando a conversa – Não me casarei com sua filha.

- Neste caso – respondeu Thingol friamente – nossa contenda está decidida. Reúna seus “conselheiros” e prepare-se, pois em duas horas iremos para Darakar.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Canção do dia

Olá nobres amigos e visitantes. Peço perdão pela falta de pergaminhos em meu Cancioneiro, e prometo-vos que logo voltarei ao meu ritmo natural, que já tem sido vagaroso...

Nesta tarde, trago-vos apenas uma canção para animar vossos ânimos, do novo álbum de Loreena Mckennitt (que logo quero adquirir). Espero que gostem desta espirituosa canção tradicional irlandesa.





As I Roved Out - Loreena Mckennit

sábado, 30 de abril de 2011

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 1)


Saudações, caros visitantes e aventureiros! Hoje iniciamos mais um capítulo das Crônicas de Elgalor, no qual finalmente acontece a Guerra dos Reis, um episódio tenso de nossas histórias. Espero que apreciem, e boa leitura!

Que os ventos da boa fortuna vos acompanham sempre!

As Crônicas de Elgalor Capítulo VIII: A Guerra dos Reis (Parte 1)


Por ODIN.

Após deixarem a Torre do Desespero e as Terras Sombrias com o auxílio da magia de Aramil, o grupo se dividiu para conseguir entregar a tempo a mensagem deixada por Skarr, o arauto de Gruumsh; Skarr desafiara os grandes reis dos elfos e anões para um combate homem contra homem em nome de seu deus maligno. Se os elfos e anões vencessem, Gruumsh interromperia seu plano de trazer seus avatares a Elgalor. Se os reis fossem derrotados, os avatares de Gruumsh conseguiriam finalmente chegar ao plano material. Os reis teriam três dias para serem informados e aceitar o desafio, e Gruumsh sabia que em nome da honra, eles jamais o recusariam; agora restava apenas que os reis recebessem o comunicado e tocassem as cornetas negras que Skarr dera a Astreya e Hargor para que o torneio começasse.

Astreya, Aramil, Tallin e Evan foram para Sírhion, pois após muita discussão, Astreya convencera Aramil de que o rei élfico Coran Bhael deveria ser informado antes do Grande Rei dos elfos, Thingol Shaeruil. Hargor, Oyama e Bulma rumaram para Darakar, o reino dos anões, onde Hargor entregaria a Balderk I, o Grande Rei dos anões, a corneta de Skarr.

- Você está apenas nos fazendo perder tempo, meio humana tola – disse Aramil a Astreya enquanto eles, Tallin e Evan caminhavam até o palácio do rei Coran – Coran Bhael não poderá lutar. Ele não é o grande rei dos...
- Você já disse isso várias vezes, Aramil – interrompeu Astreya - e eu já lhe disse que todas as vezes que nós precisamos de qualquer tipo de ajuda, foi Coran quem nos estendeu a mão, não o rei Thingol.
- “Coran” – repetiu Tallin com um sorriso malicioso no rosto.
- Vocês entenderam! – respondeu Astreya envergonhada – o Rei Coran Bhael sempre foi muito generoso conosco, e seria errado simplesmente ignorá-lo e entregar a corneta ao rei Thingol Shaeruil.
- Claro que entendemos – disse Aramil sarcasticamente – mas isso não mudará em absolutamente nada como as coisas transcorrerão.
- Chega desta discussão sem sentido – disse Evan quando o grupo chegou às portas do palácio real de Sírhion e foram saudados pelos guardas – vamos informar o rei Coran sobre o que aconteceu nas Terras Sombrias e depois deixar que ele e Thingol Shaeruil decidam qual dos dois irá lutar contra Skarr.

Após entrarem e serem anunciados, o rei Coran Bhael prontamente recebeu os aventureiros, pois Aramil já enviara uma mensagem aos magos de Sírhion explicando que eles viriam e traziam uma notícia muito importante. Quando o rei entrou na sala de reuniões do palácio, todos se curvaram em reverência, e como de costume, Coran pediu rapidamente para que eles se levantassem.
- Primeiramente, caros amigos – disse o rei – muito me alegra saber que estão todos bem. Têm certeza que não desejam descansar um pouco antes de conversarmos?
- Não é necessário, vossa majestade – disse Astreya fazendo mais uma reverência para tentar disfarçar a alegria que sentia ao vê-lo mais uma vez – nosso assunto é deveras urgente.

Astreya, como trovadora real de Sírhion e porta voz do grupo, explicou ao rei Coran toda a situação; o desafio de Skarr aos grandes reis dos elfos e anões, o fato de cada um deles poder nomear um campeão para lutar em seu lugar, e também que caberia aos elfos e anões decidirem onde o combate aconteceria, contanto que isso fosse feito dentro de três dias.
- Entendo... – disse o rei Coran enquanto ouvia atentamente as palavras da barda – Gruumsh sabia que não recusaríamos e que não enviaríamos campeões para lutar no lugar dos reis. Este duelo lhe dá a possibilidade de finalmente conseguir a cabeça de um rei para completar seu ritual de invocação.
- Por isso que acho que deveríamos mandar um campeão no seu lugar, vossa majestade – disse Astreya tentando persuadir o rei, mas já sabendo qual seria a resposta.
- Isto está fora de questão, Astreya – respondeu Coran – mas há uma decisão importante que nós elfos devemos tomar.
- Precisamente, vossa majestade – disse Aramil fazendo uma reverência – e como sabes, esta decisão deve ser tomada em Sindhar, junto do Alto Rei Thingol Shaeruil. Por maior que seja a estima que nutro por vossa majestade, sei que a primazia do combate nestas situações pertence sempre ao Grande Rei.
Astreya olhou de maneira fulminante para Aramil naquele momento e se deu conta que o mago já tinha tudo planejado desde o início.
- Mas o nobre rei Thingol Shaeruil – disse Astreya tentando enfraquecer os argumentos do mago – é um arqui mago, e esta será uma batalha de guerreiros. Considerando o que há em jogo...
- Isto é irrelevante, lady Astreya – disse Aramil de forma muito polida apenas por saber que o rei Coran nutria grande simpatia pela meio elfa - Mesmo o rei Coran Bhael sendo o maior guerreiro de nosso povo, a decisão de quem há de lutar ainda pertence ao Alto Rei Thingol Shaeruil.
- Você tem razão, lorde Aramil – disse Coran após um instante de silêncio – peço que parta para Sindhar agora e informe o rei Thingol Shaeruil de que estarei lá dentro de duas horas.
- Agora mesmo, majestade – respondeu Aramil fazendo uma última reverência, e depois se retirando da sala de reuniões para se teletransportar para Sindhar.
Astreya se virou para ir atrás do mago, mas Evan a deteve segurando seu braço.
- Não – sussurrou o paladino – esta não é uma decisão que deva ser tomada por nós, e qualquer insistência sua irá prejudicar o rei Coran. Agora, só nos resta aguardar.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Os Pilares da Terra

Boa noite, caros visitantes. Nesta noite venho trazer-vos uma bela canção mas também indicar uma emocionante saga: Os Pilares da Terra. Recentemente, consegui assistir a série de mesmo nome que é uma adaptação de um livro do autor Ken Follet, lançado em 1989. Os Pilares da Terra é uma emocionante história que acompanha a construção da primeira catedral gótica do Reino Unido, e portanto, das pessoas envolvidas nas intrigas, corrupções, amores e batalhas que cercaram a história da belíssima catedral de Kingsbridge.

Indico a série (e também o livro, embora não o tenha lido) para todos aqueles que apreciam histórias passadas no período medieval, ou que simplesmente gostem de boas histórias!

E agora deixo-vos com o tema musical de abertura da série, composta por Trevor Morris...



E também o trailer, para instigar vossa curiosidade:



Que bons ventos vos acompanhem, nobres aventureiros!