Bem-vindos!

Bons amigos, valorosos guerreiros da espada e da magia, nobres bardos e todos aqueles com quem tiver o prazer de cruzar meu caminho nesta valorosa, emocionante e por vezes trágica jornada em que me encontro! É com grande alegria e prazer que lhes dou as boas-vindas, e os convido a lerem e compartilharem comigo as crônicas e canções que tenho registradas em meu cancioneiro e em meu diário...Aqui, contarei histórias sobre valorosos heróis, batalhas épicas e grandes feitos. Este é o espaço para que tais fatos sejam louvados e lembrados como merecem, sendo passados a todas as gerações de homens e mulheres de coração bravo. Juntos cantemos, levando as vozes daqueles que mudaram os seus destinos e trouxeram luz a seus mundos a todos os que quiserem ouvi-las!Eu vos saúdo, nobres aventureiros e irmãos! Que teus nomes sejam lembrados...
(Arte da imagem inicial por André Vazzios)

Astreya Anathar Bhael

sábado, 23 de outubro de 2010

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 22: Depois da tempestade (parte 2)


Bom-dia, caros amigos e visitantes! É com grande honra e alegria que vos trago nessa tarde de sábado o vigésimo segundo capítulo das Crônicas de Elgalor, sob a benção e a pena de Odin.

Boa leitura, e que os ventos da boa sorte estejam sempre convosco!

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 22: Depois da tempestade (parte 2)

Enquanto Astreya, Hargor, Oyama e Bulma se recuperavam no reino de Sírhion, Aramil se reunia com o Alto Rei dos elfos, Thingol de Sindhar, o mais poderoso mago de toda Elgalor. Dois dias após ter seus braços restaurados, Aramil foi chamado para uma conferência com seu rei na sala do trono do Palácio da Luz, um magnífico castelo feito de pedras brancas e cristais, perfeitamente integrado às belas florestas e bosques de Sindhar, o reino dos altos elfos.

O altivo e poderoso rei Thingol era amado e respeitado por todos os altos elfos, pois vivia única e exclusivamente em prol da raça élfica. Ele seria capaz de enviar todo seu exército para resgatar um único elfo que estivesse com problemas, mas sua generosidade era extremamente seletiva; ele sentia grande desprezo por todos os “não elfos”, especialmente humanos, devido às grandes perdas que estes lhe trouxeram. Sua visão era compartilhada por todos em Sindhar, tanto que a entrada de não elfos no reino era expressamente proibida.

Thingol usava sempre mantos verdes e dourados, e uma fina coroa de ouro. Era um pouco mais alto que os outros elfos, e seu cabelo, apesar de loiro como o de todos os altos elfos, era tão claro que por vezes se assemelhava a prata. Para Balderk, o Grande Monarca dos anões, Thingol era arrogante e excêntrico, mas em Sindhar, ele representava aquilo que todo elfo deveria ser.

- Então foi isso que aconteceu desde que você deixou Sindhar para encontrar os não elfos nas montanhas dos anões – disse Thingol sentado em seu trono à Aramil, que o ouvia atentamente – Você foi escolhido para representar os elfos nesta contenda juntamente com o nobre Erol, e tem o feito muito bem, pelo que vejo. Por esta razão, eu lhe libero de teu dever.
- Fico muito honrado com vossos elogios, grande rei – respondeu Aramil fazendo uma reverência – mas sendo que o homem mais indicado para tal tarefa é o capitão Bheleg, alguém que o senhor não pode dispor no momento, acredito que eu mesmo hei de continuar carregando este fardo em nome de nosso povo.
- É muito nobre de sua parte, lorde Aramil – disse Thingol se levantando – em nome de todos os elfos eu lhe agradeço, pois sei como deve ser difícil ter trabalhar junto dos não elfos do Senhor dos Ventos.
- Mais do que pode imaginar, vossa majestade – respondeu Aramil imediatamente se lembrando de Oyama e Bulma – mas independente disso, gostaria de fazer-lhe uma pergunta.
- Faça – autorizou Thingol.
- Como foi vossa reunião com o rei Coran? – questionou Aramil.

Thingol permaneceu imóvel por um instante, como se estivesse tentando colocar tudo o que sentia em palavras sem demonstrar a grande ira que sentia.
- Ruim... – respondeu o Alto Rei por fim – muito ruim.
- Coran Bhael – continuou Thingol – assim como seu falecido pai, Bremen Bhael, partilha da filosofia de que nós elfos devemos viver em comunhão com as outras raças. Compreendo isto, tanto que por mais de seiscentos anos tentei ensinar a outros povos nosso caminho, tentei guiá-los e auxiliá-los de todas as formas possíveis. Quando os humanos nos traíram pela segunda vez, resultando na morte de meu filho mais velho e de minha amada esposa, percebi que deveríamos nos recolher, e lutar ao lado de outras raças apenas quando a ameaça de um verdadeiro apocalipse estiver pairando sobre o mundo.

- Como sinto que este momento está se aproximando – disse Thingol olhando para uma das grandes janelas de seu palácio – e sei que não podemos correr o risco de ser traídos novamente, decidi unir nossos povos. Os alto elfos, os elfos silvestres e os elfos de prata. Propus a Coran que ele se casasse com minha filha Meliann com as bênçãos do sábio e falecido rei Karanthir. Eu lideraria nossos exércitos reunidos contra a ameaça que o Senhor dos Ventos nos alertou, e depois de terminada a guerra, cederia o posto de Alto Rei à Coran, podendo finalmente partir para os reinos de Corellon com o coração em paz.
- Venceríamos esta guerra sem ter que trabalhar junto de humanos sem honra e anões tolos – disse Aramil – não precisaríamos fazer negociações, pactos, nem nos preocupar com espadas em nossas costas... Seria realmente ótimo. Nossa supremacia seria reconhecida até pelos anões, e se algum dia no futuro uma aliança fosse necessária, todos teriam que nos seguir, como deveria ter sido desde o início.
- Exato – respondeu Thingol – mas como pode imaginar, os ideais ingênuos de Coran Bhael o impediram de aceitar minha oferta.
- “Ideais” – disse Aramil revoltado – Coran Bhael é um tolo. Era evidente que ele não aceitaria uma oferta como esta.
- Aramil... – disse Thingol intrigado com a reação do mago – você sabe de algo que eu não sei?
- Não, vossa majestade – respondeu Aramil se curvando para evitar os olhos inquisidores de seu rei – nada relevante...

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Nos jardins do Palácio da Luz, a princesa Meliann, a mais bela elfa que já nascera em Elgalor, tocava em sua harpa uma melodia agradável, porém melancólica, enquanto sua melhor amiga, a jovem Elenna Aldalen, sobrinha do capitão Bheleg Aldalen, reclamava furiosa.
- Não é justo! – gritou a também bela e jovem elfa – já faz três anos que iniciei meu treinamento, e o grupo de lorde Aramil precisa de uma ladino habilidoso, mas meu tio se recusa a me deixar partir!

Entre os elfos, os ladinos são indivíduos habilidosos e altamente treinados para recuperar relíquias élficas perdidas, encontrar pessoas e explorar lugares que ninguém mais seria capaz. Diferentes da maioria dos ladinos humanos ou halflings, eles não eram movidos por cobiça de qualquer tipo, apenas pelo desejo de servir seu povo e pelo ainda mais forte desejo de conhecer novos e fantásticos locais neste processo.

- Bheleg é um bom homem – respondeu Meliann com um leve sorriso e um suspiro – depois que meu irmão morreu séculos atrás, ele assumiu o posto de mestre de armas de Sindhar, e sabe o que faz, Elenna. Se ele disse que você não está pronta, é porque não está.
- Não consigo aceitar as coisas tão bem quanto você, Meliann, por mais que gostaria – respondeu Elenna sentando-se na grama, percebendo que de nada adiantaria despejar suas frustrações nos ombros da amiga – Ele já mandou chamar uma elfa de Sírhion, uma tal de Tallin para se juntar à companhia de lorde Aramil. Mas sabe o que mais me incomoda?
- O que, Elenna? – perguntou Meliann tocando sua harpa.
- O que faremos – disse Elenna - se em algum momento não tivermos mais seu pai ou meu tio para nos proteger?
Meliann parou de tocar naquele instante. Um aperto terrível assolou seu coração, de uma maneira que a inocente elfa jamais havia sentido antes.
- Isto nunca vai acontecer, Elenna – disse Meliann com rispidez – Nunca!

Tentando afastar as sombras que temporariamente esmagaram seu coração, a bela princesa continuou a tocar, fingindo para si mesma que não notava as nuvens negras que começavam a se formar no céu de Sindhar...

6 comentários:

  1. Sinistro... e muito bem escrito! Obrigado Odin por dispor de seu tempo para escrever essa bela saga. E obrigado Astreya pelo maravilhoso blog.

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  2. Tchar'zanek, Deus do Sofrimento e Campeão do Chaos23 de outubro de 2010 às 16:24

    HAHAHAHAHA, o Alto Rei Thingol não vai partir em paz para o reino de Corellon coisa nenhuma!!! Meu grande aliado Skarr há de arrancar a cabeça desse rei elfo inútil sem clemência alguma!!!

    Conjurando “Falar com os Mortos”.
    Diga-me “Senhor dos Elfos”, como se sentiu ao ver o seu nobre filho e herdeiro, Eldharion ser decapitado cruelmente por Orcs? Ou sua filha, Cereane ter escolhido ficar ao lado de um algoz humano e MOURO no lugar de ficar com o seu próprio povo?
    Responda-me, Thingol!!! Quero sentir o seu sofrimento!
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Off: Achei que o Thingol fosse mais purista e chatão. Porque pelo que entendi o Coran é um meio-elfo (75% Elfo, 25% humano) afinal a mãe dele era uma meio-elfa barda.
    E como disse o Nobre Clérigo “Obrigado Odin por dispor de seu tempo para escrever essa bela saga. E obrigado Astreya pelo maravilhoso blog.”

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  3. Somos nós que temos de agradecer pelas vossas visitas e interesse, nobres amigos!

    Thingol é um pouco chato e purista, mas tem grande amor pelo seu povo, o que o torna um rei arrogante para as outras raças, mas que possui bondade, afinal (mesmo porque o preconceito dele não é simplesmente um ódio injustificado, fundamenta-se também no medo da traição e da perda de seu lar, seus entes queridos, etc.), mas ele realmente acredita que pertence a uma raça superior, tanto que fala que tentou "orientar" os humanos antes. Pelo menos eu acredito que seja mais ou menos assim que Odin o concebeu.

    Já quanto a Coran, como ele possui mais sangue élfico do que humano, encaramos mais ou menos como os meio-elfos do Senhor dos Anéis, como Elrond, por exemplo, que possui sangue humano mas é considerado um elfo (por ter escolhido representar os elfos). Entendemos que ele possuiría mais traços élficos, lembraria muito mais um elfo do que um humano ou mesmo um meio-elfo com 50% de sangue élfico e humano. No entanto, todo o seu povo sabe que ele é filho de uma meio-elfa o que não o impediria de ser um representante legítimo do povo de Sírhion por representar seus ideais e por ser filho do rei e da rainha.

    Para além dessas razões, na verdade nós sempre fizemos isso em todas as aventuras, porque em um livro de Forgotten que Odin possui, "Uma viagem aos reinos", há um trecho em que se diz que uma segunda geração de meio-elfos será possível através da união de dois meio-elfos, mas se meio-elfos se unirem com humanos ou elfos, seus filhos possuirão as características dessas raças (se não estou enganada, lembro-me até da página, acho que era 14). Então, acabamos acostumados com esse jeito...

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  4. Grato pelo elogio, amigo clérigo e maldito Tchar'zanek; eu é que agradeço o tempo que despendem ao ler as crônicas.

    Em relação à Coran, ele é um elfo puro, pois quando há a mistura entre um meio elfo e um humano ou elfo, a criança que nasce "puxa" totalmente para o lado da raça mais pura. A única maneira de nascer os chamados meio elfos de segunda geração é através da relação entre dois meio elfos.

    De qualquer forma, logo teremos o e-book com a primeira parte da história.

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  5. Selwyna, a Bruxa da Rosa Negra25 de outubro de 2010 às 11:23

    Pensei que o Thingol fosse muito mais chato pelos comentários que o Aramil tinha feito no julgamento. Mas mesmo assim, ele não é ninguém para tentar ficar decidindo e manipulando a vida dos outros como bem entender. Coran e a minha amiga Astreya se amam, e aposto que Meliann também deve ter algum importante em seu coração! (Tomara que ela não morra)

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  6. Obrigada por teu apoio, Selwyna, faz-me encher os olhos de lágrimas. De fato, aqueles que se amam devem ter seus corações respeitados, e acho que está certa sobre a princesa Meliann...

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