Bem-vindos!

Bons amigos, valorosos guerreiros da espada e da magia, nobres bardos e todos aqueles com quem tiver o prazer de cruzar meu caminho nesta valorosa, emocionante e por vezes trágica jornada em que me encontro! É com grande alegria e prazer que lhes dou as boas-vindas, e os convido a lerem e compartilharem comigo as crônicas e canções que tenho registradas em meu cancioneiro e em meu diário...Aqui, contarei histórias sobre valorosos heróis, batalhas épicas e grandes feitos. Este é o espaço para que tais fatos sejam louvados e lembrados como merecem, sendo passados a todas as gerações de homens e mulheres de coração bravo. Juntos cantemos, levando as vozes daqueles que mudaram os seus destinos e trouxeram luz a seus mundos a todos os que quiserem ouvi-las!Eu vos saúdo, nobres aventureiros e irmãos! Que teus nomes sejam lembrados...
(Arte da imagem inicial por André Vazzios)

Astreya Anathar Bhael

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal!!!!

Mesmo com a impossibilidade de instalar a internet em meu lar (ainda...), não poderia deixar de conseguir uma brecha nesta data especial para desejar a todos um FELIZ NATAL!!!!!!!!

Caros leitores, que muitas bençãos se derramem sobre todos nós! Desejo a vós muito amor, paz, harmonia e felicidade! Que esta data seja um sinônimo de alegria para todos.

Deixo-vos com duas de minhas canções natalinas favoritas...


Angels we have heard on high - Andrea Bocelli


A clássica e belíssima Adeste Fidelis, por Andrea Bocelli


Que os ventos da boa aventurança soprem em vosso favor, bravos aventureiros! (Se havia Natal em Dragonlance, aqui também temos!)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um feliz retorno!

Olá, caros amigos e visitantes! Deixo-lhes um pequeno pergaminho apenas para avisar de nosso retorno a blogosfera depois de um período de muita alegria!

Logo novas canções, novos posts e novos capítulos das Crônicas de Elgalor voltarão a povoar meu humilde cancioneiro (assim que nossos alter-egos possuirem internet em seu lar!). Agradecemos muito a nossos amigos por todo o apoio e carinho, e especialmente a Frodo que fez um post sobre o nosso enlace aqui!


Portanto, voltem para mais novidades e novas canções no Cancioneiro em breve!


Que os ventos do amor soprem a favor de todos vós, bravos aventureiros!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Postagem número 100: As Crônicas de Elgalor - Capítulo 27: Todos prontos



As Crônicas de Elgalor - Capítulo 27: Todos prontos
Por ODIN.

Em Elgalor, ressurreições são acontecimentos raros e extremamente complexos; clérigos são capazes de trazer alguém de volta à vida alguns instantes depois que esta pessoa pereceu, mas na maioria dos casos, apenas os deuses decidem quando uma alma deve retornar ao plano material. Os critérios de decisão que são usados por eles são desconhecidos por mortais e até pelos mais experientes clérigos. A única coisa que se sabe de fato é que poucas pessoas retornam da morte, e aquelas que o fazem passam por um longo período de tempo servindo direta ou indiretamente sua divindade patrona.

- Perdão, mas isso tudo parece conveniente demais – disse Hargor enquanto conjurava uma magia que envolveu o guerreiro e sua montaria em um círculo de luz branca.
- Sou obrigado a concordar com o anão – completou Aramil apontando seu cajado para o lobo do guerreiro, paralisando-o totalmente.
- O que vocês estão fazendo? – perguntou Astreya.
- Nos certificando de que não seremos empalados por uma lança ou devorados por um lobo enquanto estivermos lutando – respondeu Hargor – Se ele realmente for quem diz ser, este círculo não irá lhe causar mal nenhum.
- É ele – disse Bulma – reconheço o cheiro dos dois.
- Que sofisticado... – ironizou Aramil – Hargor...
- Quem é você, e o que faz aqui? – perguntou o anão ao guerreiro, sabendo que dentro da área de sua magia divina, ele não seria capaz de mentir sem que isto ficasse muito evidente.
- Sou Evan – respondeu ele calmamente – um paladino que voltou para lutar ao lado de seus amigos novamente, embora ainda não saiba exatamente contra o que.
- Como chegou até aqui tão rápido? – perguntou Aramil ainda não completamente convencido – uma criatura nojenta que parecia um cruzamento de Oyama com um goblin nos disse que alguém com a sua descrição resgatou alguns mercadores humanos e rumou para a direção oposta a que estamos agora.
- Quer mais uma pedrada na cabeça, mago? – disse Oyama em tom de deboche.
- Isto, Aramil – continuou o paladino – é a parte realmente estranha. Eu sabia que vocês estariam indo para a Torre do Desespero graças a uma mensagem de um homem chamado Senhor dos Ventos. Quando deixei os mercadores em um pequeno vilarejo de Kamaro, decidi tentar encontrar a Torre.
- O Senhor dos Ventos trouxe você aqui, Evan? – perguntou Astreya.
- Não - respondeu o meio elfo – foi outra pessoa. Uma jovem cigana, de roupas vermelhas e longos cabelos castanhos. Ela disse que eu não avançaria muito nas Terras Sombrias viajando sozinho, e que minha lança seria um “farol” chamando todos os monstros da região. Além disso, ela disse que vocês não chegariam à Torre sem que pelo menos dois morressem no caminho. A menos que obtivessem ajuda.
- Pessoal... – disse Tallin
- Espere! – respondeu Aramil – foi a tal cigana que criou esta névoa que trouxe você?
- Sim – disse Evan – Agora solte meu lobo, Aramil.
Aramil fez um gesto simples com a mão e o lobo de Evan começou a se mover novamente.
- Bem vindo de volta, amigo – disse Oyama apertando a mão do paladino convencido de que ele realmente era quem parecia – agora vamos apenas esperar que os deuses liberem a alma do Erol e teremos o grupo todo junto novamente.
- Eu já ia lhes perguntar sobre isso quando percebi que Erol não estava com vocês – disse Evan – O que houve com ele?
Astreya explicou sucintamente tudo o que ocorrera no antigo reino dos elfos silvestres e o confronto fatal com Thurxanthraxinzethos, omitindo apenas a parte em que Bulma acidentalmente matara Erol.
- Este monstro pagará caro! – disse Evan apertando com força o cabo de sua lança.
- Sim, ele vai! – disse Bulma enfaticamente – E talvez o desgraçado esteja dentro da Torre junto com o tal demônio.
- O guardião... – disse Evan – o Senhor dos Ventos mencionou algo sobre ele.
- Pessoal – gritou Tallin - querem ficar quietos por um instante e olhar para o leste?
Todos se viraram instintivamente e não acreditaram no que seus olhos lhes mostravam.

A menos de quinhentos metros, envolta por sombras vivas que serpenteavam incessantemente, jazia um imenso pilar. Negro, distorcido e impenetrável. A Torre do Desespero.
- Como? - disse Hargor perplexo.
- A névoa que nos envolveu nos trouxe para cá – disse Astreya tentando explicar para si mesma o que havia ocorrido – da mesma forma que trouxe Evan até nós.
- Quem é esta cigana? – perguntou Aramil extremamente perturbado – Como ela conseguiu nos teletransportar para tão perto?
- De que isso importa? – disse Oyama – Vamos logo. Depois perguntamos se ela quer entrar para o grupo e preencher a vaga de mago.
- Cale a boa, seu idiota! – gritou Aramil em meio aos risos de Oyama.
- Evan, o que o Senhor dos Ventos disse sobre o guardião? – perguntou Hargor.
- Que deveríamos ouvir o que o rei Thingol disse à Aramil – respondeu o paladino meio elfo – esta, segundo ele, será nossa melhor defesa.
- O Alto Rei Thingol disse que o demônio não está fisicamente dentro da Torre – explicou Aramil – mas que ele controla tudo lá dentro, da estrutura física da Torre às criaturas que existem lá. O rei Thingol me deu amuletos que irão anular o controle que o demônio tem sobre as paredes e chão da torre por onde passarmos, mas o maior perigo, segundo ele, não era este.
- E qual era? – perguntou Tallin.
- Este local é chamado Torre dos Pesadelos por um motivo – continuou Aramil – ela tem um poder muito grande de afetar nossas mentes, e o demônio guardião parece ser um mestre neste tipo de “arte”. O rei Thingol disse que nossas proteções mágicas serão inúteis lá dentro, e que, apesar do demônio não poder se manifestar fisicamente na Torre, ele pode abrir diversos portais, e VAI tentar fazer com que entremos em um destes. Não preciso dizer o que acontece caso alguém passe por um portal que leva a Pandemônio, não é?
- Não, não precisa – disse Evan – você tem amuletos para todos nós, Aramil?
- Sim – respondeu o mago – o rei Thingol, sabendo que esta missão seria empreendida por muitos não elfos, sabia que os amuletos poderiam se quebrados ou perdidos de forma estúpida, por isso, me deu vários sobressalentes.
- Quanta gentileza a dele – disse Hargor.

Aramil entregou a todos um amuleto, feito em ouro com o símbolo de uma lua crescente. Mais confiantes pelo retorno de seu antigo líder, os heróis de Elgalor avançaram. Sabiam que enfrentariam horrores e terríveis pesadelos, um demônio astuto e quase invencível e talvez até mesmo Thurxanthraxinzethos. Ainda assim, caminhavam com a convicção de que TODOS sairiam juntos dali.

E longe dali, uma misteriosa e bela jovem observava tudo atentamente em sua bola de cristal...

sábado, 4 de dezembro de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 26: Evan, o Justo


É com muito alegria que hoje, no dia do casamento de meu alter-ego com Odin (que eu conheci graças ao RPG, então não poderia haver homenagem melhor a este dia), trago-vos o vigésimo sexto capítulo das Crônicas de Elgalor. Agradeço de coração a todos os que nos parabenizaram por nosso dia e a todos que vem nos acompanhando até aqui. Vocês tornaram nosso caminho ainda mais feliz. Obrigada, amigos e companheiros de jornada!

(O capítulo 27 também sairá em um post programado na próxima semana).

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 26: Evan, o Justo


O encontro com Skarr, o escolhido de Gruumsh havia sido tenso; dentro de três dias, uma grande batalha entre o misterioso orc e os Grandes Reis dos anões e elfos provavelmente ocorreria. Os aventureiros avançavam cautelosamente dentro das Terras Sombrias, tentando focar-se em sua missão imediata. Contudo, a mensagem de Skarr deveria ser entregue por eles, e ninguém conseguia prever as conseqüências que um embate daquelas proporções traria.

- Como se já não tivéssemos problemas o bastante, agora aparece esse orc gigante querendo desafiar os grandes reis – disse Tallin enquanto todos caminhavam juntos e com as armas em mãos.
- Tudo bem – respondeu Oyama – quero mesmo ver o rei Balderk arrancar o couro deste animal.
- Sim – respondeu Hargor sério, porém sem esconder o orgulho que sentia – apesar disto evidentemente se tratar de uma armadilha, Skarr não terá chance contra o mais poderoso rei que Darakar já teve.
- Humph – praguejou Tallin olhando para os lados – grande coisa. Dizem que Balderk é o guerreiro mais poderoso de Elgalor, mas nunca o vi cruzar lâminas com Coran Bhael ou com Bheleg Aldalen.
- Por mais habilidosos que sejam o rei de Sírhion e o mestre de armas de Sindhar – retrucou Hargor zangado – eles ainda não são tão poderosos quanto o rei Balderk, elfa. Da mesma forma que Thingol de Sindhar é o arquimago mais poderoso de Elgalor, Balderk é o guerreiro mais formidável. Isto é indiscutível.
Antes que Tallin tentasse derrubar o argumento de Hargor, todos notaram que Aramil subitamente havia parado de andar.
- O que foi, elfo? – perguntou Bulma impaciente – já está cansado de novo?
- Cale-se – disse Aramil friamente- Astreya! – chamou o mago.
- Diga, Aramil – respondeu a barda se virando para trás, já sabendo do que se tratava.
- Me entregue a corneta - disse o mago com autoridade – ela irá para Sindhar.
- Não – respondeu a barda – levarei a corneta para Sírhion e a entregarei ao rei Coran.
- O duelo é entre o ALTO REI dos elfos, meio humana – gritou Aramil furioso – apenas o rei Thingol. Quando isso acabar, a corneta irá comigo para Sindhar, nem que eu tenha que...
- Tomá-la de mim à força, Aramil? – perguntou a barda.
- Você não faz idéia do que isto significa, tola – respondeu Aramil ignorando a pergunta de Astreya - Independente de quem uma meio humana como você chama de rei, isto é um assunto dos elfos. Esta não é a primeira vez na história em que um campeão de Gruumsh desafia um rei élfico, e o desafio deve ser respondido apenas pelo alto rei de nosso povo. Ninguém mais!
- Mesmo que ele morra, visto que este duelo será claramente desvantajoso para conjuradores – perguntou Astreya tentando persuadir Aramil – Este orgulho de vocês altos elfos ainda vai causar muita dor para todos nós!
- Apenas o Alto Rei pode lutar – respondeu Aramil secamente – uma meio humana não tem direito algum de sequer opinar sobre o assunto. Deixar que alguém lute em seu lugar? Thingol jamais submeteria seu povo a esta humilhação frente à Corellon. Além do mais, o que a faz pensar que Coran Bhael se sairia melhor apenas porque sabe brandir uma espada?
- Pode ter certeza – gritou Astreya – que eu sou a última pessoa no mundo que quer ver Coran lutando com aquele monstro!
- Mas... – disse a barda em um tom mais moderado – Ele já fez mais por nós todos do que Thingol ou qualquer outro rei. Seria errado simplesmente ignorá-lo e entregar a corneta à Thingol sem nem mesmo falar com ele. Se fizer isso, estarei traindo sua confiança...
- Você é uma tola, Astreya – interrompeu Aramil – Será que é tão difícil resistir aos impulsos idiotas de seu lado humano, barda?
- Chega! – gritou Hargor segurando firme seu martelo – resolvam isso depois!

Mal o anão terminou de falar e uma densa névoa cinzenta encobriu todos eles.
- O que é isso? – gritou Bulma – Surgiu totalmente do nada!
- E é diferente da névoa escura de antes – observou Oyama – esta névoa é mais clara, e muito mais densa.
- Nós estamos completamente cercados por ela – gritou Tallin, notando que agora eles não enxergavam nada ao redor, e mal podiam ver uns aos outros.
- A névoa está repleta de magia – disse Aramil erguendo seu cajado – preparem-se, pois alguma coisa está vindo.
Lentamente, a névoa que envolvera os aventureiros começou a se dissipar, e todos viram a sombra de um guerreiro carregando uma lança, montado em um grande lobo atroz, de pelo branco como a neve.
- Não pode ser! – gritou Astreya – Evan?
- Não acredito... – disse Oyama quando a névoa se dissipou completamente. O guerreiro à frente deles era um meio elfo de cabelos negros mal cuidados e barba por fazer. Trajava uma armadura de batalha sem nenhum adorno ou símbolo e carregava uma lança, perfeitamente construída em um metal claro como prata, que emanava uma forte luz dourada por todo seu cabo e lâmina.

- Você morreu quando derrotamos o Cavaleiro Negro – disse Bulma ainda não acreditando em seus olhos – eu mesma acendi a pira que usamos para queimar seu corpo!
- Sei que deve ser difícil acreditar, mas eu ressuscitei a cerca de seis dias – respondeu o guerreiro desmontando de seu lobo – Lutei ao lado dos paladinos e guerreiros de Bahamut, o Dragão de Platina durante todo esse tempo em Celéstia. Há uma grande guerra acontecendo nos planos superiores, mas por alguma razão, Bahamut e Heironeous decidiram que minha presença seria mais necessária em Elgalor, por isso, fui enviado para cá.
- Sério? – disse Tallin tentando sutilmente arrancar mais informações – E como é o pós- vida?
- Na verdade, moça – disse o guerreiro com formalidade pois ainda não conhecia a elfa – me lembro de muito pouco do que ocorreu lá, e quanto mais me esforço para lembrar, mais me esqueço.

Continua...


Uma pequena homenagem ao nosso enlace! Voltamos após o dia 16 de dezembro!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Canções Natalinas II - Metal Christmas!

Pois os metaleiros também comemoram o Natal. E para o Within Temptation, ao invés de entregar presentes, o Papai Noel acaba com dragões e Rudolph é Ragnagord, o ovelord rena do mal.





We’re gonna have a Gothic Christmas:
That is what we’ll do.
We’re gonna have a Gothic Christmas:
Hope you’ll have one too.

Santa’s going to wear a black dress;
Just for me and you.
Santa’s going to grunt in Latin;
And slay a dragon or two.

Rudolph, he will change his name,
’Cause “Rudolph” just sounds really lame—
Now we’ll call him Ragnagord,
The evil reindeer overlord.

His nose it shall be red no more—
It will be blackened to the core.
His eyes will glow an evil glow,
To guide the chariot through the snow …

We want to wish you a Gothic Christmas.
We want to wish you a Gothic Christmas.
We want to wish you a Gothic Christmas.
We want to wish you a Gothic Christmas.

We’re gonna have a Gothic Christmas:
That is what we’ll do.
We’re gonna have a Gothic Christmas:
Hope you’ll have one too.

We want to wish you a Gothic Christmas.
We want to wish you a Gothic Christmas.
We’re gonna wish you a Gothic Christmas.
Hope you’ll have a Gothic Christmas too

Manowar + Noite Feliz? Qual não foi minha alegria ao descobrir uma de minhas bandas favoritas interpretando uma música natalina!



"We wish you a Merry Christmas and a headbanging New Year!"



Caros aventureiros e visitantes: um feliz natal e um ótimo 2011 para todos!!!

sábado, 27 de novembro de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 25: Skarr


Olá amigos! É com grande honra e alegria que vos trago o vigésimo quinto capítulo das Crônicas de Elgalor, e digo-vos que a espera compensou! Sem mais delongas, vamos a leitura!


Que os ventos da boa fortuna sempre vos acompanhem, nobres aventureiros!


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 25: Skarr


Por ODIN.


Em meio ao solo cinzento e a escura neblina que envolvia a vastidão conhecida como Terras Sombrias, os heróis de Elgalor lutavam. Contra grandes demônios alados de pele negra e olhos amarelos, esqueletos gigantes cobertos por mantos rasgados, vermes gigantes e outros monstros que nenhum deles jamais havia visto.
- Droga! – exclamou Tallin enquanto cortava a garganta de um demônio com seus dois longos punhais prateados de lâmina curvada – É o que? A quarta vez que somos atacados do nada em menos de duas horas?
- Quinta, eu acho – gritou Oyama esmagando o crânio de outro demônio – nós não conseguimos dar vinte passos sem que apareça alguém voando da neblina ou sem que saia um bicho do chão tentando nos puxar para baixo.
- E daí? – disse Bulma com um sorriso sanguinário no rosto enquanto arrancava as asas de um demônio com as mãos – Eu não agüentava mais ficar parada.
- Neste ritmo – gritou Hargor enquanto batia furiosamente seu martelo sagrado no chão, criando uma onda de luz que transformou em pó todos os esqueletos que os cercavam – não vamos conseguir chegar à Torre do Desespero.
- Se tivéssemos um mago de verdade, ele poderia nos levar até lá – provocou Oyama enquanto derrubava outro demônio.
- Guarde sua idiotice para si mesmo, maldito! Se eu tentar nos teletransportar aqui, podemos aparecer debaixo da terra ou até em outro plano – disse Aramil logo após conjurar um poderoso relâmpago que destruiu três demônios que estavam atordoados pela magia sônica que Astreya havia conjurado.
- Hargor tem razão – disse Astreya se esquivando do ataque de um demônio que foi logo depois decapitado pelo machado de Bulma – precisamos avançar mais rápido.

Alguns minutos depois, o combate se encerrou. Como das outras quatro vezes anteriores, os heróis formaram um círculo onde Tallin, Oyama e Bulma montavam guarda, enquanto Hargor curava os ferimentos de todos e Astreya e Aramil usavam magias de adivinhação para tentar encontrar um rota menos cheia de demônios. Da primeira vez, eles tentaram enviar Tallin e Oyama como batedores, mas os dois foram cercados e quase mortos antes que o restante do grupo pudesse chegar para auxiliá-los. As magias de Aramil e Astreya, apesar de se mostrarem pouco eficientes, ao menos não colocavam ninguém em risco direto.
- O que é isso? – perguntou Aramil levantando a cabeça, como se tentasse enxergar um rastro invisível – Uma magia muito poderosa esta sendo conjurada perto daqui.
- Estou sentindo – respondeu Astreya – o que pode ser?
Antes que Aramil pudesse formular uma teoria, um jato de fogo rompeu do chão a cerca de cem metros deles. O jato parecia se elevar até o céu sombrio daquela região amaldiçoada, e quando ele se apagou, Tallin, que aparentemente tinha a visão mais aguçada entre todos ali gritou.
- Por Corellon... – disse a ladina se esforçando para conter o desespero avassalador que a tomou por um instante – Aramil, nos teletransporte daqui!
- O que você está vendo, mulher? – perguntou Aramil irritado por nem mesmo seus aguçados olhos élficos serem capazes de romper a névoa e enxergar o que havia assustado tanto Tallin.
- Agora! – gritou Tallin.

Após o grito da ladina, todos gradativamente começaram ver o que surgira daquela explosão de fogo. Como se fosse controlada por uma consciência sádica, a névoa lentamente se dissipou, mostrando com clareza uma imagem que gelou por um instante o coração de todos ali. Sem exceção.

No local onde o jato de fogo havia rompido, havia centenas de guerreiros orcs, trajando pesadas camisas de cota de malha enferrujadas e portando grandes machados de lâmina vermelha. À frente deles, estava aquele que claramente era o líder. Um orc de aparentemente mais de dois metros de altura, com a constituição poderosa como a de um anão, que trajava uma camisa de cota de malha negra e carregava com uma só mão um enorme machado cuja lâmina parecia banhada em sangue fresco, que pingava lentamente no chão. Para a surpresa de todos os heróis, este orc cravou seu machado no chão e começou a andar desarmado na direção deles, enquanto seu exército permanecia imóvel.

O orc caminhava de forma lenta e extremamente arrogante, como se pudesse facilmente matar todos ali com as mãos nuas. Conforme ele foi se aproximando, os heróis começaram a reparar alguns detalhes em sua aparência nefasta. Este orc não tinha o olho direito, e seu olho esquerdo era tão vermelho quanto o sangue que cobria seu machado. Sua face era marcada por uma enorme cicatriz que varava todo o lado direito de seu rosto. Seus cabelos eram negros e desgrenhados, sua pele era cinzenta e repleta de cicatrizes e queimaduras. Astreya estacou e empalideceu ao ver o sangue e a cor do único olho da enorme criatura. Ela lembrou-se imediatamente da revelação que lhe havia sido feita pela meio-elfa que havia aparecido para ela quando perdera a consciência na floresta de Elvanna. Vermelho, a cor que lhe traria sofrimento.

- Atacamos? – perguntou Oyama para os demais enquanto o líder orc ainda estava há pouco mais de cinqüenta metros.
- Sim – rosnou Bulma.
- Não! – disse Aramil – se atacarmos ele, seu exército vai avançar sobre nós no mesmo instante. Sinto magia ali. Há conjuradores escondidos em meio aos soldados.
- Então, você também acha que eles não são uma ilusão – disse Hargor.
- Não, não são – respondeu Aramil
- Não sei o que este idiota quer conosco – disse Tallin com as mãos próximas aos cabos de suas armas – mas não estou disposta a esperar para descobrir. Aramil, sei dos riscos do teletransporte, mas não pode ser pior do que enfrentar sozinhos um exército de orcs em um campo aberto.
- Sim, pode, tola – respondeu o mago de forma sombria – acredite.
- Espere... – disse Hargor olhando para seu símbolo sagrado, como se estivesse ouvindo algo – ele nos trás uma mensagem.

Pouco depois que Hargor terminou de falar, o orc chegou, parando há dez metros de distância do grupo.
- Saudações, porcos e gazelas de Elgalor – disse o orc com um sorriso sombrio no rosto – eu sou Skarr, o Escolhido de Gruumsh.
- E o que quer conosco? – perguntou Astreya.
- Que levem uma mensagem aos seus reis covardes – respondeu Skarr em um tom rude a ameaçador – dentro de três dias, Gruumsh, o Senhor dos Orcs propõe um desafio.
- “Desafio” – repetiu Hargor demonstrando claramente o ódio que sentia.
- Sim – continuou Skarr olhando friamente para o anão – Eu duelarei com o rei de cada uma de suas raças imundas. Anões e elfos. Vocês escolhem o local, e nós escolhemos os termos.
- Que seriam... – perguntou Aramil como se não estivesse levando aquilo a sério.
- Combate homem contra homem sem a interferência de nenhuma força externa dentro de uma arena – respondeu Skarr – isso se houver homens entre suas raças medíocres.
- E por que os reis devem aceitar seu desafio, poderoso Skarr? – questionou Tallin com sarcasmo na voz.
- Porque se não o fizerem – respondeu Skarr com um sorriso malicioso – A contagem de corpos do lado de vocês vai aumentar MUITO.
- Explique melhor, Skarr – disse Oyama – até onde eu sei, até um elfo mirrado como Aramil consegue colocar a sua raça suja para correr.
- Cuidado com a boca, verme – ameaço Skarr - ou levo você ainda vivo para Aqueronte comigo. Meu exército e eu não podemos ficar neste plano por muito tempo sem agredir o acordo de “não interferência” que seus deuses patéticos criaram...
- Mas se recusarmos um desafio formal feito por um representante de um deus – completou Hargor a contragosto – isso lhes dá o direito de infligir as regras momentaneamente, o que possibilitaria que você e sua corja possam vagar por este mundo.
- Exato – respondeu Skarr – o desafio é feito para seus Grandes Reis, mas se um deles não tiver coragem o bastante para aceitar, podem mandar um representante no lugar. O resultado será o mesmo.

Skarr estendeu suas duas mãos à frente, e duas grotescas cornetas vermelhas feitas de ossos surgiram.
- Entreguem isto a seus reis – ordenou o orc – quando eles estiverem prontos para morrer nas minhas mãos, basta soprar. Lembrem-se que eles podem escolher qualquer lugar em Elgalor para os combates, mas que nenhuma interferência externa será permitida dentro da arena que meu mestre criará.
Hargor estendeu a mão e pegou uma das cornetas. Aramil fez o mesmo, mas Astreya se adiantou e pegou a corneta restante. O mago elfo olhou para a barda com recriminação, mas Astreya o ignorou e guardou a corneta em sua bolsa arcana.
- Você já disse isso antes, orc estúpido – disse Aramil de forma arrogante agora que compreendera a situação – não há necessidade de repetir.
– Um dia depois da morte de seus reis, - disse Skarr abrindo um sorriso macabro - vocês todos estarão na minha câmara de tortura.
- Isso se eu não matar você primeiro – rosnou Bulma com o machado em mãos.
- Se tentar fazer isso, meus soldados e eu ganharemos mais alguns minutos aqui – disse Skarr – Quer arriscar?
- Já deu seu recado, cão – disse Aramil de forma extremamente arrogante – agora suma, pois temos mais o que fazer.
Skarr olhou furiosamente para o elfo, mas sabia que não poderia sequer encostar em um deles naquele momento sem atrair a ira de Corellon, Moradin e talvez até outros deuses. Irritado, Skarr virou as costas e começou a andar em direção a seus homens.
- Três dias, vermes – disse ele ainda de costas – três dias.
- Como vocês saberão o local do combate? – perguntou Tallin.
- Estaremos observando vocês – respondeu Skarr sem se virar – E Aramil...
- O que foi? – perguntou o Elfo.
- Há sete anos, quando vocês começaram a lutar juntos, você tinha um cavalo – disse Skarr enquanto caminhava.
- Sim – respondeu Aramil com um sorriso – o nome dele era Gruumsh. Um lembrete para que ficasse sempre claro quem monta e quem é montado.
- Você vai pagar por isso! – respondeu Skarr emitindo um rosnado – muito caro.

Neste momento, mais um jato de fogo surgiu do chão, e Skarr e seu exército desapareceram da mesma forma abrupta como surgiram.
- E agora? – perguntou Astreya, visivelmente perturbada – precisamos avisar os reis... Três dias é muito pouco tempo para algo tão grande assim!
- É proposital – disse Hargor – mas não se preocupem, com isso agora. Vamos nos concentrar em chegar vivos à Torre do Desespero. Temos ainda um longo caminho pela frente...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Haja o que houver

Em um pergaminho recente que escrevi sobre o dia comemorativo dedicado à Língua Portuguesa, trouxe uma canção de um instigante grupo de terras lusas, o Madredeus. Hoje, trago mais um trabalho deste grupo de bardos, possuidor de um lirismo tocante -Haja o que houver. Uma canção de amor que poderia muito bem ser tocada em uma taverna por uma barda apaixonada...


Haja o que houver - Madredeus

Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti

Volta no vento ô meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor...

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...

Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...


E que donzela aventureira não fica longe de seu amado?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Canções Natalinas I


O Natal está chegando, e em homenagem a esta calorosa data, durante estas duas semanas alternarei os pergaminhos que conseguir escrever com canções natalinas!

Não importa a religião que se siga, não importam credos pessoais: sempre enxerguei esta data como um momento de reflexão, de celebração pelas coisas boas, de gratidão pelo que temos e principalmente, pelo que não temos: doenças graves, fome, e outros faltas que assolam tantos em nosso mundo.

Por isso, celebremos com boa música esta data, e que os sentimentos de paz, harmonia e caridade estejam em vossos corações, não apenas no Natal, mas em todo momento de vossas vidas!

E para tanto, também evoco uma das mais belas histórias de Natal que tive o prazer de conhecer: Um Conto de Natal (A Christmas Carol), de Charles Dickens.

Um Conto de Natal narra a história de Ebenezer Scrooge, um velho homem envelhecido em corpo e espírito por seu egoísmo e avareza, implacável com as pessoas em geral e com opiniões duras. Scrooge odeia o Natal e não entende simplesmente porque as pessoas ousam estampar felicidade em seus rostos em meio a pobreza e ao tormento, julgando-as idiotas. Preocupado apenas com o lucro, o velho maltrata seu empregado, Bob Cratchit, cujo filho Tim possue paralisia nas pernas e sofre com as adversidades vindas da pobreza do pai, que mal consegue sustentar a família com o salário pago a ele por Scrooge. Não obstante, Bob e Tim são felizes.

Em uma fatídica noite, Scrooge recebe a visita de seu finado sócio Marley, tão avarento quanto ele em vida, dizendo-lhe que sua realidade pós-túmulo é terrível. Ele revela que Scrooge terá uma chance de se redimir, recebendo a visita de três fantasmas naquela noite: o Fantasma do Natal Passado, o Fantasma do Natal Presente, e o Fantasma do Natal Futuro.

Para conhecer melhor esta singela história de Natal com imagens e canções, sugiro que assistam sua mais recente adaptação para os cinemas: Os Fantasmas de Scrooge, produzido com delicadeza pela Disney em animação. Confesso que o primeiro contato de meu alter-ego com ela foi por meio de um livrinho de histórias do Tio Patinhas, aos 5anos de idade. O nome de Patinhas em inglês, aliás - Uncle Scrooge - foi dado ao personagem em homenagem ao tio sovina de Charles Dickens.

Bem, mas voltando à música, esta noite vos trago a canção que foi especialmente composta para fazer parte da trilha sonora da película cinematográfica que mencionei. E não poderia ser mais apropriada para evocar o espírito natalino no Cancioneiro.


God Bless Us Everyone - Andrea Bocelli

Impossível a esta barda não se sentir feliz quando escuta esta canção!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Apenas uma bela canção...

Por vezes me impressiono em perceber como o mundo está repleto de belas melodias. Desde pequena, eu sempre busquei a música como forma de expressar minhas emoções e senti-las em sua plenitude. E nunca, em nenhum momento, eu parei de me surpreender com a descoberta de mais e mais beleza. Acho que, assim como o universo, a música é uma manifestação infinita!


Adiemus - Karl Jenkins

Esta canção lembrou-me deveras do filme Avatar, apesar de não pertencer a sua trilha sonora. Belíssima, não?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Apenas para descontrair...

Achei essa imagem deveras divertida e não resisti em trazê-la para vós, nobres visitantes! Espero que riam assim como eu e que isso alegre vossos dias...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Legend of Mana (Seiken Densetsu)

Foi o alter-ego de Odin que me apresentou esta bela história em forma de video game, que se tornou um de meus jogos favoritos. Alguns dos motivos são os cenários desenhados que evocam inteiramente aquilo que me encantava na infância, as possibilidades de fazer várias coisas no jogo, como incrementar armas, construir instrumentos musicais, criar animais de companhia e plantar frutas (!), mas, além de tudo isso e principalmente, as histórias que permeiam o jogo e sua bela trilha sonora.

Como disse o alter-ego de Bulma há alguns dias atrás, o cenário a la "moranguinho" com direito a alfaces andantes fofas e irritantes chamadas sproutlings pode até afastar alguns guerreiros de coração mais duro. Mas é certo que essa pequena pérola para PlayStation 1 é um clássico que possui muitos admiradores, e até um fan site!

Como recomendação, sugiro que façam toda a saga dos Jumis, guerreiros com coração de pedras preciosas que são caçados e mortos para terem as gemas das quais suas vidas dependem vendidas. Confesso que me emocionei ao ver a história de Elazul, Pearl e seu povo se desenrolar!



E agora, sem mais delongas, vamos a belíssima trilha sonora!


A linda e emocionante canção da abertura do jogo...


Nostalgic Song - minha canção favorita de todo o jogo!


A melancólica "City of Flickering destruction", canção-tema da Cidade dos Jumi.


E por fim, a canção de encerramento do jogo.
Que os ventos da boa-aventurança estejam convosco, bravos aventureiros!

sábado, 13 de novembro de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 24: A ladina, o monstro e o guerreiro.


Bons ventos os trazem, caros aventureiros, visitantes e quem mais vier! Com grande honra trago-vos mais um capítulo das saudosas Crônicas de Elgalor!

Boa leitura e que os ventos da bonança estejam sempre convosco!

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 24: A ladina, o monstro e o guerreiro.


Por Odin.



Ao serem teletransportados de Sírhion por Aramil, os heróis chegaram a um pequeno vilarejo abandonado, que fazia divisa entre o Reino de Kamaro e a região inóspita conhecida em Elgalor como as Terras Sombrias.

Segundo as lendas, muitas eras atrás duas divindades de imenso poder se digladiaram ali. Além dos próprios deuses, campeões que representavam a epítome do bem e do mal, da luz e das trevas se confrontaram durante sessenta dias e sessenta noites. O avanço das forças das trevas foi barrado ao fim daquela titânica batalha; o mal não chegou a tocar as areias de Kamaro e o restante de Elgalor, mas corrompeu completamente toda a região onde a guerra ocorreu. Alguns bardos afirmam que as divindades que se enfrentaram foram Corellon e Gruumsh; outros cantam histórias sobre o duelo mortal entre Kord e Erythnul ou entre Heironeous e Hextor. Em Kamaro, é dito que aquele foi o último confronto aberto entre Pelor e Nerull. Ninguém sabe o que ocorreu ali de fato, mas é de conhecimento geral que aquela região está irremediavelmente destruída e corrompida pelo mal.

Apesar da proximidade com Kamaro, o vilarejo onde os heróis surgiram era frio, e a noite pesada e sinistra.
- Hã? – disse Oyama olhando para o céu – saímos de Sírhion no meio do dia. Como pode estar escuro aqui?
- Nesta região – disse Astreya se lembrando das histórias contadas por sua mãe – temos de três a quatro horas de sol por dia. Todo resto do tempo, o céu é escuro com se fosse noite.
- Sinto cheiro de carniça por toda parte – disse Bulma empunhando seu machado e observando estranhas pegadas no solo arenoso – este lugar não está tão deserto quanto deveria.
- Monstros e demônios vivem neste lugar – respondeu Hargor - por isso os humanos partiram. Depois de alguns anos, não havia mais como lutar, ou por que ficar aqui.
- É verdade – confirmou Astreya.
- Sem querer atrapalhar o paisagismo ou as lições de história inúteis de vocês – disse Aramil abruptamente – temos uma caminhada de vinte quilômetros pela nossa frente.
- Que jeito interessante de dizer “estou morrendo de medo, por favor vamos sair daqui” você arrumou agora, Aramil – zombou Oyama.

- Por um lado, sou obrigado a concordar com o arrogante lorde Aramil – ecoou uma voz feminina doce, porém atrevida – vocês estão fazendo barulho demais.
Todos olharam ao redor com armas em punho tentando identificar a origem da voz. Sim, eles iriam encontrar a ladina Tallin ali, mas não sobreviveram a anos de aventuras sendo descuidados e confiando no que apenas parecia certo.
- Se for você, Tallin, apareça – disse Aramil.
- Se não for, apareça também – disse Bulma com um sorriso malicioso no rosto.
De repente, um vulto surgiu de trás de uma pequena cabana destruída. Era uma bela elfa, da altura de Astreya, com os longos cabelos castanho claros e olhos bastante aguçados. Vestia uma bem trabalhada e leve armadura de couro repleta de bolsos e compartimentos.
- Prazer – respondeu a elfa com um sorriso fazendo uma mesura – como vocês realmente parecem ser quem eu procuro, aqui estou eu. Tallin de Sírhion, a vosso dispor.
- Nada mal... – disse Oyama observando a elfa enquanto tentava em vão arrumar um pouco seu cabelo desgrenhado – Sou Oyama, o Flagelo das Feras, bela donzela. Estes são Hargor, Astreya e Bulma. O elfo de vestido aqui é Aramil, mas acho que vocês já se conhecem.
- Oyama... – disse Astreya.
- Sei quem vocês todos são – respondeu Tallin se divertindo com a situação, pois ela realmente gostava da maneira direta e tola como apenas os humanos conseguiam se expressar. Capitão Bheleg e o rei Coran me informaram tudo sobre vocês.
- Tudo? – disse Oyama gargalhando – aposto que não!
- Querem calar a boca e começar a andar, tolos? – gritou Aramil – Tallin, você está criando ainda mais barulho e atraso!
- Não ligue para ele – disse Oyama propositalmente colocando a mão sobre o ombro de Aramil para provocar o elfo – no fundo ele é quase suportável.
- Não se preocupe – disse Tallin – Lorde Aramil não tem muita simpatia por mim.
- Talvez porque você é uma ELFA que parece apreciar mais a companhia de humanos do que de seu próprio povo – respondeu Aramil.
- Basta! – gritou Hargor – chega de discussões inúteis. Temos muito trabalho a fazer!
- Realmente – disse Bulma pegando uma pedra no chão e arremessando com toda força sobre uma sombra entre alguns escombros.

A pedra se chocou contra a madeira entulhada e atravessou-a como uma espada atravessa um manto de seda. Um gritou gutural ecoou das sombras e uma criatura de pouco mais de um metro de altura saltou para frente, com as mãos levantadas.
- Não me machuquem! Não vou lhes fazer mal!
A voz da criatura era ríspida e difícil de ser entendida. Seu corpo era retorcido e sujo; ele tinha poucos fios de cabelo, dentes e nariz tortos e olhos esbugalhados. Suas roupas eram rasgadas e imundas, e fediam a fezes.
- Por Corellon, que criatura abissal é esta? – disse Aramil com extrema repúdia.
- Ele é inofensivo – disse Tallin – ficou escondido o tempo todo desde que eu cheguei aqui algumas horas atrás.
- Eu esperando um demônio de seis braços, e aparece isto – disse Bulma frustrada guardando seu machado – não se preocupe. Não vamos machucá-lo.
- Quem é você? – perguntou Astreya com docilidade – precisa de ajuda?
- Ajuda? – disse Aramil – A única coisa que podemos fazer para ajudar esta... criatura, é matá-la e livrá-la do tormento e vergonha da própria existência.
- Aramil! – gritou Astreya.
- Elfo maldito! – gritou a criatura – você me humilha só porque se acha superior!
- “Se acha superior”? – repetiu Aramil com cada vez mais asco da pobre criatura – eu SOU superior. Até os piolhos de Oyama são superiores a você. Na verdade, eu tenho pena de você. Muita pena.
- Aramil, cale a boca! – gritou Astreya furiosa com o comportamento do companheiro.
- Ignore o elfo tolo – disse Hargor para a criatura – qual é seu nome?
- Me chamam de Morkk, o Grotesco – respondeu a criatura.
- Eu não teria um nome melhor – zombou Aramil.
- Cale-se elfo! – disse Hargor secamente – Morkk, nossa amiga encontrou rastros estranhos no solo. Pareciam pegadas de demônios ou algo assim. Sabe de alguma coisa?
- Um dia e meio atrás – disse Morkk – uma caravana de humanos havia se perdido e chegado até aqui – demônios os perseguiam e teriam matado todos certamente, mas de repente surgiu um guerreiro trajando uma armadura de batalha e portando uma lança. Ele vinha montado em um grande lobo branco, e matou todos os demônios. Depois, partiu para o norte, provavelmente para escoltá-los até alguma estrada.
- E por que você não foi junto? – perguntou Astreya.
- Por que alguém levaria isso - disse Aramil apontando para Morkk com desprezo.

Morkk, desta vez, se enfureceu tanto que sua raiva pelo elfo superou o medo que ele sentia. Ele pegou a pedra que Bulma havia atirado e a arremessou com toda força que tinha contra o elfo. A pedra atingiu a testa de Aramil, abrindo um enorme corte pouco acima da sobrancelha direita.
- Seu maldito pedaço de esterco! – gritou Aramil apontando seu cajado para Morkk.
- Nãããoo – gritou Morkk desesperado ao ver o cajado de Aramil brilhando – um dia ainda vou me vingar de você, elfo maldito – disse ele enquanto corria para a escuridão.
- Aramil, você ficou louco? – gritou Astreya baixando rapidamente a mão do mago que segurava o cajado.
- Me solte, meio humana tola! – respondeu Aramil – eu não iria machucá-lo, apenas assustá-lo!
- Mas chega disto – disse Aramil tocando seu ferimento com a mão enquanto olhava para Hargor e Astreya – ao julgar a expressão de seus rostos, suponho que não irão me curar, não é?
- Supôs certo – respondeu Hargor rispidamente – e eu sinceramente espero que isto infeccione.
- Afinal, como você mesmo disse – zombou Astreya – temos mais de vinte quilômetros de caminhada pela frente. É melhor não “perdermos tempo”.
- Humph! – resmungou Aramil retirando de sua bolsa um pequeno pedaço de tecido e uma poção – não preciso de vocês.
- Hahaha, acho que vou gostar muito de andar ao lado de vocês! – disse Tallin.
- Você é muito bem-vinda – respondeu Oyama – Mas estou curioso com uma coisa: Parece impossível, mas aquele guerreiro que o Morkk descreveu não lhes parecia familiar?

- SE for quem pensamos – disse Hargor – ele irá nos encontrar.
- Mas ele foi para o norte, e estamos indo para o sul – respondeu Oyama.
- Se realmente for ELE – disse Bulma – ele VAI nos encontrar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Tavernas e canções

Encontrei estas belas canções de taverna no oráculo youtube e quis partilhá-la convosco, bravos aventureiros! Descobri que elas fazem parte da trilha sonora de um jogo para PC chamado The Witcher (aos moldes de Neverwinter Nights), baseada em uma série de best-sellers de um autor polonês, Andrzej Sapkowski, cuja obra é desconhecida no Brasil por falta de alguém que a traduza. Aproveitem estas graciosas canções de taverna!





Ah, memórias de Bulma quebrando as cadeiras...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A última flor do Lácio

Língua portuguesa
(Olavo Bilac)

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Hoje descobri que dia 5 de novembro é o Dia Nacional da Língua Portuguesa. Aqui vai minha homenagem atrasada a nossa bela língua, a última flor do Lácio.

E para os curiosos, o Lácio (Lazio, em italiano) é uma região central da Itália, berço do Latim do qual várias línguas, como o francês, o italiano e o espanhol são derivadas. Diz-se que o português foi o último idioma a nascer do Latim - por isso Olavo Bilac o chama de "a última flor do Lácio".

E para comemorar, uma autêntica e interessante canção portuguesa!


O Pastor - Madredeus

Para aqueles que, como esta humilde barda, não conseguem entender a letra por inteiro (da-lhe variação linguística), aqui vai ela (e não é que combina com a fantasia que permeia nossos jogos de RPG?):

Ai que ninguém volta
ao que já deixou
ninguém larga a grande roda
ninguém sabe onde é que andou

Ai que ninguém lembra
nem o que sonhou
(e) aquele menino canta
a cantiga do pastor

Ao largo ainda arde
a barcada fantasia
e o meu sonho acaba tarde
deixa a alma de vigia

Ao largo ainda arde
a barca da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
acordar é que eu não queria.

sábado, 6 de novembro de 2010

As Crônicas de Elgalor - Capítulo 23: Reunidos uma vez mais.


Boa-noite, amigos! É com grande honra e alegria que vos trago neste sábado o décimo terceiro capítulo das Crônicas de Elgalor, sob a pena e a benção de Odin.
Boa leitura, e que os ventos da fortuna sempre vos acompanhem!


As Crônicas de Elgalor - Capítulo 23: Reunidos uma vez mais.


Por Odin.

Mais um dia se passou, e agora todos os heróis de Elgalor já estavam plenamente recuperados, ao menos fisicamente. Contudo, ainda havia questões que precisavam ser resolvidas antes que eles pudessem uma vez mais se reunir.

Pela manhã, na grande praça em frente ao belo palácio de Sírhion, Oyama, Hargor e Bulma aguardavam impacientes por Astreya, enquanto conferiam seus equipamentos. Junto deles, estava Thamior, o alto clérigo de Sírhion.
- Eu entendo a preocupação de Coran, Thamior – disse Hargor olhando atentamente para sua armadura que havia sido restaurada pelos hábeis ferreiros de Sírhion – mas ele não pode simplesmente impedir Astreya de sair, muito menos nos manter aqui contra nossa vontade.
- Muito menos nos deixando armados – disse Bulma conferindo o fio de seu machado.
- Eu só peço que esperem um pouco – respondeu Thamior ignorando o comentário de Bulma – esperem para que ele e Astreya resolvam isto.
- Muito bem – disse Oyama colocando suas braçadeiras – mas se ela quiser partir conosco e Coran não permitir...
- Vamos nos preocupar com isso caso aconteça – disse Hargor cortando o assunto – e enquanto estou aqui – continuou o anão em tom mais brando – vou ensinar a seus ferreiros como se junta as placas de uma armadura sem deixar brechas ou pontos frágeis nas articulações...

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Dentro do palácio, na câmara real, Astreya abriu educadamente a porta, fez uma mesura e esperou permissão para entrar. Ela vestia uma nova cota de malha élfica que lhe foi dada por Thamior, e carregava sua espada na cintura e arco nas costas. Coran estava sentado em seu trono de carvalho, lendo atentamente um pergaminho que acabara de receber de um mensageiro de Sindhar.
- Pode entrar, lady Astreya – disse ele de maneira polida, mas olhando com desagrado para as armas que a meio elfa carregava.
- Obrigada – respondeu a barda fazendo outra mesura – o senhor sabe porque vim.
- Sim – respondeu Coran se levantando de seu trono e caminhando em direção à Astreya – e agradeço por não ter simplesmente partido ignorando meu pedido.
- Ordem – disse Astreya com tristeza– o senhor não fez um pedido, me deu uma ordem ontem pela manhã.

Por um instante, Coran não soube o que dizer. Quando abriu a boca para falar, Astreya o interrompeu:
- Eu entendo sua posição, Coran. Mas preciso que entenda a minha também.
- Eu compreendo – disse Coran ficando a menos de dois metros de Astreya – e é por isso que com grande pesar não vou obrigá-la a partir daqui fugida, como se estivesse fazendo algo errado.
Desta vez, Astreya ficou sem saber o que dizer. Coran colocou a mão dentro de um bolso em seu cinto e tirou algo pequeno.
- Por favor, estenda sua mão – disse o rei à barda com a voz bastante calma.
Astreya estendeu sua mão direita, mesmo não entendendo o que aquilo significava. Coran colocou gentilmente na mão da meio elfa um pequeno e bem adornado anel dourado, com inscrições feitas em prata e ouro branco. Ao olhar para o anel, Astreya sentiu seu coração parar por um instante, e seus olhos começaram a lacrimejar.
- Coran... – disse a barda tentando organizar seus pensamentos – eu não posso...
- Você não precisa me responder agora – respondeu o rei colocando os dedos suavemente nos lábios da barda – guarde isso com você, de forma que possa sempre se lembrar de mim e de que tem um lugar para onde voltar. Quando tudo isso acabar, você me responde se aceita ou não meu pedido.
Astreya deu um forte abraço em Coran e começou a chorar. Pela primeira vez em muitos meses, de alegria, e não de preocupação ou medo. Ele ergueu delicadamente a cabeça da barda e ela naturalmente o beijou, selando um momento desejado por ambos há tempos.
- Apenas prometa, querida Astreya – disse Coran acariciando os belos cabelos ondulados da meio elfa – que você vai voltar para me dar sua resposta.
- Eu prometo – respondeu a barda recostando sua cabeça no peito de Coran – eu prometo...

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Ao final daquele dia, todos os preparativos finais haviam sido arranjados. Aramil foi para Sírhion encontrar seus “companheiros”, trazendo preciosas informações dadas pelo Alto Rei Thingol sobre a Torre do Desespero e o demônio que a guardava. Segundo o mago, o capitão Bheleg de Sindhar, com o consentimento do rei Coran, havia convocado o auxílio de uma experiente ladina élfica que trabalhava junto da tropa de elite mista formada por soldados de Sindhar e Sírhion. Ela encontraria os aventureiros em uma pequena vila outrora ocupada por humanos que fazia fronteira entre o reino de Kamaro e as Terras Sombrias.

Nos portões de Sírhion, os cinco heróis se reuniram e começaram a organizar seus planos.

- Irei nos teletransportar para um vilarejo humano abandonado à cerca de vinte quilômetros da região onde achamos que fica a Torre do Desespero – disse Aramil aos demais – é o mais próximo das Terras Sombrias que podemos chegar sem um grave risco da magia falhar. Lá vamos encontrar a ladina Tallin.
- A caminhada vai nos fazer bem, e espero que ela seja bonita e bastante “sociável” – respondeu Oyama – na verdade, achei que você não voltaria, Aramil.
- Para a sorte de todos vocês, eu decidi vir – respondeu o mago.
- Vou agradecer Moradin por nossa boa fortuna – disse Hargor em um tom ranzinza.
- Vamos logo! – exclamou Bulma – quero encontrar aquele maldito meio dragão e fazer um tapete com o couro dele!
- Não sabemos se ele estará na Torre ou não, Bulma – disse Hargor – mas se estiver...
- Vamos dar cabo da raça dele! – gritou Oyama levantando os punhos e gargalhando.
- Idiotas... – murmurou Aramil – novamente cercado por idiotas.

Astreya gargalhou. Eles estavam indo rumo às Terras Sombrias, um lugar amaldiçoado repleto de mortos vivos e demônios. Na Torre do Desespero, encontrariam um terrível arqui-demônio, e talvez até mesmo Thurxanthraxinzethos. Ainda assim, ela não conseguia parar de gargalhar.

Pois, apesar da triste morte de Erol, tudo estava voltando ao normal, e quando todo aquele pesadelo tivesse um fim, ela teria muitos motivos para querer voltar para casa.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

The Wolf's head - David Arkenstone

Quem lê o ótimo blog do clérigo já deve ter conferido esta linda canção, mas pedi a ele que me deixasse posta-lá em meu humilde cancioneiro:



The Wolf's Head - David Arkenstone

Como o próprio clérigo definiu, o bardo David Arkenstone (o senhorzinho que está representado na imagem deste pergaminho) produz canções que poderiam muito bem ser utilizadas como som ambiente em vossas aventuras. Quer conhecer outras canções deste artista? Clique aqui e visite o post do clérigo para saber mais! E eu vou ouvir mais canções deste bardo no oráculo youtube!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Equilibrium

Trilhas sonoras de contos cinematográficos parecem ser um ótimo material para animar nossas mesas de RPG. Sendo assim venho trazer-vos esta noite uma sonoridade diferente mas belíssima: uma canção do filme Equilibrium, que conta a história de uma sociedade futura na qual todos os sentimentos são reprimidos por meio de um medicamento para, tecnicamente, conter conflitos e guerras. Nenhum cidadão pode parar de tomar tais medicamentos, e tudo que lembre a individualidade e o sentimentalismo é exterminado por agentes especializados chamados - vejam só - clérigos.

Tudo isso muda quando o mais talentoso dos clérigos - John Preston - acaba por não tomar a sua dose diária do "remédio", e começa a sentir.

Abaixo, minha canção favorita da trilha do filme, com a qual foi feito um pequeno trailer:


The Final Countdown - Lost - Klaus Badelt

"To feel. Because you've never done it you can never know it. But it's as vital as breath, and without it...without love, without anger, without sorrow, breath is just a clock...ticking."

Uma bela canção e um filme interessante.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

É tempo de júbilo!

Eis que o nefasto monstro que assombrava meu alter-ego mortal (vulgo "prova para admissão em mestrado") finalmente foi vencido! Passando ou não, o importante é que as noites estudando e os dias de leitura podem finalmente ficar para trás! E para comemorar, trago-vos canções alegres e muito apropriadas da belíssima trilha sonora do mais recente conto de Robin Hood!


Merry Men - Robin Hood original soundtrack (Marc Streintenfeld)


Planting the fields - Marc Streintenfield

Para quem não assistiu esta película, já fica aqui minha recomendação. Diversão garantida para os amantes de um bom RPG medieval - arqueiros, ladinos, um frei que fabrica hidromel, e, o melhor de tudo, um bom bardo e seu alaúde!

sábado, 23 de outubro de 2010

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 22: Depois da tempestade (parte 2)


Bom-dia, caros amigos e visitantes! É com grande honra e alegria que vos trago nessa tarde de sábado o vigésimo segundo capítulo das Crônicas de Elgalor, sob a benção e a pena de Odin.

Boa leitura, e que os ventos da boa sorte estejam sempre convosco!

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 22: Depois da tempestade (parte 2)

Enquanto Astreya, Hargor, Oyama e Bulma se recuperavam no reino de Sírhion, Aramil se reunia com o Alto Rei dos elfos, Thingol de Sindhar, o mais poderoso mago de toda Elgalor. Dois dias após ter seus braços restaurados, Aramil foi chamado para uma conferência com seu rei na sala do trono do Palácio da Luz, um magnífico castelo feito de pedras brancas e cristais, perfeitamente integrado às belas florestas e bosques de Sindhar, o reino dos altos elfos.

O altivo e poderoso rei Thingol era amado e respeitado por todos os altos elfos, pois vivia única e exclusivamente em prol da raça élfica. Ele seria capaz de enviar todo seu exército para resgatar um único elfo que estivesse com problemas, mas sua generosidade era extremamente seletiva; ele sentia grande desprezo por todos os “não elfos”, especialmente humanos, devido às grandes perdas que estes lhe trouxeram. Sua visão era compartilhada por todos em Sindhar, tanto que a entrada de não elfos no reino era expressamente proibida.

Thingol usava sempre mantos verdes e dourados, e uma fina coroa de ouro. Era um pouco mais alto que os outros elfos, e seu cabelo, apesar de loiro como o de todos os altos elfos, era tão claro que por vezes se assemelhava a prata. Para Balderk, o Grande Monarca dos anões, Thingol era arrogante e excêntrico, mas em Sindhar, ele representava aquilo que todo elfo deveria ser.

- Então foi isso que aconteceu desde que você deixou Sindhar para encontrar os não elfos nas montanhas dos anões – disse Thingol sentado em seu trono à Aramil, que o ouvia atentamente – Você foi escolhido para representar os elfos nesta contenda juntamente com o nobre Erol, e tem o feito muito bem, pelo que vejo. Por esta razão, eu lhe libero de teu dever.
- Fico muito honrado com vossos elogios, grande rei – respondeu Aramil fazendo uma reverência – mas sendo que o homem mais indicado para tal tarefa é o capitão Bheleg, alguém que o senhor não pode dispor no momento, acredito que eu mesmo hei de continuar carregando este fardo em nome de nosso povo.
- É muito nobre de sua parte, lorde Aramil – disse Thingol se levantando – em nome de todos os elfos eu lhe agradeço, pois sei como deve ser difícil ter trabalhar junto dos não elfos do Senhor dos Ventos.
- Mais do que pode imaginar, vossa majestade – respondeu Aramil imediatamente se lembrando de Oyama e Bulma – mas independente disso, gostaria de fazer-lhe uma pergunta.
- Faça – autorizou Thingol.
- Como foi vossa reunião com o rei Coran? – questionou Aramil.

Thingol permaneceu imóvel por um instante, como se estivesse tentando colocar tudo o que sentia em palavras sem demonstrar a grande ira que sentia.
- Ruim... – respondeu o Alto Rei por fim – muito ruim.
- Coran Bhael – continuou Thingol – assim como seu falecido pai, Bremen Bhael, partilha da filosofia de que nós elfos devemos viver em comunhão com as outras raças. Compreendo isto, tanto que por mais de seiscentos anos tentei ensinar a outros povos nosso caminho, tentei guiá-los e auxiliá-los de todas as formas possíveis. Quando os humanos nos traíram pela segunda vez, resultando na morte de meu filho mais velho e de minha amada esposa, percebi que deveríamos nos recolher, e lutar ao lado de outras raças apenas quando a ameaça de um verdadeiro apocalipse estiver pairando sobre o mundo.

- Como sinto que este momento está se aproximando – disse Thingol olhando para uma das grandes janelas de seu palácio – e sei que não podemos correr o risco de ser traídos novamente, decidi unir nossos povos. Os alto elfos, os elfos silvestres e os elfos de prata. Propus a Coran que ele se casasse com minha filha Meliann com as bênçãos do sábio e falecido rei Karanthir. Eu lideraria nossos exércitos reunidos contra a ameaça que o Senhor dos Ventos nos alertou, e depois de terminada a guerra, cederia o posto de Alto Rei à Coran, podendo finalmente partir para os reinos de Corellon com o coração em paz.
- Venceríamos esta guerra sem ter que trabalhar junto de humanos sem honra e anões tolos – disse Aramil – não precisaríamos fazer negociações, pactos, nem nos preocupar com espadas em nossas costas... Seria realmente ótimo. Nossa supremacia seria reconhecida até pelos anões, e se algum dia no futuro uma aliança fosse necessária, todos teriam que nos seguir, como deveria ter sido desde o início.
- Exato – respondeu Thingol – mas como pode imaginar, os ideais ingênuos de Coran Bhael o impediram de aceitar minha oferta.
- “Ideais” – disse Aramil revoltado – Coran Bhael é um tolo. Era evidente que ele não aceitaria uma oferta como esta.
- Aramil... – disse Thingol intrigado com a reação do mago – você sabe de algo que eu não sei?
- Não, vossa majestade – respondeu Aramil se curvando para evitar os olhos inquisidores de seu rei – nada relevante...

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Nos jardins do Palácio da Luz, a princesa Meliann, a mais bela elfa que já nascera em Elgalor, tocava em sua harpa uma melodia agradável, porém melancólica, enquanto sua melhor amiga, a jovem Elenna Aldalen, sobrinha do capitão Bheleg Aldalen, reclamava furiosa.
- Não é justo! – gritou a também bela e jovem elfa – já faz três anos que iniciei meu treinamento, e o grupo de lorde Aramil precisa de uma ladino habilidoso, mas meu tio se recusa a me deixar partir!

Entre os elfos, os ladinos são indivíduos habilidosos e altamente treinados para recuperar relíquias élficas perdidas, encontrar pessoas e explorar lugares que ninguém mais seria capaz. Diferentes da maioria dos ladinos humanos ou halflings, eles não eram movidos por cobiça de qualquer tipo, apenas pelo desejo de servir seu povo e pelo ainda mais forte desejo de conhecer novos e fantásticos locais neste processo.

- Bheleg é um bom homem – respondeu Meliann com um leve sorriso e um suspiro – depois que meu irmão morreu séculos atrás, ele assumiu o posto de mestre de armas de Sindhar, e sabe o que faz, Elenna. Se ele disse que você não está pronta, é porque não está.
- Não consigo aceitar as coisas tão bem quanto você, Meliann, por mais que gostaria – respondeu Elenna sentando-se na grama, percebendo que de nada adiantaria despejar suas frustrações nos ombros da amiga – Ele já mandou chamar uma elfa de Sírhion, uma tal de Tallin para se juntar à companhia de lorde Aramil. Mas sabe o que mais me incomoda?
- O que, Elenna? – perguntou Meliann tocando sua harpa.
- O que faremos – disse Elenna - se em algum momento não tivermos mais seu pai ou meu tio para nos proteger?
Meliann parou de tocar naquele instante. Um aperto terrível assolou seu coração, de uma maneira que a inocente elfa jamais havia sentido antes.
- Isto nunca vai acontecer, Elenna – disse Meliann com rispidez – Nunca!

Tentando afastar as sombras que temporariamente esmagaram seu coração, a bela princesa continuou a tocar, fingindo para si mesma que não notava as nuvens negras que começavam a se formar no céu de Sindhar...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dança com Lobos

Em tempos recentes, comentei em um post que a trilha sonora do conto "Dança com Lobos" era deveras magnífica. Venho mostrar-lhes esta noite o quanto eu não estava mentindo!


The John Dunbar theme (remix) - John Barry


The John Dunbar theme (original) - John Barry


Two Socks theme - John Barry

Que os ventos da boa música e das boas histórias sempre possam soprar em vossos corações, nobres viajantes e visitantes! Uma homenagem ao pai de meu alter-ego, que muito aprecia esta película e que sempre gostou do tema de John Dunbar. Posso dizer que a primeira canção também me lembra muito de meu pai Annastrel...

domingo, 17 de outubro de 2010

Diário de Astreya

Hoje escrevo com o corpo cansado, com a mente nublada e com o coração pesado. Minhas mãos estão trêmulas, mas isso não me impede de registrar nestas páginas tudo o que aconteceu. E eu, que sempre dei tanto valor para o registro dos fatos e de nossas memórias, gostaria de poder apagar qualquer vestígio da última batalha que tivemos de nossas mentes. Mas o que me resta agora para colocar para fora um pouco da angústia que estou sentindo são essas páginas vazias que estão sob minha pena.
De todos os combates, de todas as feridas e mortes que já presenciamos, eu nunca havia visto ou vivido nada parecido com o embate contra este demônio em forma de meio-dragão. E pensar nele me enraivece como nada nunca antes me enraiveceu. Mas o pior de tudo é que, além de ódio, eu sinto medo. Muito medo. Dois sentimentos, como minha mãe me disse uma vez, que podem minar qualquer coração, que podem minar o caráter dos mais justos e nobres homens e mulheres. Eu não posso deixar que eles me dominem por muito tempo. Por isso, a partir de hoje, devo pensar em um dia de cada vez. Nós temos uma missão a cumprir, e pessoas para ajudar. E se um dia o destino nos colocar novamente frente a frente com aquele monstro, nós selaremos a batalha que começou em Elvanna de uma vez por todas.


Thurxanthraxinzethos. Eu não fugirei de me lembrar deste nome. O nome do meio-dragão que fez com que amigos se matassem, que torturou a cada um de nós física e emocionalmente, e que, como acabo de testemunhar, abriu uma ferida difícil de reparar na pessoa que eu mais amo, obrigando-o a ver-me no estado em que me encontrava em Elvanna, e fazendo com que ele agora assuma uma posição extremada e aparentemente fria numa tentativa de me proteger. Eu sei o quanto isso o deve estar ferindo. No fundo, acredito que ele saiba que isso não adiantará em nada. Assim como eu sei que nunca poderei impedi-lo de cumprir nenhuma de suas obrigações como rei e guerreiro, por mais que deseje com todo o meu coração que ele possa simplesmente viver em paz. Isso atormenta a nós dois, mas Thurxantraxinzethos fez com que esse medo se transformasse em realidade e dor para Coran, na forma de um corpo quebrado e quase inerte na floresta do rei Karanthir. E principalmente por ter feito isso com ele, pela morte de meu amigo Erol de uma forma tão brutal, e pela dor que ele causou a todos os meus companheiros, eu jamais, jamais perdoarei esse meio-dragão do abismo.

E ainda assim, há esperança. E também nos espera mais dor e medo, mas sempre há esperança. Pois quando caí, eu pensei que não resistiria e morreria. Não havia apenas a dor que sentia por ver todos morrendo a minha volta; a dor física também se abateu sobre mim de uma maneira excruciante. Ainda assim, eu ouvi palavras de conforto. Alguém viera nos buscar e socorrer, e assim que perdi a consciência, vi também alguém esperando por mim em meio a escuridão. Uma meio-elfa. Uma mulher que chegava a me lembrar de minha mãe, mas que obviamente não era ela, e agora não me lembro mais de seu rosto. Mas eu me lembro que havia naquela figura um semblante de paz indescritível.

- Não tema e não perca tuas esperanças. Pois antes da contenda de teu grupo acabar, uma marca vermelha irá ferir teu coração de modo que tu jamais experimentaste, e de várias maneiras tal cor se transformará em teu pior pesadelo. Muitas serão as baixas e as lágrimas, e vosso mundo todo mudará. Se vós estivéreis alquebrados, no entanto, vós permitireis que todos os sacrifícios se transformem em perdas vãs. Há muitos olhando por vós, e contra vós, crianças. Se olharem para o lado certo, contudo, nada será desperdiçado.

Ela então sorriu e a imagem desapareceu, e eu simplesmente mergulhei em minha inconsciência até despertar nesse lugar que representa segurança, paz, e uma promessa de felicidade e amor para mim. O ritual de Gruumsh não se completou e estamos aqui, afinal. Posso ouvir Oyama esbravejar lá fora. Sei que devemos cumprir nossa missão, mesmo que, um a um, nós tombemos e todos os nossos anseios terminem apenas em promessa, em sonhos que nunca serão realizados, pelo menos neste plano de existência. Enquanto ainda tivermos a chance de proteger aquilo que nos é caro e aqueles que amamos, é o que devemos fazer. Se precisar, vou repetir isso todos os dias para continuar caminhando. E espero que as mulheres de Myrra estejam certas quando dizem que não há ferida que o tempo não cure.

sábado, 16 de outubro de 2010

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 21: Depois da tempestade (parte 1)


Boa noite, amigos e visitantes! Com grande honra, trago a vós a continuação das Crônicas de Elgalor, sob a penção e pena de Odin. Agora, o grupo formado pelo acaso e pela necessidade terá seus problemas para voltar a ativa...


As Crônicas de Elgalor – Capítulo 21: Depois da tempestade (parte 1)


Por Odin.


Astreya abriu os olhos assustada. Quando olhou ao redor, viu um quarto branco, com várias janelas que o mantinham bastante iluminado. Ela estava deitada em uma cama, vestindo uma túnica branca com detalhes prateados. Ao virar o pescoço um pouco para a esquerda, viu que havia alguém sentado em uma cadeira de madeira ao lado de sua cama.
- Está se sentindo melhor? – perguntou o rei Coran, aliviado ao ver a barda desperta.
- Coran! – gritou Astreya se surpreendendo com a altura da própria voz – minha voz voltou. Onde estamos? O que aconteceu com os outros?
- Calma – disse Coran se levantando – está tudo bem agora. Estamos nas casas de cura de Sírhion. Já faz três dias desde o confronto com Thurxanthraxinzethos.
- E os outros? – perguntou Astreya – me lembro de você me carregando, dizendo que tudo ficaria bem, mas não me lembro de mais nada depois...
- Depois, Bheleg e eu levamos vocês para Sindhar – continuou Coran – o rei Thingol foi... generoso, e apesar de vocês não serem elfos, ele permitiu que permanecessem em Sindhar por cerca de meio dia, depois, trouxemos vocês para cá.
- Coran, e quanto aos outros? – perguntou Astreya aflita – me lembro de Thurxanthraxinzethos ter cortado as pernas de Oyama, rasgado Bulma ao meio... sem contar Erol...
- Thamior já se encarregou de Oyama e Bulma – respondeu Coran com gentileza, tentando acalmar Astreya - ambos estão em perfeita ordem. Mas Erol infelizmente estava morto quando chegamos, além de qualquer ajuda que pudéssemos dar.
Astreya baixou os olhos tentando esconder o choro e o medo que sentia cada vez que se lembrava do que ocorrera na Floresta de Elvanna. Coran colocou a mão em seu ombro e disse:
- Sei o que vocês passaram, mas saiba que o sacrifício de vocês, e principalmente o de Erol não foi em vão. Graças aos seus esforços, o ritual de Gruumsh que traria um de seus arautos não pôde ser completado. Vocês se saíram bem, Astreya.
- Não o bastante para todos voltarmos vivos – retrucou a barda enquanto enxugava suas lágrimas – o que houve com Hargor e Aramil?
- Aramil se feriu gravemente e estava à beira da morte, mas foi curado pelos clérigos de Sindhar – disse Coran - Hargor estava em uma situação ainda pior, mas Bheleg conseguiu encontrá-lo a tempo, e foi possível que os clérigos de Sindhar o curassem também. Descanse agora. Você precisa se recuperar. Vocês todos precisam.
- Minha voz já voltou, e todos os ossos que Thurxanthraxinzethos havia quebrado estão curados – respondeu Astreya.
- Não estou falando de seus corpos, Astreya – respondeu Coran – estou falando de seus espíritos.
- Não há tempo para isso, Coran, digo, vossa majestade – disse Astreya fazendo uma pequena mesura – precisamos ir até a Torre do Desespero.
- Não – disse Coran de maneira bastante seca – não vou permitir.
- Mas você não pode... – disse Astreya estranhando a mudança de atitude em Coran.
- Sim, eu posso – respondeu Coran de maneira ainda mais fria – você principalmente, Astreya, é súdita de meu reino há mais de cinco anos. Como seu rei, eu lhe proíbo de participar do grupo do Senhor dos Ventos. E se minha autoridade permitir, nenhum de seus amigos continuará nesta contenda suicida.
Astreya abriu a boca para protestar, mas Coran virou as costas e caminhou para a porta.
- Não torne isto mais difícil do que precisa ser – disse Coran sem olhar para trás – não me obrigue a fechar o punho da mesma forma que Thingol.

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Em meio a uma clareira, Oyama chocava seus pés e punhos violentamente contra pedras e rochas, tentando aliviar um pouco sua ira. Próximo a ele, estavam Hargor, que olhava pensativo para o céu e Bulma, que permanecia mortalmente calada.
- Maldito Thurxanthraxinzethos! Quando eu encontrar você, seu desgraçado filho de uma cocatriz – disse Oyama enquanto partia uma rocha em pedaços com um soco – EU VOU ARRANCAR SEU COURO E FAZER UM SACO DE PANCADAS COM ELE!!
Hargor se levantou e olhou para seu amigo.
- É isso que você quer? – perguntou o clérigo.
- Sim! – respondeu o monge – é isso que eu VOU fazer!
- Ótimo – disse Hargor – então pare de desperdiçar seu tempo e me ajude a reunir os outros. Vamos acabar com a missão que começamos e depois voltamos para Darakar. Lá, vamos continuar com o treinamento que Durin começou dois anos atrás e quando for a hora, vamos caçar Thurxanthraxinzethos e fazer o bastardo se arrepender de ter nascido.
- E você, Bulma? – perguntou Oyama enquanto enxugava o suor com a própria barba – vem conosco?
- Não – respondeu a bárbara rispidamente – Não quero nunca mais ver suas caras feias de novo, fracotes incompetentes – vou sozinha atrás de Thurxanthraxinzethos, e vou torturá-lo tanto que até os clérigos de Erythnul vão sentir pena dele.
- O que aconteceu com Erol não foi sua culpa, Bulma – disse Hargor ignorando as ofensas da bárbara.
- Você não estava lá para ver, idiota – respondeu Bulma ainda mais agressiva.
- Você é indisciplinada, irresponsável e inconseqüente – gritou Hargor – se estivéssemos em um exército anão, você já teria sido enforcada por má conduta depois da primeira batalha. Mas...
- Mas? - perguntou Bulma.
- Não somos uma tropa de anões perfeitamente organizada – respondeu o clérigo – mas somos uma equipe. Precisamos uns dos outros se quisermos realmente fazer alguma diferença significante como indivíduos. Precisamos ficar juntos.
- Bulma... – começou Oyama – Se eu matar você por acidente como você fez com Erol, não vou perder nem uma hora de sono. Temos que ser cuidadosos e cobrir os flancos uns dos outros, como Hargor vive cobrando principalmente de nos dois, mas em uma guerra, tudo pode acontecer. Se não pudermos encarar isso, é melhor “aposentar a espada” e virar fazendeiro de uma vez.

Após um tenso momento de silêncio, Bulma se levantou e ergueu seu machado.
- Eu não nasci para ser fazendeira, e não vou perder um segundo de sono se você morrer, Oyama. Mas... – disse a bárbara olhando para Hargor – Vou me esforçar para lutar dentro da formação.
- Ótimo – disse Oyama – agora é só pegarmos Astreya, o cretino do Aramil e seguirmos para as Terras Sombrias.

Hargor novamente olhou para o céu e coçou a barba. Algo lhe dizia que desta vez não seria tão simples assim reunir o grupo novamente...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A sabedoria dos filhos da natureza

• É um problema menor ser pobre do que ser desonesto.
• Ninguém além de ti pode representar tua consciência.
• O nome de cada Deus não faz diferença, já que o amor é o deus verdadeiro de todo o mundo.
• Não julgue pelo olho, mas sim pelo coração.
• Pensamentos são como flechas: uma vez lançados, eles atingem seu alvo. Guarde-os bem ou você poderá ser sua própria vítima.
• O bem e o mal não podem viver juntos em um mesmo coração, então um bom homem não deve andar em má companhia.
• A verdade não acontece, ela simplesmente é.
• A vida não é perfeita: ela tem um lado bom e um lado ruim. Por vezes, o lado ruim nos dá mais conhecimento do que o lado bom.
• Um inimigo é muito, e cem amigos são poucos.
• Seja sempre verdadeiro com teu coração.
• Seja sempre grato pelo que têns, mesmo que em tua mente isto não seja o bastante. Um homem grato tem muito o que ganhar, mas um ingrato tem muito o que perder.



The Last of the Mohicans soundtrack - Trevor Jones




Creek Mary's Blood - Nightwish (Cenas do filme "Dança com Lobos", cuja trilha sonora original também é espetacular, por sinal).

Soon I will be here no more
You'll hear my tale
Through my blood
Through my people
And the eagle's cry
The bear within will never lay to rest

Wandering on Horizon Road
Following the trail of tears

White man came
Saw the blessed land
We cared, you took
You fought, we lost
Not the war but an unfair fight
Sceneries painted beautiful in blood

Wandering on Horizon Road
Following the trail of tears
Once we were here
Where we have lived since the world began
Since time itself gave us this land

Our souls will join again the wild
Our home in peace 'n war 'n death

Wandering on Horizon Road
Following the trail of tears
Once we were here
Where we have lived since the world began
Since time itself gave us this land

Wandering on Horizon Road
Following the trail of tears
Once we were here
Where we have lived since the world began
Since time itself gave us this land

"Hanhepi iyuho mi ihanbla ohinni yelo

O sunkmanitutankapi hena,
sunkawakanpi watogha hena,

oblaye t'ankapi oihankesni hena

T'at'epi kin asni kiyasni he
akatanhanpi iwankal

Oblaye t'anka kin
osicesni mitakuyepi òn

Makoce kin wakan
WakanTanka kin òn

Miwicala ohinni - Hanhepi iyuha
kici - Anpetu iyuha kici yelo

Mi yececa hehaka kin yelo, na
ni yececa sunkmanitutankapi

kin ka mikaga wowasaka isom

Uncipi tuweni nitaku keyas ta k'u

Unwakupi e'cela e wiconi
wanji unmakainapi ta yelo

Anpetu waste e wan olowan
le talowan winyan ta yelo

Unwanagi pi lel e nita it'okab o'ta ye

Untapi it'okab o'ta

Na e kte ena òn hanska ohakap
ni itansni a'u nita ni ihanke yelo"

Tradução:
"Eu ainda sonho todas as noites
Com os lobos, mustangues, as infinitas pradarias
Os ventos incansáveis por sobre os topos das montanhas,
A intocada fronteira da minha carne e do meu sangue
A terra santificada do Grande Espírito
Eu ainda acredito
Em toda noite
Em todo dia
Eu sou como o o caribú
E vocês como os lobos que me fazem mais forte
Nós nunca lhe devemos nada
Nosso único débito é uma vida para com nossa Mãe
Esse foi um bom dia para cantar esta canção para ela
Nosso espírito estava aqui muito antes de vocês,
Muito antes de nós,
E por muito tempo estará depois de seu orgulho lhe conduzir a seu fim".

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

As Crônicas de Elgalor – Capítulo 20: Uma Luz no fim do túnel

Olá amigos, companheiros e visitantes! Como prometido, é com grande honra e alegria que trago hoje com maior rapidez o vigésimo capítulo das Crônicas de Elgalor, capítulo especial por ser o de número 20 escrito pela pena de Odin, e também por concluir a batalha entre nosso grupo e o temível meio-dragão Thurxanthraxinzethos.

Boa leitura, e que os ventos da bravura e da amizade sempre soprem a vosso favor, bons amigos.


As Crônicas de Elgalor – Capítulo 20: Uma Luz no fim do túnel

Por Odin.

Thurxanthraxinzethos jogou Astreya no chão e se virou na direção do mago Aramil, que apontava seu cajado para ele com uma mão e com a outra segurava o pequeno, mas profundo ferimento em seu abdômen, que obviamente não foi feito pela espada flamejante do meio dragão.
- Então, sua “morte” foi um truque, maldito cheirador de flores? - Rosnou Thurxanthraxinzethos.
- Chama-se Som Fantasma, cria do inferno – respondeu Aramil com a habitual arrogância – se você não fosse tão inepto, teria percebido que nenhum mago seria idiota a ponto de entregar assim sua posição. Mas é claro, não posso esperar nada diferente de alguém que é mais feio e burro do que Oyama.
- A única coisa que você vai conseguir com seus insultos, verme – disse Thurxanthraxinzethos apontando a espada para Aramil – é uma morte mais lenta, mais grotesca e mais dolorosa. Mas admito que estou curioso...
- Com o que? – perguntou Aramil tentando esconder o fato de mal conseguir ficar de pé por conta do sangue que perdera.
- De todos os capachos do Senhor dos Ventos, você é o mais covarde e egoísta – continuou Thurxanthraxinzethos ainda sem sair do lugar – e a menos que seja um idiota completo, você sabe que não pode me vencer nem salvar ninguém aqui. Porque não fugiu depois que transformou o cadáver de Karanthir em um inseto?
- Para ganhar tempo – respondeu Aramil de maneira seca e prepotente – e para seu governo, porco mestiço, o único capacho que vejo de pé aqui é você, servo de orcs.

Furioso, Thurxanthraxinzethos avançou sobre Aramil, e o mago disparou mais um relâmpago com seu cajado. A magia de Aramil era potente, e sobrepujara sem problema as defesas naturais de Thurxanthraxinzethos, mas o mago sabia que nem mesmo o Alto Rei Thingol de Sindhar conseguiria abater Thurxanthraxinzethos com apenas um relâmpago. O meio dragão gritou quando foi atingido no peito, mas não diminuiu o ritmo de sua investida, e com um golpe perfeito, decepou os dois braços do mago elfo com sua espada flamejante, que cauterizou os cortes quase que instantaneamente.

Aramil urrou de dor e caiu no chão quase inconsciente. Thurxanthraxinzethos pisou no frágil peito do elfo e disse:
- Tudo isso foi para dar tempo para que o clérigo anão chegasse? Era para isso que você estava enrolando tanto, “grande” mago? Eu esperava mais do que isso.
- Não... se preocupe... – disse Aramil em seus últimos momentos de consciência enquanto sentia um forte pulso de energia arcana se manifestar do lado de fora da barreira - você não vai se desapontar...

- Desmaiou... – disse Thurxanthraxinzethos intrigado, tentando compreender o significado das palavras de Aramil – E “para seu governo”, elfinho, eu não sirvo nenhum orc imundo. Isto é apenas uma aliança de guerra.

- Bem... – disse Thurxanthraxinzethos para si mesmo com um sorriso ao ver todos os heróis brutalmente tombados no chão – vou espancar um pouco mais a meio-elfa e depois voltar para nossa fortaleza.

Quando se virou na direção de Astreya, Thurxanthraxinzethos ficou congelado por um instante. Apertou o cabo de sua espada e empurrou com o pé o corpo de Aramil para o lado.
- Então... – disse Thurxanthraxinzethos em voz alta com um sorriso sádico na boca – este era o plano de Aramil. O fracote deve ter usado sua magia para enviar um pedido de socorro antes de entrar aqui. Ele provavelmente esperava conseguir ficar vivo até vocês chegarem, mas...

Abaixado ao lado de Astreya, estava um guerreiro élfico de longos cabelos castanhos, armadura de batalha azul e prateada. Ele portava um bem polido escudo escuro, com nove estrelas prateadas, e uma coroa de prata na cabeça. O elfo parecia falar algo para a barda, e quando ele se levantou e encarou Thurxanthraxinzethos, o meio dragão pôde sentir um ódio avassalador partindo dos olhos do altivo guerreiro.

Ao lado dele, estava outro guerreiro élfico, loiro e de pele bem clara, trajando uma bem ornada cota de malha élfica marrom e um longo manto verde escuro. Este guerreiro portava dois sabres élficos cujas lâminas reluziam com uma tênue luz esmeralda, e em seu ombro, repousava uma águia celestial, cujas penas pareciam navalhas douradas.

- Sei quem vocês são – disse Thurxanthraxinzethos satisfeito – Coran Bhael, o rei élfico de Sírhion e Bheleg Aldalen, general e mestre de armas do Alto Rei Thingol de Sindhar – Os dois maiores guerreiros élficos de Elgalor. Eu sou Thurxanthraxinzethos, primeiro marechal e mestre de armas do Rei Dragão, mas se preferirem, podem me chamar de MORTE.

- Não vou perder meu tempo discutindo com um pedaço de lixo mestiço como você! – disse Bheleg de maneira fria e implacável, enquanto jogava seu manto no chão e sua águia voava para o alto – mas garanto que em menos de um minuto, você estará inutilmente implorando por sua vida miserável!

Bheleg assumiu posição de combate e se preparou para avançar. Ao observar o olhar frio e cruel com que o elfo o encarava, Thurxanthraxinzethos percebeu que aquele, como ele, era um veterano de incontáveis batalhas.
- Espere, Bheleg! – disse Coran colocando gentilmente a cabeça mutilada de Astreya no solo – Eu vou arrancar a cabeça deste assassino.

Coran sacou sua espada, a Lâmina do Gelo. A espada reluzia com um brilho cálido e mortal. Thurxanthraxinzethos sabia que Coran ostentava o título de mais habilidoso guerreiro élfico daquela era, e que o que estava em sua mão era a mais poderosa espada já criada pelos artífices elfos.
Por um instante, Thurxanthraxinzethos gargalhou.
Ele vibrou com a possibilidade de colocar aquela arma em sua já impressionante coleção. Sem contar que, se levasse a cabeça deste rei élfico, o ritual dos orcs funcionaria e ele teria suas cem virgens afinal. Só havia um problema.

Confiante como era, Thurxanthraxinzethos sabia que poderia derrotar ambos em um duelo singular, mas se eles resolvessem atacar juntos, até o arrogante meio dragão sabia que não sairia andando daquele campo de batalha.

- Perfeito... aceito seu “desafio”, rei de Sírhion – disse o meio dragão em tom de provocação enquanto se posicionava para lutar – mas considerando a coragem e habilidade em combate risíveis de sua raça, recomendo que venham os dois juntos.

Relutante, o orgulhoso Bheleg guardou suas espadas. Por mais que desejasse vingar a morte de Erol, um de seus maiores discípulos, sabia que a primazia do combate, segundo o código dos guerreiros de Sindhar e de Sírhion, pertencia sempre ao rei.

Coran caminhou na direção de Thurxanthraxinzethos, visivelmente tentando controlar o ódio que parecia que explodiria de seu peito a qualquer momento. Quando se aproximou mais, teve que tomar cuidado para não pisar em uma das pernas de Oyama.
- Hahaha! Cuidado para não pisar nos pedaços de lixo, vossa majestade – disse Thurxanthraxinzethos em meio a uma gargalhada gutural.
- Este “lixo” – gritou Coran em fúria – eram meus amigos, e quando eu terminar com você, não vai sobrar nem isto para enviar de volta a seu mestre!

Os dois guerreiros correram na direção um do outro de maneira furiosa, mas impecavelmente calculada. Thurxanthraxinzethos empunhava sua enorme espada com as duas mãos, aumentando ainda mais o poder já devastador de seus golpes. Se atingisse o rei de Sírhion de raspão com aquela força, o guerreiro élfico seria completamente despedaçado. Coran avançava com o escudo posicionado à frente, não para tentar aparar o ataque de Thurxanthraxinzethos, mas para bloquear o campo de visão do meio dragão por uma fração de segundo, tempo suficiente para ele afundar a Lâmina de Gelo no coração ou garganta de Thurxanthraxinzethos.

Quando ambos se aproximaram mais, houve um clarão, que jogou Coran para trás. Mesmo surpreso, o rei élfico rapidamente se recompôs, e percebeu que Thurxanthraxinzethos estava envolvido por uma redoma de fogo.

- Volte – disse uma voz imponente e autoritária que ecoava na mente de Thurxanthraxinzethos – O reino élfico de Elvanna caiu. Seu trabalho aqui está feito.
- Não! – gritou Thurxanthraxinzethos tão alto que até Coran e Bheleg ouviram – eu posso facilmente acabar com os dois, e teríamos a cabeça de um rei élfico como era planejado.
- Me responda novamente, e eu mesmo arrancarei cada osso do seu corpo – disse novamente a voz na mente de Thurxanthraxinzethos, mas desta vez, repleta de fúria – Os dragões vermelhos e mais da metade de seus exércitos foram destruídos no ataque, e em poucos minutos, todo o exército do rei Thingol estará ai. Volte agora.
- Está bem, meu senhor – respondeu Thurxanthraxinzethos – perdoe-me por minha insolência.

Contrariado, e ainda envolvido pela redoma de fogo, Thurxanthraxinzethos olhou fixamente para Coran e Bheleg.
- Estão com sorte, elfos – gritou Thurxanthraxinzethos embainhando sua espada nas costas – mas da próxima vez que nos encontrarmos, vou fazer com vocês o mesmo que fiz com estes vermes.

Mais um clarão se fez e Thurxanthraxinzethos desapareceu. Furiosos, Coran e Bheleg se entreolharam, mas sabiam que nada mais podia ser feito ali. Coran recolheu gentilmente o corpo inerte de Astreya e Bheleg mandou sua águia dar o sinal para que os clérigos que os acompanharam adentrassem a clareira para tentar fazer algo pelos feridos.

O outrora belo reino de Elvanna estava irremediavelmente destruído. O sábio rei Karanthir estava morto, e nem mesmo os deuses sabiam se os sobreviventes entre os nobres heróis de Elgalor iriam um dia se recuperar daquele dia de dor e massacre...